23/02/2020 às 08h30min - Atualizada em 23/02/2020 às 08h30min

Tireoide e hipertireoidismo, hipotireoidismo

TÚLIO MENDHES

A tireoide é uma das maiores glândulas do corpo humano. A tireoide é uma glândula localizada na altura do pescoço, que produz hormônios responsáveis pelo controle do organismo, de função de órgãos vitais do corpo humano, como coração, rins, cérebro e fígado. O hormônio da tireoide chama-se tireoxina e assegura todos os processos bioquímicos que ocorrem no nosso corpo. Além disso, os hormônios tiroidianos induzem no sono, nos ciclos menstruais, na concentração, no peso entre outras funções como o crescimento das crianças e adolescentes.
 
Imagine que nosso corpo seja um carro. A tireoide teria dupla funcionalidade, ela atuaria ao mesmo tempo como freio e acelerador. Afinal, ela é responsável por ditar a velocidade do metabolismo e garantir que todos os processos estejam dentro de um compasso. Ela produz os hormônios tireoidianos (T3 e T4), responsáveis por diversos controles do organismo, como os batimentos cardíacos, os movimentos intestinais, a capacidade de concentração do cérebro, o tônus da musculatura, a regulação dos ciclos menstruais, do humor e da respiração celular. Controla, também, o armazenamento e a utilização de iodo e cálcio. Quando ela não apresenta um funcionamento adequado, pode fomentar quadros de hipertiroidismo – quando produz hormônios em excesso, ou de hipotireoidismo – quando a produção de hormônios é insuficiente. Tanto o hipotireoidismo quanto o hipertireoidismo quanto o podem estar associados ao bócio, aumento do volume da tireoide que também pode ser causado pela presença de nódulos na tireoide.
 
Entre as causas de hipotireoidismo, a mais comum é a tireoidite de Hashimoto. Nesse quadro, o organismo de uma pessoa passa a produzir anticorpos para atacar a própria tireoide, ocasionando até mesmo uma diminuição da sua função, resultando em um hipotireoidismo, por exemplo. Contudo, nos últimos anos, tivemos muitos avanços científicos relacionados ao hipertireoidismo, com um grande número de estudos e achados inéditos. As mudanças na diretriz começam logo no diagnóstico. Antes de entrar nos detalhes, convém deixar claro que, para descobrir se uma pessoa está com a disfunção, uma simples amostra de sangue basta. Ela serve para medir os níveis do T4 livre e do TSH, um hormônio fabricado no cérebro que estimula a glândula. Se o primeiro estiver elevado e o segundo baixo, tudo leva a crer que seja hipertireoidismo. Mas essa informação sozinha não é o suficiente para decidir os próximos passos. Nessa etapa, o médico também deve investigar o fator que está provocando a condição.
 
Como disse, nos últimos anos, tivemos muitos avanços científicos relacionados ao hipertireoidismo, com um grande número de estudos e achados inéditos. Entre esses estudos está o envolvimento o envolvimento de drogas pesadas como os remédios Metimazol ou Propiltiouracil. Afinal, os dois impedem a ação de T3 e T4 inibindo uma enzima primordial no processo. É preciso tomar de um a quatro comprimidos diariamente por dois anos ou mais, lembrando que os efeitos colaterais geralmente se dão nos primeiros 120 a 180 dias – esse tempo, aliás, foi estendido na nova publicação. É muito bom salientar que as disfunções na tireoide podem acontecer em qualquer etapa da vida e são de simples de se diagnosticar. Além disso, elas podem ocorrer mesmo sem o bócio. Além do quê estima-se que 60% da população brasileira tenha nódulos na tireoide em algum momento da vida. Mas isso não significa que sejam malignos. Apenas 5% são cancerosos. Na maioria das vezes, o câncer de tireoide, quando existe, é indolente. A grande indicação de uma ultrassonografia e, eventualmente a punção para biópsia, são os nódulos palpáveis porque são esses que em geral medem mais de um centímetro, os mais sujeitos a desenvolver câncer. A probabilidade diminui nos nódulos menores e mais ainda quando existem vários nódulos.
 
Os médicos indicam que o exame de TSH seja feito de rotina em pessoas acima de 40 anos.
 
Então fica a dica. Mantenha seus exames em dia e te espero aqui no próximo sábado!

*O conteúdo desta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.














 

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