17/03/2019 às 08h00min - Atualizada em 17/03/2019 às 08h00min

Trabalhar é bom e faz bem MESMO...

ANGELA SENA PRIULI
Hoje foi um dia especial para mim. Vi meu negócio, um empreendimento de 3 anos, crescer e florescer mais uma pétala devido ao trabalho, dedicação e fé com que o cultivei. Mas não só por isso. Foi especial porque vi que criei um negócio do zero, "mesmo" sendo formada em biologia e não administração.

Foi especial porque estou conquistando mais espaço no mercado, "mesmo" sendo esposa de um homem que também se dedica muito ao trabalho. Foi especial porque "dei à luz" a uma empresa onde coordeno diferentes colaboradores, "mesmo" sendo mãe de primeira viagem.

"Mesmo"?

Há um tempo - ou ainda hoje na realidade de muitas mulheres, todos esses "mesmo sendo" que propositalmente inseri nas afirmações acima, infelizmente são crenças que a impediram de sair de casa e se descobrirem. De acordo com estimativas da Organização Internacional do Trabalho (OIT), em 2016, 49,5% das mulheres em idade de trabalho em todo o mundo estavam na força de trabalho, em comparação com 76% dos homens. Mas, para aquelas que conseguiram se livrar das garras limitantes da sociedade, a ciência traz boas notícias. As guerreiras que atuam no mercado de trabalho pago, desconsiderando subempregos que ainda são perpetuados em muitos locais do mundo, não só tem melhorado seus status social e financeiro, mas também ganham benefícios para a saúde física e mental.

A maioria dos trabalhos científicos a reportar esses benefícios são dos últimos 30 anos e confesso que foi no mínimo interessante encontrar títulos como: "impacto do emprego das esposas na saúde mental de seus esposos", mas mesmo assim vou listar alguns deles aqui e trazer alguns dados com uma visão mais recente do impacto do emprego na saúde das mulheres.

Confira e depois continue no seu descanso merecido de domingo: Várias pesquisas do final do século XX mostram que uma mulher ter um "emprego fora de casa" é uma importante fonte de apoio social e auto-estima, as ajuda a evitar o isolamento social em casa e até mesmo que aquelas que se dedicam ao trabalho remunerado melhoram a qualidade de suas dietas;

Ao refletir sobre os benefícios do trabalho para a mulher, um grupo de pesquisadores investigou, em 2010, se essa "máxima" se aplicava a mulheres menos privilegiadas em termos socioeconômicos. Boa questão para levantar! Os resultados deste estudo sugeriram que sim,  ter um emprego melhora a saúde mental de muitas mães solteiras e pobres. No entanto, as circunstâncias mais prováveis de melhorar sua saúde mental foram os empregos estáveis de longo prazo.

Um estudo publicado em 2012 na Austrália, com quase 50 mil mulheres participantes entre 45-50 anos, mostrou que ter um emprego estava significativamente associado a um menor índice de massa corpórea (IMC - configurando menos mulheres obesas), hábito do tabagismo, diabetes, pressão alta e, principalmente, ao menor número de diagnósticos de transtornos psiquiátricos, como depressão e ansiedade. Claro que fica a questão: elas estão bem porque trabalham ou trabalham mais tempo (haja visto a idade mais madura dessas mulheres) porque elas têm mais saúde?
 
Trabalhar é bom e eu gosto!

Mas... na era do empoderamento feminino, a ciência nos traz uma luz esclarecedora sobre esse "fazer bem". Após avaliarem 11 revisões sobre o assunto trabalho x saúde, um grupo de pesquisadores da Noruega, concluiu que as evidências disponíveis até então apoiam, sim, a ideia de que o trabalho pode ser benéfico para o bem-estar das pessoas, especialmente se uma supervisão de boa qualidade estiver presente e se houver condições de trabalho favoráveis.

O que favorece o empoderamento e a saúde feminina no trabalho?

Espaço, respeito, confiança, fim de preconceitos, flexibilidade, apoio... essas são observações pessoais não-científicas e os motivos pelos quais eu disse, no início desse desabafo compartilhado e feliz, sobre hoje ser um dia especial para mim "mesmo" (rsrs) sendo mulher, trabalhadora e empreendedora.

Fontes:
Gender equality, Work and Health: a review of evidences. Organização Mundial da Saúde. https://www.who.int/gender/documents/Genderworkhealth.pdf
Zabkiewicz D. The mental health benefits of work: do they apply to poor single mothers? Soc Psychiatry Psychiatr Epidemiol. 2010;45(1):77-87.
Sabrina W. Pit & Julie Byles. The Association of Health and Employment in Mature Women: A Longitudinal Study. Journal of Women's Health. Vol. 21, No. 3, 2012.
Modini et al. The mental health benefits of employment: Results of a systematic meta-review. Volume: 24 issue: 4, page(s): 331-336, 2016.
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