05/01/2020 às 14h00min - Atualizada em 05/01/2020 às 14h00min

Quem é otimista vive mais

ANGELA SENA PRIULI

Feliz Ano Novo! Hora de desejar só coisas boas para seus amados e esperar que tudo se concretize. Mas como as pessoas tem alimentado essa expectativa? Se é com otimismo ou com pessimismo faz toda diferença.

Você é otimista ou só sente essa onda positiva quando inicia um novo ano e depois que entra no "batidão" da rotina se deixa levar pela energia das marés baixas, se deixando contaminar com pensamentos negativos? Talvez devamos cultivar o predicado "otimista" para nossa coleção de características pessoais, assim viveremos mais e melhor, dizem os cientistas.

Vejamos: otimismo refere-se a uma expectativa geral de que coisas boas vão acontecer, ou acreditar que o futuro será favorável porque podemos controlar resultados importantes. Após décadas de pesquisa, um novo estudo vincula otimismo e vida prolongada. Os pesquisadores descobriram que indivíduos com mais otimismo têm maior probabilidade de viver mais e alcançar uma "longevidade excepcional", ou seja, viver até os 85 anos de idade ou mais.

Enquanto pesquisas anteriores identificaram muitos fatores de risco que aumentam a probabilidade de doenças e morte prematura, pouco se sabe sobre fatores psicossociais positivos que podem promover um envelhecimento saudável. Assim, pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de Boston, Centro Nacional do Boston Healthcare System e Escola de Saúde Pública de Harvard desenvolveram um estudo durante anos em 69.744 mulheres e 1.429 homens para avaliar também esse aspecto. Ambos os grupos concluíram medidas de pesquisa para avaliar seu nível de otimismo, bem como seus hábitos gerais de saúde, como dieta, tabagismo e uso de álcool. As mulheres foram acompanhadas por 10 anos, enquanto os homens foram acompanhados por 30 anos. Quando os indivíduos foram comparados com base em seus níveis iniciais de otimismo, os pesquisadores descobriram que os homens e mulheres mais otimistas demonstravam, em média, uma vida útil 11% a 15% maior e tinham chances de 50% a 70% maiores de atingir 85 anos em comparação com os grupos menos otimistas. Os resultados foram mantidos após contabilizar a idade, fatores demográficos, como escolaridade, doenças crônicas, depressão e também comportamentos de saúde, como uso de álcool, exercícios, dieta e consultas de atenção primária.

Não está claro como exatamente o otimismo ajuda as pessoas a alcançar uma vida mais longa, mas outras pesquisas sugerem que pessoas mais otimistas podem ser capazes de regular emoções e comportamento, além de se recuperar do estresse e dificuldades da vida com mais eficiência, de acordo com a autora sênior Dra Laura Kubzansky. Os pesquisadores também consideram que pessoas mais otimistas tendem a ter hábitos mais saudáveis, como maior probabilidade de praticarem mais exercícios físicos e menor probabilidade de fumar, o que poderia prolongar a vida útil.

Este estudo contribui para o conhecimento científico sobre os ativos de saúde que podem proteger contra o risco de mortalidade e promover o envelhecimento resiliente. Além disso, é muito importante acrescentar que esse sentimento otimista pode ser modificável usando técnicas ou terapias relativamente simples.

Mensagem do dia: está em nossas mãos e em nossas mentes as ações e pensamentos que fazem realmente com que nossas vidas sejam melhor e mais vividas.
 
Fonte:
Lewina O. Lee, Peter James, Emily S. Zevon, Eric S. Kim, Claudia Trudel-Fitzgerald, Avron Spiro III, Francine Grodstein, and Laura D. Kubzansky. Optimism is associated with exceptional longevity in 2 epidemiologic cohorts of men and women. PNAS, 2019.


*O conteúdo desta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.









 

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