06/08/2018 às 09h43min - Atualizada em 06/08/2018 às 09h43min

Colesterol: uma questão de bom senso

O senso comum dita que o colesterol faz mal e é perigoso para o coração e ponto

ANGELA SENA PRIULI | COLUNISTA
Aproveito o Dia do Combate ao Colesterol (8/8) para te contar um pouco mais sobre essa "gordurinha circulante" para entendermos como ela realmente impacta nosso corpo.
O colesterol é uma substância que é encontrada em todas as células do corpo e é feito pelo corpo (fígado) ou absorvido pela comida que a gente ingere. Nosso corpo precisa de colesterol para produzir hormônios importantes, como estrogênio, progesterona e vitamina D. Além disso, é usado para produzir ácidos biliares no fígado, os quais auxiliam na absorção da gordura durante a digestão.
Então, colesterol é necessário sim! O problema é que o excesso dele na corrente sanguínea pode levá-lo a se depositar nas artérias do corpo e resultar em placas ateroscleróticas, levando ao endurecimento das artérias e obstrução do sangue. Peraí, precisamos dele, mas ele é ruim? Mais ou menos.

Vejamos
Nosso nível de colesterol total circulante na corrente sanguínea inclui dois componentes principais:
Colesterol LDL: “lipoproteína de baixa densidade”, conhecido como o colesterol “ruim”, que contribui diretamente para o acúmulo de placa nas artérias.
Colesterol HDL: “lipoproteína de alta densidade”. Esse tem sido chamado de colesterol “bom” porque os especialistas acreditam que pode ajudar o corpo a se livrar do colesterol LDL.

Então, vamos entender melhor o problema. Pedaços desse material circulam pela sua circulação e eis o que acontece: as partes ruins - as partículas de LDL - gostam de aderir ao revestimento de suas artérias, como espuma de sabão em canos. Enquanto ficam lá, geram uma resposta inflamatória e nosso corpo começa a convertê-la em placa. A placa nos vasos sanguíneos torna-os mais rígidos e estreitos, restringindo o fluxo sanguíneo para órgãos vitais, como o cérebro e o músculo cardíaco, levando à pressão alta. Além disso, pedaços da placa podem se romper e causar um ataque cardíaco ou um derrame.

E adivinha? Esse acúmulo pode começar a partir dos 20 anos. Então, como obter mais HDL? será nossa salvação?
Para que saibamos além do senso comum, aqui vão novas evidências científicas sobre essas “gordurinhas”.

HDL não é tão bom assim
Só para contrariar... De acordo com vários estudos recentes, o bom colesterol sozinho tem pouca capacidade de diminuir os riscos de doenças cardíacas, e maior quantidade no sangue não é necessariamente melhor. Sabe-se que a prática regular de exercícios físicos e a boa alimentação aumentam o HDL e protegem o coração, mas quando algumas drogas capazes de aumentar o HDL foram testadas em mais de 600 mil pessoas não foi visto o efeito protetor do bom colesterol. Trocando em miúdos, não temos mais evidências dos benefícios do HDL para o coração, mas uma coisa é certa, níveis muito baixos é sinal de alerta e o melhor a se fazer é manter um estilo de vida saudável: não fume, não beba, não seja sedentário e coma bem.

LDL: tamanho é documento
Dentre a turminha das "gordurinhas" más, o LDL ainda pode ser dividido em partículas pequenas e grandes. Por um lado, foi descoberto que o aumento de grandes partículas de LDL no sangue podem até ser responsável pelos efeitos benéficos que dietas com gordura saturada ou que a ingestão de álcool podem trazer ao coração. Mas o perigo mesmo está nas pequeninas grandes vilãs de LDL, que possuem maior capacidade de serem oxidadas e se “juntarem” nas paredes das artérias (especialmente daqueles com diabetes tipo 2). O mais importante é saber que a fonte dessas pequenas partículas é o açúcar (doces e massas) e não as comidas gordurosas. Então, amantes de carboidratos de plantão, cuidem-se!

E como eu disse no título: bom senso! Por quê? O colesterol alterado é apenas um indicador e uma consequência de um estilo de vida não saudável. Assim como eu disse na semana passada, os reais vilões são seus hábitos.

Fontes:
Dennis T. Ko et al. High-Density Lipoprotein Cholesterol and Cause-Specific Mortality in Individuals Without Previous Cardiovascular Conditions. Journal of the American College of Cardiology Nov 2016, 68 (19) 2073-2083.
Toth PP. Insulin resistance, small LDL particles, and risk for atherosclerotic disease. Curr Vasc Pharmacol. 2014;12(4):653-7.
www.berkeleywellness.com/healthy-eating/diet-weight-loss/article/cholesterol-size-matters
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