02/06/2019 às 08h00min - Atualizada em 02/06/2019 às 08h00min

Os primatas e os vírus

ANGELA SENA PRIULI
(Pixabay)
Nessa última semana, tivemos um susto na cidade de Uberlândia, pois ocorreu a morte de um bando de macacos em um local próximo da população. A sugestão é de que todos se previnam, caso ainda não sejam vacinados, contra a febre amarela. Em tempos de mortes por dengue, estamos em polvorosa e com razão!

Mas qual a ligação dos macaquinhos com a febre amarela e com a gente?

O vírus da febre amarela é um vírus RNA que pertence ao gênero Flavivírus. A doença que ele causa não é passada de pessoa para pessoa e nem de macaco para pessoa, ele é transmitido para as pessoas principalmente através da picada de mosquitos das espécies Aedes (aquele da dengue, que temos que exterminar de nossas vidas e quintais) ou Haemagogus e Sabethes (mosquitos que picam os macacos) infectados. Os mosquitos adquirem o vírus alimentando-se do sangue de primatas infectados (humanos ou não humanos - lembrando: nós também somos primatas) e depois transmitem o vírus a outros primatas (humanos ou não humanos). As pessoas infectadas com febre amarela são infecciosas aos mosquitos (referidos como "virêmicos") pouco antes do início da febre e até 5 dias após o início dela.

No Brasil, o vírus da febre amarela tem dois ciclos de transmissão: silvestre e urbano. No ciclo silvestre da febre amarela, os primatas não humanos (macacos) são os principais hospedeiros e amplificadores do vírus e os vetores são mosquitos com hábitos estritamente silvestres, sendo os gêneros Haemagogus e Sabethes os mais importantes na América Latina. Nesse ciclo, o homem participa como um hospedeiro acidental ao adentrar áreas de mata. Já no ciclo urbano, ocorre a transmissão do vírus entre humanos e mosquitos urbanos, principalmente o Aedes aegypti. O vírus da febre amarela é geralmente levado para o ambiente urbano por um humano virêmico infectado na selva.

No entanto, de acordo com o Ministério da Saúde, o ciclo da doença atualmente é silvestre, com transmissão por meio de vetor (mosquitos dos gêneros Haemagogus e Sabethes no ambiente silvestre). O último caso de febre amarela urbana foi registrado no Brasil em 1942 e todos os casos confirmados desde então decorrem do ciclo silvestre de transmissão. Por isso, a emergência de se avaliar os casos de mortes dos macacos em um bosque e implantar as medidas preventivas cabíveis em Uberlândia.

Para que todos fiquem atentos, aí vão os sintomas da febre amarela:
- Início súbito de febre
- Calafrios
- Dor de cabeça intensa
- Dores nas costas
- Dores no corpo em geral
- Náuseas e vômitos
- Fadiga e fraqueza

A maioria das pessoas melhora após estes sintomas iniciais. No entanto, cerca de 15% apresentam um breve período, de horas a um dia, sem sintomas e, então, desenvolvem uma forma mais grave da doença. Então, é importante dizer que cerca de 20% a 50% das pessoas que desenvolvem febre amarela grave podem morrer. Assim que surgirem os primeiros sinais e sintomas, é fundamental buscar ajuda médica imediata.
Como se proteger?

Uma vacina segura e eficaz contra febre amarela está disponível há mais de 80 anos. Essa vacina é a principal ferramenta de prevenção e controle da febre amarela. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferta vacina contra febre amarela para a população. Desde abril de 2017, o Brasil adota o esquema vacinal de apenas uma dose durante toda a vida, medida que está de acordo com as recomendações da Organização Mundial de Saúde e com uma pesquisa realizada na Universidade de Copenhagen, na Dinamarca.

Toda pessoa que reside em Áreas com Recomendação da Vacina contra febre amarela e pessoas que vão viajar para essas áreas deve se imunizar. E esse é o nosso caso! A vacina, que é administrada via subcutânea, está disponível durante todo o ano nas unidades de saúde e deve ser administrada pelo menos 10 dias antes do deslocamento para áreas de risco, principalmente, para os indivíduos que são vacinados pela primeira vez.
Como somos humanos, primatas pensantes, bora agir rapidamente e prevenir toda a nossa família, colocando nossa imunidade em dia?
 
Fontes:
https://www.cdc.gov/yellowfever/index.html
Michael Kongsgaard et al . Adaptive immune responses to booster vaccination against yellow fever virus are much reduced compared to those after primary vaccination. Scientific Reports 7: 662 (2017)
http://portalms.saude.gov.br/saude-de-a-z/febre-amarela-sintomas-transmissao-e-prevencao


*O conteúdo desta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.
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