05/12/2017 às 17h36min - Atualizada em 05/12/2017 às 17h36min

Planejar significa antecipar o futuro que queremos

ANTONIO CARLOS DE OLIVEIRA | COLUNISTA

Engraçado como hoje a política não é "pensada". Parece não haver propósito, objetivo, causa, estratégia, planejamento, nem meta, a não ser a de fazer dinheiro ou ganhá-lo às custas do povo.

Mas como alcançar um dos maiores e mais difíceis objetivos do mundo, sem se preparar dos pés à cabeça para isso? Governar, atendendo à necessidade de todos, fazendo com que este País saia do buraco em que se encontra, é quase impossível, se não forem pensados todos os detalhes.

E é aí que mora o grande erro. Não há estratégia. Não há planejamento. Não há inteligência sendo usada a favor de muitos, mas sim uma esperteza utilizada em prol de poucos.

A estratégia, tão necessária, é um termo que vem do grego arcaico "strategia" e significa “a arte do general”. Tal qual o general em uma guerra, é fundamental conhecer profundamente do terreno, as potencialidades e defeitos do exército adversário e as próprias. A qualidade das informações que serão analisadas é determinante para a definição de um planejamento adequado.

Mas muitas pessoas vêem planejamento político como uma questão de fazer planos, delegar responsabilidades, definir leis e determinar o orçamento. No Brasil, especialmente em nível federal, o planejamento ainda é visto como uma coisa quase que estritamente tecnicista, dominada apenas por economistas e burocratas.

Mas a verdade é o oposto. O planejamento estratégico tem que ser o primogênito dos projetos. Deve acontecer antes mesmo que uma candidatura política seja lançada.

E quando o assunto é candidatura e eleições, a necessidade desse planejamento se faz ainda maior. Afinal, como é possível que uma população eleja um representante por quatro longos anos, sem entender e confiar também as suas riquezas à equipe que irá apoiá-lo nesses meses desafiadores?

Aliás, eleger um presidente, por exemplo, sem levar em consideração a sua equipe, foi um erro que cometemos recentemente e agora não há como repará-lo, nem se quisermos.

É fato que um time de futebol não ganha se apenas seu artilheiro entrar em campo. E também é normal que, em plena Copa do Mundo, nós torcedores, estejamos interessadíssimos na escalação completa da seleção. Palpitamos em quem deve ser convocado. Discutimos quem é o melhor para aquela vaga.

O que difere essa situação, entre o maior campeonato de futebol do universo e as eleições, senão a seriedade e o futuro de uma nação em cheque?

Precisamos encarar a realidade. Quando vamos votar, as chapas e partidos, ao não planejarem suas equipes, estão nos fazendo usar vendas escuras nos olhos, no momento de registrar nossas escolhas na urna eletrônica.

Ao eleger o mais alto cargo do Brasil, precisamos estar cientes do nome que será responsável pela justiça no país. Precisamos ter a certeza de que o escolhido para orquestrar a saúde seja alguém completamente competente para ocupar este cargo. Deveríamos exigir saber quem será o maestro da economia brasileira. E assim por diante. Como diria o ditado: uma andorinha não faz verão, assim como um presidente não faz mágica. Ao contrário do que nos conta o horário político brasileiro, em época de campanha. Nesse novo contexto, se delineia a necessidade não só da reforma da administração pública, mas a reforma na maneira como elegemos aqueles que nos representam em Brasília.

Planejar e conhecer é evitar a ida da vaca para o brejo. Pensando estrategicamente, devemos nortear nossas escolhas para aqueles candidatos que antecipadamente apresentem a melhor proposta, que seja implantada para evitar a repetição de episódios ocorridos com o Brasil em épocas recentes, em que o discurso populista veio como um canto de sereia, iludindo a todos, mas na verdade, não se implementou.

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