12/11/2019 às 09h00min - Atualizada em 12/11/2019 às 09h00min

Eduardo Felice

ANTONIO PEREIRA

Dele diziam que estava acima das exigências de Uberabinha. Nasceu em Mongrassano, província de Cossenza, na Calábria, no dia 23 de novembro de 1894. Contavam que um dos seus tios foi raptado e assassinado pela Máfia que passou a ser uma ameaça para a família toda. Seus pais Natali Filice e Elvira Ricciopo despacharam o filho para o Brasil. Era 1912 e Eduardo tinha 18 anos quando chegou a Uberaba hospedando-se em casa de parentes. Ali aprendeu a profissão de alfaiate e logo se transferiu para Araguari onde abriu uma alfaiataria com um sr. Ferreira, de Franca.

Em 1915, mudaram para Uberabinha. O jornal “O Progresso” noticiava, em 1914, que Ferreira e Felice montariam em breve uma alfaiataria com o título de “A Moda Artística”, na esquina da rua Vigário Dantas com a rua Marechal Deodoro. Outros já contavam que Eduardo veio fugido da guerra. Não foram poucos os italianos que vieram por esse motivo.

Ferreira quis voltar para Franca e passou sua parte para o sócio. Sozinho, Eduardo desdobrou-se. Usava um curioso sistema de vendas. Saia pelos municípios vizinhos apresentando modelos e tecidos e tomando pedidos. Depois fazia as roupas e levava para os clientes. Juntou algum dinheiro, casou-se com Leontina Costa Felice e, por instância da esposa, adquiriu vários imóveis que deram sustentação econômica à família. Leontina vinha de famílias tradicionais: Costa Marques e Fonseca.

A Moda Artística foi transferida para a avenida Afonso Pena, hoje, seria ao lado da Galeria Povoa. Sem deixar a profissão, Eduardo adquiriu um Curtume, no qual não se deu bem, e passou-o para José Nonato Ribeiro. Permaneceu na profissão até seus filhos Natal (depois vereador e advogado da Prefeitura e do Dmae) e Fábio iniciarem nela.

Na época da Segunda Grande Guerra, ele, que era admirador do Mussolini e até mantinha uma foto do ditador em casa, teve medo de que tomassem alguma atitude contra ele ou contra o seu patrimônio. Reforçou esse receio o fato de que os italianos residentes na cidade tiveram que ir até a Delegacia onde assinaram um livro de compromisso com as autoridades. Eduardo escondeu a foto e passou todos os seus bens para o compadre Tomazinho Rezende (padrinho do Fábio). Terminada a guerra, Tomazinho devolveu-lhe tudo.

Voltou uma vez à Itália onde ficou um ano rememorando a infância e a juventude com os velhos parentes. Foi o primeiro Presidente da Sociedade Cultural e Recreativa Ítalo Brasileira que ficava no 1º andar do Edifício de Irmãos Garcia, à avenida Afonso Pena, esquina com a rua Tenente Virmondes. Foi “Agente Consolari d’Italia”, o que corresponde ao vice-consulado. Foi colaborador da coroa durante a Revolução Espanhola enviando dinheiro através de seu irmão Umile Felice, na Itália. Foi agraciado pela Maçonaria Italiana, através da Grande Loggia Nazionale, de Milão, com o título de “Cavalieri Del Sole”.

Após o falecimento de Leontina, em 1943, Eduardo casou-se com Guiomar Ribeiro Felice. Eduardo Felice faleceu em Uberlândia, no dia 2 de setembro de 1984.

*O conteúdo desta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.








 

Tags »
Relacionadas »
Comentários »