14/11/2017 às 18h48min - Atualizada em 14/11/2017 às 18h48min

Enxergar o futuro para inovar na educação

ANTONIO CARLOS DE OLIVEIRA | COLUNISTA

Imagine um cachorro de rua. Sem lar, sem dono, sem comida, banho, vacinas ou nenhum cuidado. Pois bem, é mais fácil esse animal sobreviver no atual sistema em que vivemos, do que um homem sem acesso à educação. Diante dessa afirmação, é imprescindível que façamos uma reflexão sobre a importância desse pilar diante do histórico do nosso país.

Infelizmente no Brasil nossa chave está virada para o lado do atraso. Sempre que nos vemos diante da necessidade de medidas mais rígidas na economia, por exemplo, é na educação que o governo não perde a oportunidade em reduzir os gastos públicos. Seria o correto? Lhe parece a decisão mais assertiva?

Essa dinâmica é completamente sabotadora, afinal, é a educação que tangibiliza e alavanca as principais bases de desenvolvimento de uma sociedade, e é através de sua atuação que os indicadores sociais podem ser modificados. Só assim é possível ter um vislumbre de que o Brasil pode sair do lugar de um país emergente e superar o subdesenvolvimento diante do resto do mundo.

Mas perante essa realidade, não é por acaso que o nosso país está entre os piores no ranking mundial de educação. E uma das explicações é simples: a má qualidade da educação de base jogou o Brasil para baixo. Segundo a nova edição do "Relatório Sobre o Capital Humano", estudo do Fórum Econômico Mundial sobre o êxito dos países, o Brasil ficou em 83º lugar entre 130 países. Donos da oitava maior economia do mundo, pontuamos menos que outros países da América Latina e de menor desenvolvimento relativo, como Uruguai (60º), Costa Rica (62º), Bolívia (77º) e Paraguai (82º).

Um dos fatores que puxou o desempenho do Brasil para baixo foi o preparo dos jovens de 0 a 14 anos. Pesaram nesse sentido a chamada "taxa de sobrevivência em educação básica", a capacidade de o aluno sair bem preparado do ciclo primário de ensino, e a qualidade da educação primária.

É fato que somos retrógrados quando o assunto é educação. No nosso sistema atual, buscamos desenvolver qualidades cognitivas, e deixamos de lado as não-cognitivas, que se relacionam com a capacidade das pessoas de colaborar, autodirigir-se e resolver problemas, por exemplo. Isso dificulta, e muito, a nossa capacidade de inovação. Já outros países focam exatamente nessas competências, e não por acaso são os pole position quando o assunto é um futuro promissor.

Quantas vezes você já parou para se perguntar isso? Por que devemos inovar na educação?

É fato que a própria sociedade exige cada vez mais respostas inovadoras a todo instante. Contudo, cabe à educação um papel fundamental, tanto na inovação dos comportamentos quanto nas atitudes das pessoas.

Pensando estrategicamente, a conta é: quanto mais se investe em educação, maior a nossa capacidade econômica. Quanto maior a nossa riqueza enquanto país, maior o nosso investimento naquilo que mais importa: a educação. É um ciclo incrível e maravilhosamente vicioso. Em contrapartida, quanto mais elevado é o nível da educação, melhor o engajamento político da sociedade e, por conseguinte, menor a corrupção. Seria um sonho imaginar essa cena?

A resposta é obvia, mas a solução é difícil de ser colocada em prática. Somente com o engajamento da sociedade conseguiremos virar esse jogo. Mas para isso, é preciso muito mais do que boa vontade. É preciso preparo. É preciso – por mais redundante que pareça – educação política.

Nossa realidade é outra, aquilo que tem sido considerado inovação não tem sido avaliado e, via de regra, consiste apenas em pequenas mudanças num modelo educacional obsoleto para os padrões das demandas atuais e futuras.

O mundo digital invadiu o ambiente das escolas, mas mantêm práticas de ensino obsoletas, onde o improviso e o imediatismo das “novas” práticas fazem prosperar o insucesso.

É sabido por todos que o Brasil só progredirá através da educação. Onde estariam essas principais barreiras para inovar? Nas escolas, nos governantes, nos professores, pais ou alunos?

O essencial é que as instituições se atualizem e saibam como se adaptar às novas necessidades. Apenas por esse caminho conquistaremos um país mais justo e menos corrupto.

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