24/08/2019 às 08h15min - Atualizada em 24/08/2019 às 08h15min

Alcoolismo é uma doença crônica

TÚLIO MENDHES

PARTE 1
 
Cerca de 30% da humanidade tem problemas provocados pelo álcool, contudo, uma em cada dez pessoas, jovens e velhos, brancos e negros, ateus e religiosos, intelectuais e analfabetos, pobres e ricos, homens, mulheres, desenvolvem plenamente a doença, causando assim, comportamentos imprevisíveis como desajustes emocionais, privações e o sofrimento de todos os que convivem com o alcoólatra.

Embora visto por muitos como um vício, O ALCOOLISMO É UMA DOENÇA CRÔNICA, no entanto deveria ser tratado como tal. Lembrando que o alcoolismo não tem relação com o tipo e quantidade da substância ingerida pelo usuário, mas sim à capacidade em controlar o consumo da droga. É importante ressaltar que o alcoolismo é apenas um dos males causados pelo álcool, por exemplo, a cirrose, gastrite, hepatite alcoólica, pancreatite, esteatose, neurite, a impotência sexual, perda de memória, desnutrição, deficiência de vitaminas, etc. É um triste diagnóstico com aspectos comportamentais e socioeconômicos, caracterizado pelo consumo compulsivo de álcool, onde o usuário se torna progressivamente tolerante à intoxicação produzida pela droga e desenvolve sintomas físicos e psíquicos em situação de abstinência. Por exemplo, tremores nos lábios e extremidades nos membros superiores e inferiores (mãos e pés), sudorese, náuseas, vômitos, irritabilidade, ansiedade e até a evolução para estados de confusão mental, desorientação, alucinações e convulsões.

Portanto, o álcool é SIM uma droga tanto quanto a heroína, a cocaína, o crack, entre outras. Afinal vicia, altera o estado psíquico do usuário. O alcoólatra tem grande dificuldade em parar de beber e como não consegue abster-se, enfrenta uma deterioração na saúde, na família, no trabalho e no círculo de amizades. O fato de ser muito relacionado à socialização – os primeiros efeitos do álcool são a euforia e a desinibição – comumente o hábito tem início ainda na adolescência, período em que começa a serem frequentes as “reuniõezinhas” com alta oferta de bebidas alcoólicas e outras drogas. Outros fatores exigem importância quando o assunto diz respeito à associação do usuário com o álcool, por exemplo, a ansiedade, angústia, depressão, a insegurança e inclusive a predisposição genética. Além do mais ignorado por todo o mundo: o fácil acesso ao álcool e as condições culturais.

O Brasil detém o primeiro lugar mundialmente no consumo de destilados de cachaça e é o quinto maior produtor de cerveja do mundo, da qual, apenas uma das empresas produz aproximadamente 35 milhões de garrafas por dia. As cervejarias ao redor do mundo faturam em torno de R$ 20 bilhões por ano e gastam em publicidade mais de R$ 700 milhões. Enquanto esse exorbitante faturamento alegra os empresários do setor, milhões de pessoas morrem e sofrem no mundo em decorrência de acidentes de trânsito, arruaças, comportamentos antissociais, violência doméstica, ruptura de relacionamentos, problemas no trabalho como as alterações na percepção, reação e reflexos aumentando a chance de acidentes de trabalho.

A mídia descaradamente e imoralmente, mas autorizadas legalmente, propaga anúncios de variadas bebidas alcoólicas como uísques, vodkas, cervejas, a famosa e brasileiríssima cachaça, entre outras. E o pior é que nós assistimos a tudo isso passivamente como se estivesse tudo normal. Sobre isso, um dos questionamentos que devemos fazer é: Qual a quantidade de horas propagadas alerta sobre os perigos do consumo de álcool, sobre a fatídica combinação Álcool X Direção etc? Honestamente caro leitor, afirmo que se não pífias, são insipientes, diante do citado milionário bombardeio midiático por parte da indústria do álcool.

Bom, para os próximos sábados trarei informações e questionamentos como: O usuário consegue identificar que está dependente do álcool? Quais os tipos de alcoólatras? Existem tratamentos para o alcoolismo? Alcoolismo tem cura? Como ajudar um dependente do álcool? Entre outras dúvidas associadas ao tema. Até lá!

*O conteúdo desta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.

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