04/08/2019 às 14h00min - Atualizada em 04/08/2019 às 14h00min

Genética nem sempre é destino, depende de como uso meus genes

ANGELA SENA PRIULI

Entenda que esse título vem para pôr em dúvida aquela famosa frase: "ah, mas é minha genética, vem de família, não posso fazer nada!". O Dr. Luiz Carlos de Oliveira Jr, que está atuando em uma nova especialidade da medicina, diz que se os fatores de risco comportamentais, ou seja, os hábitos, são o que realmente importa para a saúde, por que então não atacamos o problema na raiz? E é isso que a Medicina de Estilo de Vida propõe e hoje é um ótimo dia para falarmos nisso, já que amanhã é Dia Nacional da Saúde.

A Medicina do Estilo de Vida (MEV) é definida pelo Colégio Americano de Medicina do Estilo de Vida (ACLM) como uma prática de cuidado em saúde "baseada em evidências científicas que utiliza mudanças de estilo de vida para prevenir e tratar doenças crônicas, oferecendo aos indivíduos conhecimentos e habilidades para que sejam capazes de fazer mudanças comportamentais dirigidas às causas dessas doenças".

A MEV não é nada alternativa ou experimental, é solidamente alicerçada nas evidências científicas de décadas que indicam que doenças crônicas têm como principais fatores de risco os hábitos das pessoas. O que comemos, se fazemos ou não atividade física, a qualidade do nosso sono e de nossas relações, como lidamos com o estresse, tudo isso influencia na nossa saúde. Essas são as causas primárias das doenças crônicas como diabetes tipo 2, hipertensão e câncer, por exemplo. Antes que você pergunte, sabemos que os genes importam sim, mas os hábitos de vida são determinantes para a forma como os genes são expressos, o que chamamos hoje de fatores epigenéticos.

Seguindo a definição, a MEV oferece aos médicos um corpo sólido de conhecimento sobre o impacto dos hábitos de vida e também os "arma" com ferramentas comportamentais para ajudá-los a acompanhar e promover as mudanças que seus pacientes precisam. Por isso, essa nova especialidade médica também se apoia em áreas não tradicionalmente ensinadas nas faculdades de medicina, como: psicologia, coach, medicina comportamental.

Mais do que isso, a MEV chama para uma mudança radical na relação de cuidado. Coloca os pacientes em uma outra postura, mais ativa e participativa no tratamento. Eles têm que se importar mais com sua saúde, se responsabilizar pelo maior bem que eles têm: sua própria vida. O médico sai da postura de especialista e passa a ajudar o paciente e acompanhá-lo na sua mudança.

A medicina e a ciência avançam de mãos dadas, e a MEV resgata a medicina como ela nasceu: uma medicina de cuidado e não só uma medicina farmacológica, científica, mecanicista. Ela não é uma "nova medicina", ela é a raiz antiga de onde tudo começou.
Afinal, não era isso que os "médicos" faziam na antiguidade?


*O conteúdo desta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.
 

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