28/03/2020 às 08h30min - Atualizada em 28/03/2020 às 08h30min

O perigoso aumento da VIGOREXIA

TÚLIO MENDHES

Ao longo dos tempos, a sociedade passou a evoluir baseada em modelos, a maioria vinculada pela mídia. As pessoas impõem certa pressão sobre como deve ser a estrutura corporal ideal. Assim, o corpo tornou-se o elemento vital da própria identidade, com propensão à padronização da pluralidade humana. Hoje as redes sociais e a mídia como um todo, vendem a imagem de perfeição centrada num corpo magro como modelo de saúde e bem-estar, conquistados (erroneamente) através de restrições alimentares, dietas insensatas e a demasiada prática de atividades físicas.

O resultado dessa receita nada saudável tem provocado a manifestação de patologias psiquiátricas. Por exemplo, a distorção da imagem corporal que está vinculada a autopercepção do peso, influenciada por terceiros que estipularam um padrão a ser seguido com rigor. Essa autopercepção distorcida está relacionada com a vigorexia, tema da coluna de hoje. Mas o que é vigorexia? Quais os sintomas? Tem tratamento?

Pois bem. A vigorexia também é conhecida como Transtorno Dismórfico Muscular, Bigorexia ou Síndrome de Adonis. Em termos práticos é o contrário de anorexia. É um transtorno psíquico em que o paciente é totalmente insatisfeito com a própria imagem corporal. Para chegar ao diagnóstico correto, o terapeuta leva em conta algumas questões dos hábitos da pessoa, por exemplo, a atenção excessiva com o corpo, a manutenção rígida de uma dieta com o propósito de conquistar a forma física, encarada como perfeita, além de cumprir uma agenda implacável de atividades físicas. Um fato interessante é que atinge, na maioria das vezes, homens entre 20 e 40 anos de idade.

O esforço exagerado e obsessivo pelo corpo considerado perfeito faz com que a pessoa manifeste alguns comportamentos que podem ser sinais de que existe um processo de vigorexia em curso. São eles: baixa autoestima, ansiedade, angústia e falta de motivação com as atividades rotineiras. Infelizmente algumas pessoas superestimam esses sentimentos a ponto de recorrer a outros meios que viabilizem o aumento, desenvolvimento da massa muscular a fim de minimizar o sofrimento interno. É justamente nessa fase que passam ter o hábito indevido de consumir hormônios anabolizantes derivados de testosterona e GH - hormônio do crescimento. Consequentemente apresentando sintomas psíquicos como agressividade verbal/física, irritabilidade, depressão, delírios, ciúmes patológico, dificuldade de concentração, impulsividade, delírios de grandeza e desinteresse por atividades que não estejam ligadas ao treinamento intensivo para atingir o que consideram ser o corpo perfeito. Traz ainda sintomas físicos como tremor, aumento de pressão arterial, cansaço, insônia, acne, aumento de pelos, disfunção hepática, ritmo cardíaco alterado mesmo em repouso, dores musculares, diminuição do desempenho sexual, aumento de mamas, próstata e câncer hepático (fígado).

O tratamento é multidisciplinar, envolvendo médico, psicólogo, psiquiatra, nutricionista. Na psicoterapia é essencial trabalhar com a técnica cognitivo-comportamental, e farmacoterapia administrando inibidores seletivos de recaptação de serotonina para controle da ansiedade, depressão e dos sintomas obsessivo-compulsivos. É de extrema importância que a pessoa abandone o uso de anabolizantes e de quaisquer outras substâncias equivalentes, pois causam efeitos adversos, como disfunção erétil, infertilidade e diagnósticos que podem ser irreversíveis.

É um fato em nossa sociedade que o aumento do culto da imagem corporal tem desenvolvido gradativamente a incidência da vigorexia, intensificando ainda o abuso de substâncias lícitas e ilícitas, movimentando a comercialização nas lojas de suplementos alimentares e academias. Assim, o tratamento para pessoas com patologia de vigorexia costuma ter início tardio, pois dificilmente elas admitem que precisam de ajuda. Portanto, procure assistência médica assim que notar mudança de comportamento que direcione a vigorexia.

Até o próximo sábado!

*O conteúdo desta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.













 

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