20/11/2017 às 13h46min - Atualizada em 20/11/2017 às 13h46min

Dicas para se desconectar um pouco

ALEXANDRE HENRY ALVES* | COLUNISTA

Estamos todos (ou quase todos) mergulhados em telas o tempo inteiro, especialmente as telas dos telefones inteligentes. No meu caso, há momentos em que estou com o computador de mesa ligado, o notebook também, o celular e o tablet. Exagero dos exageros, se assim posso dizer. Mas, é preciso desconectar um pouco. Falo para você e, claro, para mim mesmo.

Li sobre o tema e reuni algumas ideias que pretendo implantar na minha vida. Vejamos.

Em primeiro lugar, não use o celular durante os primeiros trinta minutos depois de acordar. Certa vez, li que fumantes que pegavam no cigarro somente depois de meia-hora do despertar tinham muito mais chances de parar com o vício. Faz sentido. Assim, abriu os olhos, procure outra coisa além do celular. Não há nada tão importante ali que não possa esperar você fazer a sua higiene pessoal e tomar seu café da manhã em paz. Se houver, alguém vai te ligar (ligação telefônica ainda existe e serve para isso também) ou vai tocar a campainha da sua casa.

Deixe o celular no modo “não perturbe” durante a noite. No meu caso, tenho telefone fixo. Se for mesmo muito urgente, vão me ligar no fixo. Além disso, as pessoas que realmente são próximas estão na minha lista de favoritos e, por isso mesmo, meu celular sai do modo “não perturbe” se elas ligarem duas vezes seguidas. Outra atitude para a noite: acordou para ir ao banheiro ou tomar água, não acesse seu celular para ver se há mensagens. Eu fazia isso e sempre perdia o sono. Há alguns meses, porém, não toco mais no celular se me levanto à noite. Uma maravilha para dormir bem!

Diminua o ritmo de postagens nas redes sociais. Isso é essencial. A cada vez que você posta, seu cérebro vai esperar ansiosamente pelos comentários e curtidas, criando um estado de ansiedade desnecessário e levando você a pegar no celular muito mais vezes, para ver se alguém interagiu com você. Aliás, nessa mesma linha, desative as notificações automáticas de redes sociais. Aquilo ali só serve para endoidecer o cidadão. Já pensou ser notificado na tela do celular, com apito e tudo, a cada vez que alguém curte uma postagem sua no Instagram ou no Facebook? Sem chance.

Silencie seus grupos do WhatsApp, a não ser aqueles extremamente importantes e com pouquíssimos participantes. Os grupos de aplicativos de mensagens são, atualmente, causadores de uma perda de 1% no PIB brasileiro, segundo meus cálculos cabalísticos. A pessoa está trabalhando e não para de acessar os grupos. Está na aula, idem. Está almoçando, a mesma coisa. Enfim, tenha dó de você mesmo. A maioria das mensagens é bobagem, pode acreditar em mim. Eu resisti durante muito tempo a participar de grupos, até que não foi mais possível. Hoje, estou em 11 grupos, segundo os meus cálculos. Somente dois deles não foram silenciados. Além disso, e aqui vai outra coisa importante, saia dos grupos que não agregam nada, nem mesmo algumas risadas. Às vezes, algum desavisado do qual não sou próximo me inclui em um grupo de WhatsApp sem me comunicar antes. Algumas lojas também já fizeram isso. Saio de todos esses grupos.

Falando ainda de aplicativos de trocas de mensagens, use-os em dois casos: quando quiser guardar uma prova escrita de uma conversa (isso pode ser importante) ou quando for um diálogo muito curto. Se a conversa vai se alongar, o melhor que você faz é pegar o telefone e ligar, pois aí você só toca no seu telefone uma vez, ao invés de ficar abrindo seu celular a cada 30 segundos para responder a novas mensagens.

E-mail: não há nada tão importante nele que necessite de sua consulta em um intervalo menor do que duas horas. Se realmente for algo urgente, mesmo de trabalho, vão ligar para você. Por isso, marque determinadas horas no dia para consultar sua caixa de mensagens e só consulte nessas horas marcadas. Vai fazer bem.

Por fim, faça algo que fiz no último feriado e que foi algo maravilhoso: saia de casa sem o seu telefone, ao menos de vez em quando. Se você estiver com alguém que tenha telefone, como era o meu caso (minha esposa estava com o dela), então fica mais fácil ainda, pois as pessoas podem achar você naquele número se realmente for algo urgente. Deixar o telefone em casa é uma benção para se desligar um pouco, para reparar mais naquilo que não está dentro de uma tela e, principalmente, para perceber, quando você finalmente voltar para casa e ler as mensagens que chegaram durante a sua ausência, que você não perdeu praticamente nada por não usar o telefone durante algumas horas seguidas.

(*) Juiz Federal e Escritor - www.dedodeprosa.com

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