06/07/2019 às 08h30min - Atualizada em 06/07/2019 às 08h30min

Os riscos de se ter infarto no inverno

TÚLIO MENDHES

Qualquer pessoa, em qualquer tempo, está sujeita a um infarto do miocárdio, popularmente conhecido como ataque do coração. No entanto, o risco de infarto no inverno é maior. Isso mesmo. Segundo o Instituto Nacional de Cardiologia (INC), estudos realizados mostram que, durante o inverno, o número de infartos cresce, em média, 30%. A hipótese é que a cada dez graus de queda na temperatura ocorre um aumento de 7% no índice de infartos, especialmente quando os termômetros atingem marcas inferiores a 14ºC.

Assim, é preciso redobrar a atenção. Mas por que esse risco aumenta no inverno? Bom, as temperaturas baixas causam a vasoconstrição, que é nada mais que uma contração dos vasos sanguíneos. Esses vasos se contraem justamente para não perderem calor, mais ou menos como nós fazemos nos dias mais frios, nos contraímos, ficamos mais encolhidos. Com a contração dos vasos sanguíneos, a passagem do sangue fica comprometida, forçando o coração a trabalhar mais para bombear o sangue, ressaltando que ao contraírem-se os vasos, acabam-se liberando placas gordurosas, bloqueando o fluxo do sangue para o coração e para o cérebro.
 
Quem está mais propenso a sofrer um infarto?
Hipertensos, pessoas sedentárias ou com casos de infarto na família, diabéticos, fumantes, pessoas com obesidade. Outro grupo que tem ganhado destaque na medicina é a constatação que, em muitos casos, estados depressivos antecediam os infartos, sugerindo que, se a pessoa baixar a guarda, a probabilidade de um futuro infarto aumenta. Por isso, a depressão passou a ser vista como fator de risco tão importante quanto o colesterol, a pressão alta ou o cigarro. Lembrando que mesmo quem não pertence a esses grupos de risco deve evitar a exposição prolongada ao frio intenso e o choque térmico causado pelas quedas bruscas de temperatura.
 
Quais os sintomas do infarto? No inverno ou não, os sintomas do infarto invariavelmente são: dor no peito, que pode irradiar pelo braço, falta de ar, tontura, náuseas, sudorese abundante.
 
Como amenizar as chances de infarto durante o período de inverno? Algumas medidas podem – e devem – sem tomadas, como manter-se aquecido (por mais que não se sinta frio), principalmente as pessoas idosas e com mobilidades reduzidas. Use roupas adequadas, luvas, cachecóis, meias e toda vestimenta específica para manter o calor corporal. Cheque continuamente a pressão e o nível de glicose no sangue. É importante deixar bem claro que são “fake news” aquelas conversas de WhatsApp de que quem é magro, faz exercícios e mantém uma dieta pobre em gorduras não precisa avaliar a dosagem do colesterol no sangue – precisa, sim. No inverno, tendemos a comer mais. Mas é preciso cuidado com alimentos gordurosos e de difícil digestão, sobretudo à noite. Escolher comidas saudáveis e leves, como grelhados e saladas, é uma boa pedida. Mantenha o corpo hidratado, pois também ajuda na melhor circulação sanguínea. Evite a ingestão de álcool, mesmo o vinho, que em pequenas doses, pode trazer algum benefício para o colesterol e o coração, deve ser bebido com parcimônia.

Se não for extremamente necessário, evite sair na rua nos dias e horários de maior frio, assim como evite tomar chuva. Esteja sempre alerta quanto à prática de exercícios físicos. O ideal é evitar a prática de exercícios ao ar livre se a temperatura estiver abaixo de 14ºC.  Contudo, é importante manter sim a prática de exercícios – com bom senso – por exemplo, em vez de ir correr no parque, faça alguns exercícios em casa ou na academia do condomínio. Lembre-se que para o coração, nada supera os benefícios da atividade física regular.
 
Por outro lado, no inverno ou não, evite a automedicação e ao primeiro sinal de infarto procure imediatamente assistência médica. Quanto mais depressa iniciar o tratamento, menores os danos provocados pelo infarto e melhor será o processo de recuperação. Por hoje é isso. Até o próximo sábado.

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