14/03/2020 às 11h53min - Atualizada em 14/03/2020 às 11h53min

Classificação Livre

Iara Bernardes
Você sabe o que é Classificação Indicativa ou já reparou naqueles símbolos coloridos que todo programa mostra assim que começa? Aquelas “etiquetas” que sobem na tela da TV, ou estão grafadas em jogos de videogame, filmes, jogos de RPG, aplicativos e espetáculos são informações disponibilizadas às famílias sobre a idade mínima para o consumo desses itens, ou seja, mostra para os pais e responsáveis se os programas são apropriados ou não à idade da sua criança.

A Classificação Indicativa é um conjunto de informações acerca do conteúdo de programas televisivos, filmes, séries e aplicativos, além de apontar sobre a indicação de faixa etária, horário e local de eventos públicos e de entretenimento.

Sabemos que cabe à família, ao Estado e à sociedade, a formação da cidadania. Sendo assim, na parte que cabe ao Estado, a Secretaria Nacional de Justiça, uma secretaria do Ministério da Justiça, é responsável pela classificação, orientando as famílias sobre o impacto que alguns programas de entretenimento podem ter na saúde emocional e intelectual das crianças.

A Associação Brasileira de Marketing de Dados aponta que os brasileiros gastam, em média, 7 horas por dia em frente a telas, seja smartphones, tablets ou televisão, sendo este o mais consumido pelos pequenos cidadãos brasileiros que passam em média 4 horas em frente a ela. Por isso, conhecer, conversar sobre e escolher a programação dos filhos é responsabilidade maior dos pais. Sendo assim, é sempre bom lembrar que crianças e adolescentes são pessoas em formação que precisam de ajuda tanto para escolher, quanto para entender o que assistem.

Crianças aprendem por repetição, como se fossem um espelho do que vivenciam no cotidiano e adolescentes tendem a imitar o que assistem em filmes, desenhos, séries, novelas, jogos, porém ainda não têm maturidade para distinguir com exatidão o que é ficção e realidade. Logo, comportamentos agressivos, medos, ansiedade, isolamento, submissão, apatia e erotização precoce podem ser resultado da exposição a esses conteúdos em idade inapropriada. Por isso, é importante que os pais selecionem a programação assistida pelos pequenos.

A Classificação Indicativa e Censura não são sinônimos. A classificação é uma orientação parental quanto ao teor de determinado meio de divertimento, logo, cabe à família permitir ou não o acesso antes da idade recomendada. Já a Censura é a proibição de transmissão de um conteúdo, que pode ocorrer por diversos motivos.

Então você me pergunta com que propriedade essa classificação ocorre. Existe uma comissão para analisar os conteúdos: psicólogos, analistas de Direito, comunicadores sociais e pedagogos. Esses profissionais assistem os conteúdos e avaliam de acordo com alguns critérios tais como análise de cenas de sexo, drogas e violência, além de observar como a apresentação desses assuntos é feita, o que é chamado de agravantes ou atenuantes. São estes, por exemplo, os detalhes que impactantes da cena, como a sonoplastia e o enquadramento da imagem, bem como a apresentação de comportamentos sociais solidários, que valorizam vida e o bem-estar comum.

Além da fiscalização parental, algumas plataformas de jogos online e televisão por assinatura permitem que os pais façam o bloqueio de conteúdo a partir da faixa etária, filtrando o acesso das crianças, mas ainda assim é importante o acompanhamento, para que a família tenha consciência do que seus filhos assistem e são expostos.

Já falamos que maternidade não é moleza, é trabalho duro e a função de fiscalizar e acompanhar também faz parte dela e envolve a todos que fazem parte da educação das nossas preciosidades, sejam eles bem pequenos ou um pouco maiores. Por isso, acompanhe e avalie com cuidado o que seus filhos assistem. Vejam a programação juntos, se atente às falas, aos detalhes e se utilize desses momentos não apenas para analisar o conteúdo, mas para fazer com que memórias afetivas sejam criadas e que esse tempo seja mais uma oportunidade de se fazer presente na vida dos seus pequenos e curtir a maternidade sem stress, ou talvez com uma pitada dele.


*Esta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.
















 
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