07/05/2018 às 13h16min - Atualizada em 07/05/2018 às 13h16min

Viajar é vida!

ANGELA SENA PRIULI | COLUNISTA
 
Se essa premissa é verdadeira, então viajar também é se sentir seguro, ter acesso à educação, estar saudável e comer muito bem.

Essa conversinha é para falar sobre uma ideia que tenho trocado com alguns amigos e familiares: viver por um tempo em algum país que proporcione tudo isso que remeta a maior qualidade de vida.

Uma boa ideia seria viver na Itália, local de muitos de nossos nonos.

Esse é o sonho de muitos brasileiros, mas como nem todos temos essa oportunidade, poderíamos ao menos trazer um dos hábitos dessa vida charmosa: a dieta mediterrânea. Mamma mia!

No país da bota, a Itália, é muito comum que as pessoas se alimentem com o famoso cardápio  comum também a outros países da região do Mediterrâneo. Ela é caracterizada pela riqueza do consumo de frutas, verduras e legumes, cereais, grão-de-bico, lentilha, castanhas, azeitonas, peixes, leite e derivados, vinho, azeite de oliva e uma enorme variedade de ervas de cheiro, que dão cor e sabor especiais a esta culinária. Além disso, também é comum o baixo consumo de carnes vermelhas, gorduras de origem animal, produtos industrializados e doces, alimentos ricos em gordura e açúcar.

Agora, vá ao mercado - se imaginando em uma feira bem italiana - e vamos aos benefícios comprovados para você rechear sua sacola dessas “delizie”:

1. Colesterol do Bem

Um estudo com quase 300 participantes mostrou que a dieta mediterrânea, particularmente quando enriquecida com azeite de oliva virgem, parece melhorar a função do HDL, o chamado colesterol bom, em pacientes com alto risco de doença cardíaca. Isso provavelmente por que o HDL é anti-inflamatório e então o azeite de oliva virgem pode ajudar o corpo a remover o excesso de colesterol das artérias, servir como um antioxidante e manter a integridade dos vasos sanguíneos. Busque receitas já!

2. Coração em Forma

Após analisar os hábitos alimentares e os parâmetros bioquímicos de 15 mil italianos considerados saudáveis, pesquisadores observaram que o consumo da dieta mediterrânea estava diretamente relacionado a níveis mais baixos de plaquetas e glóbulos brancos, que, por sua vez, se correlacionavam com níveis mais baixos de inflamação - lembrando que o desenvolvimento de uma resposta inflamatória no organismo está diretamente associada a doenças como o infarto do miocárdio. Sendo assim, este tipo de alimentação parece ser uma forma de se prevenir contra esses grandes males de hoje!

3. Intestino feliz

Aqui está outra razão para aderir à dieta do tipo mediterrâneo: ela é boa para o seu intestino. Cientistas americanos fizeram um experimento em primatas durante o período de 30 meses e ao final descobriram que o consumo dessa dieta aumentou as boas bactérias que vivem no intestino em até 7%, em comparação com apenas 0,5% de uma dieta ocidental, mais centrada na carne e gorduras animais. Lembrete: nós, humanos, temos cerca de 2 bilhões de bactérias boas e ruins que vivem em nosso intestino. Se houver um desequilíbrio entre elas, nossa saúde pode sofrer!

4. Cérebro turbinado

Um estudo que avaliou mais de 150 artigos (meta-análise), mostrou que, ao aderir à dieta mediterrânea, as pessoas diminuíram as taxas de declínio cognitivo, reduziram a conversão para a doença de Alzheimer e melhoraram a função cognitiva, sugerindo seu papel importante em fatores como atenção, linguagem e especialmente a memória. E sabe o que foi ainda mais interessante nesse trabalho?

Foi visto que independente de onde as pessoas viviam no mundo, o fato delas aderirem à dieta mediterrânea lhes trouxe todos esses benefícios para a saúde!

Viu só? Quem tem boca, traz Roma até aqui! Mangia che te fa bene! Ou seja: Coma que te faz bem.

Fontes:
Hernáez et al. Mediterranean Diet Improves High-Density Lipoprotein Function in High-Cardiovascular-Risk Individuals - Clinical Perspective. Circulation, 2017; 135 (7): 633.
Bonaccio et al. Adherence to the Mediterranean diet is associated with lower platelet and leukocyte counts: results from the Moli-sani study. Blood, 2014; 123(19):3037-44.
Nagpal et al. Gut Microbiome Composition in Non-human Primates Consuming a Western or Mediterranean Diet. Frontiers in Nutrition, 2018.
Hardman et al. Adherence to a Mediterranean-Style Diet and Effects on Cognition in Adults: A Qualitative Evaluation and Systematic Review of Longitudinal and Prospective Trials. Frontiers in Nutrition, 2016; 22 (3):22.
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