18/04/2020 às 14h56min - Atualizada em 18/04/2020 às 14h56min

Envelhecer requer mudar o que comemos?

ÂNGELA PRIULI
Estamos revendo vários hábitos nas últimas semanas, não é mesmo? Aqui em casa, estamos cozinhando todos os dias e talvez isso tenha trazido mais proximidade às escolhas do que comer e quando comer (já que ficamos o dia todo em casa). O fato é que já é sabido que se alimentar de forma balanceada melhora não só a tão sonhada imunidade, mas o organismo de forma integral. A pergunta aqui é: meu filho precisa comer alimentos diferentes, pois está em fase de crescimento, mas e eu que estou com 40 anos e minha mãe que está com 70, qual é a indicação?

Uma pesquisadora da Universidade de Tecnologia de Sidney (AUS), Dra. Luna Xu, pesquisou dados de 139.000 australianos mais velhos e encontrou fortes ligações entre certos grupos de alimentos, perda de memória e doenças cardíacas comórbidas ou diabetes. 

Foi visto que o alto consumo de frutas e verduras estava associado a menores chances de perda de memória e de sua doença cardíaca comórbida. Em contrapartida, o alto consumo de alimentos ricos em proteínas foi associado a uma melhor memória. A Dra. Xu e seus colaboradores também descobriram que a ligação entre o grupo de alimentos e o status da memória pode variar entre diferentes faixas etárias. Pessoas com 80 anos ou mais e com baixo consumo de cereais correm o maior risco de perda de memória e doenças cardíacas comórbidas, mostrou sua pesquisa.

O ponto alto da pesquisa aponta para a necessidade da elaboração de diretrizes alimentares saudáveis ​​específicas a cada idade.

A perda de memória é um dos principais sintomas iniciais das pessoas com demência, que é a segunda principal causa de morte dos australianos. As pessoas que vivem com demência têm em média entre duas e oito condições comórbidas, o que pode acelerar o comprometimento cognitivo e funcional. As comorbidades mais comuns na demência incluem doenças cardiovasculares, diabetes e hipertensão. Nesse ponto, a intervenção alimentar na prevenção e tratamento de doenças crônicas, levando em consideração o fato de que as populações mais velhas costumam lidar simultaneamente com várias condições crônicas, é um verdadeiro desafio.

Para alcançar o melhor resultado para o envelhecimento da população, é essencial uma forte evidência científica que apoie uma intervenção dietética eficaz na prevenção e gerenciamento de condições crônicas coocorrentes. Mas, enquanto não existe a "dieta da melhor idade", o melhor que fazemos é usar esse tempo a mais em casa e inventar receitas refrescantes com a aquele rabanete que está estragando no fundo da gaveta, sobremesas deliciosas com as frutas que você não gosta da textura e petiscos, como castanhas, para ver as lives. Curtiu o menu?

Fonte: 
Xiaoyue Xu, Mabel Ling, Sally C. Inglis, Louise Hickman, Deborah Parker. Eating and healthy ageing: a longitudinal study on the association between food consumption, memory loss and its comorbidities. International Journal of Public Health, 2020.



Esta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.


 
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