06/12/2019 às 12h45min - Atualizada em 06/12/2019 às 12h45min

A questão não é a roda...

CELSO MACHADO
Penso que toda pessoa nasce com determinadas características genéticas que vão influenciar muito seus comportamentos.

Em relação a aspectos físicos isto parece óbvio. Não que sejam essenciais, nem determinantes, mas quando privilegiados devem ajudar bastantes atletas, modelos e outros afins.

Mas a minha observação é sobre outros atributos como iniciativa, criatividade, disposição, vontade, habilidade, interesse e por aí afora.

Além dessa herança a forma como a pessoa é educada, como é tratada, o ambiente da sua infância são outros fatores importantíssimos que vão lhe impactar para o resto de sua vida.

O papel dos pais, da família, dos professores, dos amigos influencia igualmente porque muito do comportamento, do caráter da criança é moldado nesse período de vida. Nele, muito mais do que o que as pessoas falam, marca como as pessoas agem. E marca muito.

Todo mundo tem lembranças vivas de suas infâncias. Para o bem e para o mal.

O interessante é que nem sempre são momentos marcantes pelo impacto que provocaram, mas pela forma com que conduziram.

Não me esqueço, nem irei esquecer nunca, quando num período de dificuldades financeiras dos meus pais, Horácio, o único primo português que conheci, que por acaso veio morar aqui em Uberlândia chegou em nossa casa com uma bola de futebol de presente nas vésperas do Natal. Eu tinha por volta de 8 anos e esta imagem é bem viva, como é também a imagem daquele português que acabou morrendo num acidente rodoviário porque parou para ajudar um motorista cujo veículo sofrera uma pane.

Ainda que, com menor intensidade, também lembro de um amigo do meu pai, que chegou bêbado no campinho que jogamos nossas peladas de futebol na av. Rio Branco e despejou em mim, toda a amargura dos preconceitos que tinha.

Mas penso que toda essa questão genética e de formação, no entanto, não são definitivas. Toda pessoa pode construir sua jornada alterando suas rotas pela escolha do caminho que desejar.

Pra mim, o fundamental para alguém assumir o comando do seu destino é acreditar que toda pessoa é sempre capaz de modificar qualquer coisa. Capaz de ser e fazer, de aprimorar e ajustar, de corrigir e evoluir, de superar e conquistar.

E que para isso o fundamental é ter amor próprio. Gostar de si para poder ser melhor também para os outros. Se valorizar não pelas palavras, nem pela vaidade, mas por gestos e atitudes. Assumir e fazer suas próprias escolhas. Ser responsável por elas. Não ficar lamentando nem esperando a sorte. Nem que a roda da vida nunca parece estar a seu favor.

Porque a questão não é como é a roda, nem como a recebemos.

A questão é que toda roda vai continuar rodando conforme a condução e o rumo de quem a estiver rodando...


*Esta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.






 
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