11/04/2020 às 08h00min - Atualizada em 11/04/2020 às 08h00min

Uma nova aposta contra o COVID-19 que pode ajudar a nossa economia...

JOÃO LUCAS O'CONNELL

Em meio à pandemia da Covid-19, a maioria dos países do mundo concentra suas forças em achatar a curva de disseminação do vírus. No Brasil, o isolamento horizontal propriamente dito, por uma série de questões culturais e econômicas, não ocorreu. Entretanto, o distanciamento realizado por boa parte da população foi fundamental para garantir uma situação relativamente tranquila de achatamento da curva de disseminação da doença até aqui. Isto foi fundamental para evitar (ou pelo menos adiar) o possível colapso dos sistemas de saúde público e privado da região! O freio na disseminação da COVID foi tão eficaz que o menor número de doentes até aqui levou a questionamentos se o isolamento proposto era, realmente, tão necessário...

Não podemos questionar as medidas de distanciamento indicadas! Principalmente, por terem permitido que os sistemas de saúde da região (tanto o público como o privado) tivessem um pouco mais de tempo para se organizar para enfrentar a epidemia. Neste período, criamos protocolos de atuação na maioria dos serviços de saúde; aumentamos nossa capacidade de atendimento (com mais leitos e mais equipamentos); conseguimos mais equipamentos de proteção para serem disponibilizados para os profissionais de saúde e desafogamos nossos hospitais de outros tipos de doentes (eletivos, acidentados e outros)... Por tudo isso, o distanciamento social foi fundamental!

Mas, e agora? O que fazer? Infelizmente, achatar a curva não significa eliminar a circulação do vírus. O vírus continua circulando com maior força em algumas cidades do país (São Paulo, Manaus e outras). Ele pode nos atingir com força semelhante (ou até pior) nas próximas semanas! Para tentar evitar que isto aconteça, temos duas opções a serem discutidas pelas autoridades. A primeira opção seria manter o distanciamento social máximo possível por mais algumas semanas (ou meses), até o que o vírus comece a diminuir sua circulação no Brasil e no mundo. Isto deve funcionar! Entretanto, provocaria danos incalculáveis a nossa economia. Ainda mais empresas fechariam, mais pessoas perderiam seus empregos e suas rendas... Outras doenças físicas e emocionais surgiriam desta trágica depressão econômica! A própria estrutura de saúde pública e privada ficaria comprometida por falta de financiamento (menos impostos, menos pacientes com convênios...).

Como a primeira opção não parece tão boa, surge uma segunda proposta, que pode ser escolhida pelas autoridades nas próximas semanas... Esta opção demandaria, entre outras medidas: uma intensificação de todos os cuidados de higiene manual e respiratória já bastante divulgadas (inclusive o uso de máscaras por todos e a intensificação do uso de antissépticos em ambientes de grande circulação - transporte coletivo, empresas, comércios e outros). Exigiria também que mantivéssemos proteção máxima a idosos e pacientes portadores de doenças crônicas, mantendo o isolamento social máximo destes subgrupos de pacientes de maior risco. Manteria mandatório o isolamento de todo paciente que desenvolvesse um quadro gripal por 14 dias (uma vez que ainda não temos kits para saber quais deles seriam portadores do novo coronavírus). Deveríamos ainda manter escolas fechadas (uma vez que o semestre letivo já está comprometido); manter fechados locais de grandes aglomerações (cinemas, teatros, estádios...) e estimular o trabalho em casa para aqueles que têm esta opção. Desta forma, diminuiríamos o número de pessoas (e potenciais transmissores da doença) em circulação. Poderíamos então, iniciar a liberação de adultos jovens para a retomada das atividades industriais, agrícolas e do comércio e estimular a retomada da economia.  

Para tornar esta proposta mais factível e menos arriscada, falta-nos apenas um pilar importante para o sucesso da estratégia: precisaríamos conseguir uma opção de tratamento medicamentoso que pudesse diminuir as chances de que os pacientes que adoecerem evoluam com gravidade. É aí que entram as “apostas” em medicamentos que vêm sendo administrados por diferentes hospitais e serviços de saúde e que podem ajudar a diminuir o número de pacientes que necessitarão de internações e de UTIs.

Se encontrássemos uma proposta de tratamento que pudesse ser disponibilizada para a maioria da população, teríamos um cenário perfeito para a transição do isolamento horizontal para o isolamento vertical. O que resta saber é se teremos tempo suficiente para a comprovação científica de que algum dos vários tratamentos em avaliação possa realmente ser útil, ou se teremos que escolher algum deles de forma empírica, a fim de tentar garantir uma eventual proteção àqueles que tentariam se expor para manter a nossa economia rodando (e a seus contatos que também poderiam adoecer)... Eu já fiz a minha opção. E você? Arriscaria uma aposta?!

*O conteúdo desta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.




















 

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