03/05/2018 às 10h01min - Atualizada em 03/05/2018 às 10h01min

Minas Gerais abandonada

'Não existe um projeto para Minas Gerais. E é urgente pensar e agir sobre isto'

JOSÉ AMARAL NETO | JORNALISTA
 
Educação relegada a um plano que não é bem um plano, onde a ausência de diálogo vem sendo a arma costumeira. Os professores, presos em discursos de legisladores que não os representam. Saúde sonhada sobre o unicórnio Samu. Servidores públicos desamparados, que, em efeito cascata, comprometem a gestão de seus serviços.

A segurança estremece e prende em casa quem nada deve e teme por sua dignidade frente à ação de bandidos, que se apoiam na despreocupada deficiência no comando do Estado. Para irritar o bom mineiro ainda mais, grassa a estupidez do sistema, que encarcera alguém que quer matar a fome, mas não prende aquele que soca a cara do comum. E quem deveria servir, se serve no churrasco dos criminosos financiadores de benesses políticas escusas.

Legisladores que desconhecem seu papel, agindo apenas no palanque do palácio, se esquecendo de seus territórios eleitorais, que somente visitam de 4 em 4 anos ou quando um cargo novo merece ser conquistado. Deputados que fazem de seus compromissos constitucionais a base de seu vínculo empregatício porque nada além sabem fazer. Gritam experiência em campanha para manter seus cargos e o status quo que assola e vilipendia o Estado.

Não existe um projeto para Minas Gerais. E é urgente pensar e agir sobre isto. É preciso, junto com a instalação da 6ª República, que poderá vir a traçar um novo pacto federativo nacional, repensar as divisões geopolíticas de Minas Gerais. As macrorregiões foram constituídas para derrubar a configuração das cidades polos, fragilizando a outrora autonomia de ações políticas que fortaleciam as cidades irmãs de uma região. Um exemplo é o Triângulo Mineiro, desconstruído para abrigar o Pontal, Planalto de Araxá, Vale do Rio Grande, entre outras microrregiões sem liderança política que valha seu nome no mapa, sempre invisível.

Não é uma questão simplista de ser ou não municipalista, mas de entender que tudo começa nos municípios. É preciso pensar a cidade de maneira que a vejam como autônoma em decisões bases em educação, saúde e segurança. O Estado já não pode arguir sobre esses temas sozinho. Não tem competência para isso já se vão anos.

É necessário começar a falar sobre o ICMS ser depositado imediatamente quando recolhido na conta das prefeituras. É preciso interromper o descompromisso do Governo Estadual com as necessidades dos munícipes. Não é inteligente que os impostos sigam a Belo Horizonte ou a outra capital brasileira, para depois voltar às cidades que os produziram. Uma vez recolhidos, que as partes sejam contempladas imediatamente. Isso é simples matemática que um legislador mediano e com boa articulação deveria entender importante e assim conseguir defender e apresentar como projeto urgente à vida das pessoas.

Acordar as montanhas adormecidas de Minas Gerais é preciso. É para já construir uma Nova Minas Gerais e refundar a República brasileira! Vamos conversando.
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