19/02/2018 às 05h08min - Atualizada em 19/02/2018 às 05h08min

Como a indústria 4.0 afetará o Direito?

ROBSON XAVIER* | LEITOR DO DIÁRIO


Se você ainda não teve contato com esta expressão em algum vídeo, palestra, conversas ou nas mídias digitais, provavelmente você esteve desconectado da internet, jornal, TV ou revista nos últimos meses.

O termo Indústria 4.0 retrata o momento impar que estamos vivendo nas nossas vidas.  A indústria 1.0 estava baseada no impacto que a máquina a vapor causou na humanidade, a indústria 2.0 foi baseada na revolução industrial com a utilização do aço, energia elétrica e combustíveis derivados do petróleo, e a indústria 3.0 teve como alavanca a eletrônica e os sistemas informatizados.

E o onde está baseada a indústria 4.0? Na internet das coisas, nas impressões 3D, nos processos de manufatura descentralizados, no uso da nuvem, na computação quântica, na inteligência artificial, etc. Todas estas mudanças impactam nossas vidas todos os dias  mesmo você querendo ou não. Algumas profissões antes baseadas em conhecimentos acumulados nos anos e anos de trabalho podem sofrer impactos radicais e ceifar profissionais. 

Vejam alguns dos impactos na advocacia causados principalmente pelo uso da inteligência artificial e do aumento exponencial da capacidade de processamento dos computadores e da nuvem. Um novo assistente de inteligência artificial de um grande fabricante de tecnologia já pode atender e responder 70% da comunicação dos clientes de um escritório por meio de telefone, e-mail, chat e redes sociais. Este sistema pode fazer o primeiro atendimento com o cliente, marcar reuniões, dar informações processuais e responder questões diversas, de acordo com a especialidade do escritório.  Minerar sentenças, pareceres e teses em milhares de documentos e ainda apresentar perspectivas de resultados práticos, são possíveis em segundos com alta precisão.

Você que está envolvido no mundo jurídico preste atenção a estas denominações:  LawTechs e LegalTechs, pois são  empresas de tecnologia focadas no mercado jurídico e vão impactar no seu negócio, na sua carreira e no seu futuro. Elas já têm até um associação criada, Associação Brasileira de LawTechs e LegalTechs (https://www.ab2l.org.br/).

Algumas faculdades e universidades estão alterando as grades de ensino para inserir tecnologia, programação e análise de dados para os futuros advogados para que possam interagir com os softwares, hardwares e diversos dispositivos que esta nova indústria está trazendo.

Você tem um escritório tradicional e não tem ideia de como lidar com todas estas mudanças? Calma, não é um bicho de sete cabeças - talvez de cinco, mas existe uma saída. Comece a participar de eventos de inovação, volte a frequentar a universidade e converse com os novos alunos, divida com eles a sua experiência e aproveite a energia e impetuosidade dos jovens que já nasceram com toda esta tecnologia à disposição.  Sugira problemas que você tem no seu escritório e abra a cabeça para ideias inovadoras e disruptivas que virão, pois eles têm a possibilidade de sugerir a mudança que, para os mais antigos e tradicionais profissionais, é mais complexo para lidar.  

Comece a utilizar no seu escritório soluções baseadas em tecnologia que já estão consagradas como e-mail, backup e antivírus na nuvem, use ferramentas de escaneamento e assinaturas digitais, use novas funções de compartilhamento de documentos que guardam versões automáticas das alterações, use ferramentas que organizam e separam documentos sigilosos dos públicos, não compre mais servidores físicos e abra os olhos para os novos apps voltados para o segmento jurídico. Com pouco investimento e um pouco de esforço seu escritório já terá outro clima.

E lembre-se, se está difícil para você, para os outros advogados também está, e quem sair na frente terá mais sucesso. A indústria 4.0 está aí e não tem volta.

(*) Empresário, presidente do Sindicato das Empresas de TI e conselheiro do I9 Uberlândia

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