11/05/2018 às 14h10min - Atualizada em 11/05/2018 às 14h10min

Sexta República

JOSÉ AMARAL NETO | COORDENADOR DO MOVIMENTO MAPIO
 
É preciso articular a convocação para uma refundação da República brasileira. Considerando o fim da primeira república no mandato de Washington Luiz, que tinha como vice-presidente o mineiro Melo Viana, um não branco, nascido em Sabará; da segunda com o suicídio de Getúlio Vargas; da terceira com a saída de João Goulart; da quarta, tomada à força, tendo seu último governo nas mãos de João Figueiredo; da quinta, o período de redemocratização, é hora, em 2018, de ser dar voz à Sexta República. 

Nos últimos anos, o Brasil vem convivendo com a ausência de líderes que consigam falar sobre o país. O não surgimento de um debate nacional que seja conduzido por pessoas de pensamentos longitudinais e detentoras de ideias republicanas tem fragilizado as instituições, dando espaço para o surgimento de espertalhões, que fazem política apenas a base de trocas.

Escrever sobre algo ainda não midiático como o termo Sexta República pode parecer estranho a quem quer tudo igual como dantes. Muito se tem olhado pelo retrovisor, já que a frente não se sabe nada além do futuro qualquer que seja, porque ele já é. Uma liderança agrupa valores de coletividade e atraí naturalmente pessoas a sua volta. Não se pode impor liderados, estes só existem se houver quem convoque à luta.

As articulações políticas hoje em voga são para impedir uma contenda democrática, eliminando não concorrentes, mas ideias. Um paralelo é a Itália, que viveu o período “Mãos Limpas”, a Lava Jato deles, já refundou sua república (severamente corrupta) em muitos movimentos que clamavam mudanças. Agora em 2018, imobilizada, tenta formar um gabinete “técnico”, porque seus políticos não querem avançar a uma coalizão. Perderam-se nas ideias intangíveis de uma Europa saqueadora.

A Sexta República brasileira é necessária para se entender a importância da Lava Jato muito além de seus resultados. Ainda surgirão muitos promotores e juízes abnegados do dever de fazer cumprir a lei. Os excessos jurídicos de hoje serão corrigidos, e um país diferente já começa a surgir. Nos anos 1980, o saudoso empresário Antônio Ermírio de Morais se viu em um movimento de mudança igual ao de agora. Emprestou seu nome para a nau do novo, do não político. Foi aplacado por saber o que queria para o seu estado e para o Brasil. Nunca mais foi encantado a fazê-lo novamente. E com ele outros se calaram.

E desde então os mesmos vem fazendo do Brasil o caos que agora parece ter chegado ao limite. É inadmissível que um político se vanglorie e considere sucesso estarem há 10, 20, 30, 40 anos no cargo. Política não pode e não deve ser uma profissão. E são esses experientes que colocaram o país nesse lodaçal sem fim. Quem faz a roda girar são vereadores, deputados e senadores. O legislativo é a voz do povo. O pilar mais largo e vistoso do que se quer como nação. O Brasil desde então, não tem isto, o sentimento de nação.
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