21/12/2019 às 09h00min - Atualizada em 21/12/2019 às 09h00min

As ameaças causadas pelo formol nos alisamentos de cabelo

TÚLIO MENDHES
O formol é um velho conhecido de quem faz escova progressiva. Mas não deveria ser! Essa substância é proibida pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para alisar os cabelos por ser tóxica e provocar diversos danos à saúde, como câncer. Ainda assim, a Agência recebe várias  denúncias de marcas de cosméticos que infringem a norma. Uma pesquisa feita pela Anvisa relata que 35% dos fiscais de Vigilâncias Sanitárias constataram o uso irregular de formol em alisantes. Por isso, a população precisa estar atenta aos riscos do uso irregular dessa substância em salões de beleza.
 
Não é que a presença do formol seja vetada em todos os produtos para os fios capilares. A concentração permitida é de, no máximo, 0,2%. E, nessa quantidade, ele não funciona como alisante.
 
Mas então o que são os alisantes? São nada mais que produtos cosméticos que modificam a estrutura química capilar para relaxar, alisar ou ondular os cabelos com duração do efeito após o enxague. Todos os alisantes capilares, inclusive os importados, devem ser registrados. Alisantes sem registro estão irregulares e podem causar danos às córneas, ardência dos olhos e lacrimejamento, coceira, inchaço, descamação, vermelhidão e queimaduras graves do couro cabeludo, quebra dos fios e queda dos cabelos, falta de ar, tosse, dor de cabeça, ardência e coceira no nariz. Exposições constantes podem deixar a boca amarga e causar dor de barriga, enjoo, vômito, desmaio, feridas na boca, narina e olhos, e câncer nas vias aéreas superiores (nariz, faringe, laringe, traqueia e brônquios), podendo até levar à morte. O formol também é considerado pela Agência Internacional de Pesquisa em Câncer como um fator de risco para tumores e até para malformações nos fetos.
 
Por isso é preciso verificar se a embalagem do produto contém o número de Autorização de Funcionamento da Empresa (AFE) e o número do processo, que corresponderá ao número de registro do produto. Alisantes sem registro estão irregulares. Após constatar que o alisante é registrado na Anvisa, deve-se ler atentamente todas as instruções de utilização do produto e as advertências que constam na embalagem. Por exemplo, para o uso em grávidas e lactantes, consultar um médico; Não aplicar se o couro cabeludo estiver irritado ou lesionado; Aplicar o produto a meio centímetro da raiz; Incluir o teste de mecha; Não usar em crianças; Manter fora do alcance das crianças; Este preparado somente deve ser usado para o fim a que se destina, sendo PERIGOSO para qualquer outro uso.
 
Lembrando que a Agência registra somente os produtos que serão utilizados. Portanto, outras três importantes observações que devem ser informadas são:
 
1 - Adicionar formol aos produtos devidamente registrados é infração sanitária (adulteração ou falsificação) e crime hediondo, de acordo com o art. 273 do Código Penal.
2 - Procedimentos e métodos para alisamento capilar, como escovas inteligente, definitiva e de chocolate, NÃO SÃO regulamentados pela Anvisa. E por último
3 - Todos os produtos que tiverem derivados de ácido glioxílico em sua composição deverão apresentar também a frase: "Aplicações repetidas podem causar queda ou alterar a coloração dos cabelos".
 
Assim pra  não sair por aí comprando produtos que não são registrados, a Anvisa disponibiliza em sua página oficial um espaço destinado exclusivamente para saber se um alisante de cabelo é legalizado ou não. Pra isso a Agência informa que no ato da pesquisa é necessário ter em mãos ao menos o nome da empresa detentora do registro ou CNPJ, o nome do produto, o número do processo ou número de registro na “Autorização de Funcionamento da Empresa (AFE)”. Entretanto, todos os salões de beleza devem ser licenciados pela Vigilância Sanitária local. Mesmo que o alisamento seja feito corretamente, com o produto adequado, é sempre recomendável usar cremes, máscaras e silicones reparadores para a manutenção de alisamentos à base de queratina a cada 15 ou 20 dias.


*Esta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.









 
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