30/01/2019 às 08h17min - Atualizada em 30/01/2019 às 08h17min

A Morte

JOÃO LEITE | BACHAREL EM DIREITO UFU E EMPRESÁRIO
Ela sempre chega sorrateiramente. Às vezes até manda um aviso com seu jeito sórdido, desajeitado e triste, colocando a todos em pavorosa desarmonia e desconsolo. Inconformados e desolados, os que ficam guardam angustiados os traços desta companheira que, através dos séculos, vem dando mostras de incompreensão, uma vez que o ser humano vive e esquece que seu compromisso no final tem que ser consumado, não se sabendo como.

O desconhecimento é uma graça muito grande dada ao ser vivente, porque seria um grande desespero se uma criatura soubesse como seria seu final, que na maioria das vezes, em se tratando de morte, deixa de ser aceitável em qualquer circunstância. Mesmo sabendo do desenlaço carnal, de que de nada valem as aglomerações de bens, e sim o valor das ações acumuladas, o homem procura não dar atenção ou se preocupar com tudo isso, dando fé somente à beira do fato ou já em seu último instante de o que os recursos já não encontram ego, deixaram sua vida vazia, inoperante e que nada valeu, não ajudou, não viveu!

O apego aos bens materiais é de uma terrível e insaciável sede, que não tem tamanho de preço para se conter, pois a avareza é um dos maiores males humanos, sempre querendo mais. Notadamente no dia a dia, vemos fortunas de grande porte e que ainda não estão à altura de seus detentores, que lutam desesperadamente para seu aumento, muitas vezes esquecendo até de seus mínimos lazeres.

Aos pobres de coração que não veem a dor, a fome desesperada dos menos providos pela sorte, lembrem-se que ela existe para que aqui, no ato final, sejamos um só, concernidos a pó, dando testemunho de ser o resgate final. Quero confessar aqui minha vontade de mudá-lo, de torná-lo mais humano, de dar uma paradinha e lembrar de sua grande missão para com o próximo, aquele que oferece uma oportunidade todos os dias para se tornar mais desprendido e manso.

Assim, ela, a morte, embora incubada dentro dos princípios de nobreza de cada um, que não leva nada, torna-se, ao fim de tudo, aceitável, para o que vai e também para os que ficam.
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