05/01/2020 às 08h30min - Atualizada em 05/01/2020 às 08h30min

Feliz ano novo

WILLIAM H STUTZ

A esta altura do campeonato você meu amigo, minha amiga, já deve ter se curado da gigantesca ressaca das festas da virada. Já tentou por em prática as promessas para Iemanjá feitas a cada pulinho de onda e, para sua total decepção, lembrou que esqueceu metade dos compromissos assumidos com você mesmo. O “nunca mais eu bebo” da rebordosa da virada já deu lugar a uma cervejinha gelada neste primeiro domingo do ano e já faz planos para o carnaval. A academia fica para uma semana qualquer. Afinal, você tem um ano inteiro, zero bala para gastar. Pô, se eu tenho 54 semanas pela frente, a capanga cheia de outros finais de semana, domingos e feriados, me dê um motivo para ter que começar a pagar promessas justo nessa segunda-feira? Este é o pensamento quase geral.

Muitos ainda estarão de férias agora em janeiro e este período não se mistura com coisas prometidas. Deixa para fevereiro. Além da academia, o parar de fumar – tem muita gente que ainda fuma acredita?- o emagrecer, o amor perdido a recuperar, o parar de beber, a peregrinação a Nossa Senhora de Aparecida, o caminho de Santiago de Compostela ou percorrer os 1600 e tantos km da Estrada Real a pé. Tudo isso em promessa e sonhos realizáveis, caso decidido. Porém, o ano engata uma primeira, joga uma segunda ligeira e deslancha em quarta e quinta. Ganha a velocidade da mesmice, da repetição, da rotina. Os sonhos da noite de fogos e muita bebida vão sendo guardados nas gavetas dos anos comuns e passados junto outras promessas cobertas de poeira e mofo. Quando você percebe este novo ano já não é tão novo e aí você começa construir novos sonhos velhos para o próximo ciclo. “Quer saber? Ano que vem faço isso, agora está muito complicado, os compromissos me rodeiam...” Então se foi em fumaça, estampidos e brilhos fugazes, mais uma chance de verdadeiras mudanças. Eu sei, mudar dá trabalho e dói, então põe a postergar.

Quem sou eu para dar palpite, mas dou assim mesmo. Hoje AINDA é começo de ano. Pense sério em suas sementes de romã, em suas preces junto a velas brancas. Acredite em todas as simpatias que você fez na virada e vá para vida meu amigo! Sem querer ser pessimista e chato, convém pensar que pode não haver outro ano novo e aqui cabe a máxima atribuída a Mahátma Gándhí (deixo claro que tenho minhas dúvidas quanto à autoria): “Aprenda como se você fosse viver para sempre. Viva como se você fosse morrer amanhã.”

Pé na estrada, pé na vida, pé na alma. Viver não é para ser sofrência. Viver é a realização plena de seus desejos mais íntimos e os quais você mesmo acha impossíveis. Claro, desde que sejam seus e não magoem, não firam ninguém, nem a você mesmo. Não espere passar outro ano longo e repleto de oportunidades nos próximos 360 dias. Isto só vai te trazer arrependimento e dor.

E olha, temos todos uma grande responsabilidade este ano. Eleições municipais. Observe seu entorno, analise o que anda acontecendo. Tenha certeza de que uma ondinha, uma semente de romã, uma vela usada por dos pretensos candidatos está mirando seu voto. Não se deixe enganar por propagandas enganosas e conversa fiada outra vez. Olha no que deu com os últimos eleitos. Pense e analise sempre o ditado antigo, mas bom parâmetro: “Diga-me com quem andas (ou defende) que direi se te darei um voto”.

Taí, se por algum motivo verdadeiro você não conseguir realizar os pedidos que fez para o ano, saiba que você pode ajudar a mudar o curso da história de nossa cidade. Seu voto, seja ele cumprimento de promessa ou sufrágio, tem o poder de fazer o novo ano acabar muito melhor do que começou.

Lembrei-me de um velho homem que todo final de ano fazia uma lista de suas vontades, de suas viagens, dos museus que gostaria de visitar, das bibliotecas onde pretendia passar semanas, dos parques, das matas e florestas das quais queria sorver o frescor de puro orvalho. Sim, ele fazia a lista e realizava sempre seus desejos. Tanto viajou, tanto viu, tanto aprendeu que, para seu espanto, com as últimas mudanças de regras de peso das bagagens, foi barrado e quase impedido de viajar.

Motivo: tanta bagagem não caberia no avião e não pode embarcar sem pagar taxa extra. Excesso de sabedoria.
 
Deixo aqui meu abraço de feliz ano novo, de verdade. Não se amedrontem nem desistam de seus sonhos. Você é o único instrumento de suas mudanças. Aprendi a duras penas e aconselho a ir sempre em frente, pois 2020 te espera de braços abertos.

*O conteúdo desta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.








 
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