15/10/2018 às 09h18min - Atualizada em 15/10/2018 às 09h18min

Ciência Pop

ANGELA SENA PRIULI
A série especial para o mês de outubro do CiênciaPop revelará como a ciência feita na Universidade Federal de Uberlândia (UFU) tem contribuído com os avanços focados na saúde delas, AS MULHERES, e no câncer de mama. É a produção científica feita na nossa cidade, por gente que vive aqui e desenvolve avanços pela vida que se espelham por todo o planeta.

NOVOS TEMPOS
E quando a modernidade chega com tudo e a Biotecnologia tem como alvo o câncer de mama, as mulheres podem ter mais esperanças? Sim! É o que diz a Profa. Dra. Thaíse Araújo, bióloga e geneticista, da UFU (Patos de Minas). Confira o trabalho do grupo de pesquisa o GBio: O Outubro Rosa chegou, um período dedicado à conscientização sobre a importância do diagnóstico precoce do Câncer de Mama, um tumor que acomete um número crescente de mulheres no país. Diante de um cenário tão alarmante, muitos se perguntam: qual o grande desafio em se estudar essa doença?

Tumores mamários são complexos e heterogêneos. Não apresentam o mesmo padrão genético e não possuem o mesmo comportamento. Os mecanismos destes tumores ainda permanecem desconhecidos, o que dificulta o desenvolvimento de terapias-alvo que melhorem a sobrevida das pacientes. O Laboratório de Genética e Biotecnologia (GBio) se dedica a solucionar esses problemas, auxiliando na compreensão da biologia tumoral e desenvolvendo possíveis estratégias terapêuticas.

Mas como? A análise do perfil molecular das neoplasias malignas da mama apresenta implicações importantes no desenvolvimento de terapias individualizadas e mais precisas, o que culmina na adoção de condutas clínicas mais adequadas e minimiza o emprego de tratamentos ineficazes e tóxicos, com efeito direto na qualidade de vida das pacientes. Utilizando ferramentas de Biotecnologia, o GBio vem selecionando e testando novas moléculas que se ligam a proteínas específicas do tumor, desvendando novas vias envolvidas com o desenvolvimento da doença. Assim, as pesquisas contribuem para melhor entender como os genes se orquestram e se desorganizam no Câncer de Mama.

GENES
O GBio identificou genes-chave com estreita relação com a progressão de tumores mamários, sejam como supressores ou como promotores do crescimento de células malignas. Hoje, busca entender os mecanismos ativados e inativados e como esses genes se comportam à medida que a doença se agrava.

PROTEÍNAS
Inicialmente definidas como estruturais, descobrimos funções regulatórias ainda não descritas para algumas proteínas, sugerindo novos alvos de interferência terapêutica (Figura 1). Então, buscamos entender como as diferentes proteínas se comportam, relacionando sempre com a gravidade da doença.

NOVAS MOLÉCULAS PARA DIAGNÓSTICO
Além disso, já foram selecionadas moléculas ligantes específicas a células tumorais mamárias que poderão auxiliar no diagnóstico e caracterização das pacientes (Figura 1). Com a definição de grupos específicos de mulheres com um padrão genético peculiar, novas terapias-alvo emergem para melhor tratar as pacientes. Assim, trabalhamos com resultados pioneiros na elucidação de mecanismos moleculares associados a tumores de mama.

NOVAS MOLÉCULAS PARA TRATAMENTO
O GBio, em parceria com outras universidades, tem se dedicado na descoberta de novas substâncias para o tratamento do Câncer de Mama. Ensaios preliminares demonstraram produtos vegetais promissores (Figura 2), que necessitam ser caracterizados e testados em modelos animais, para então alcançarem as pacientes. Alguns compostos foram capazes de inibir a proliferação de células malignas e alterar a expressão de receptores hormonais. A inovação em medicamentos inclui minuciosas sínteses e modificações, em que os produtos são quimicamente adaptados e alterados com base em suas propriedades estruturais e biológicas. O GBio encontra-se engajado nessa causa, testando sistematicamente diferentes fármacos que estão em fase de testes, de produtos isolados, já vislumbrando o desenvolvimento de novos medicamentos. Estes poderão ser incorporados à clínica, para melhor eficiência dos métodos até então utilizados.

Portanto, quando pensamos no Câncer de Mama necessitamos desenvolver novas estratégias, tanto para sua identificação quanto para informar ao médico quais as peculiaridades existentes, para que assim seja definida a melhor terapia. Além disso, entender essa doença também se torna particularmente interessante. A revolução tecnológica ocorreu concomitante à expansão do conhecimento da biologia e patologia celular em níveis moleculares acompanhados pelo progresso nas áreas genômica e proteômica, abrindo novas fronteiras na prática clínica. O GBio, portanto, acompanha o progresso científico e preza pela interdisciplinaridade na compreensão de uma doença tão complexa e desafiadora.
_______________________________________
 
Com tanto esforço e conhecimento em áreas inovadores, podemos sonhar com um futuro melhor para nós mulheres e todos a nossa volta, não é? Aposto que você está valorizando ainda mais os pesquisadores de nossa universidade! Eu estou!

Fontes:
Araújo, TG et al. Transcripts of cytokeratins as predictors of breast cancer. Gene Reports, 13, p. 14-18 2018.
INCA. Controle do Câncer de Mama - Documento consenso. Rio de Janeiro, 2018.
Deisi, LB et al. Ethanolic Extracts from Azadirachta indica Leaves Modulate Transcriptional Levels of Hormone Receptor Variant in Breast Cancer Cell Lines. International Journal of Molecular Sciences, v. 19, p. 1-15 2018.
Prat, A. et al. Clinical implications of the intrinsic molecular subtypes of breast cancer. Breast, v. 24 Suppl 2, p. S26-35, Nov 2015.
Vargas, L et al. Transcriptional Levels of PRUNE-1 are Correlated to Prognostic Parameters in Epithelial Tumors. Clinics in Oncology, v. 2, p. 1-3 2017.
Relacionadas »
Comentários »