08/08/2020 às 09h00min - Atualizada em 08/08/2020 às 09h00min

Libanesa conta momentos vividos durante tragédia em Beirute

Diário também conversou com moradores de Uberlândia que têm parentes na capital do Líbano

DHIEGO BORGES COM INFORMAÇÕES DA FOLHAPRESS
Libanesa registrou imagens do resultado da explosão em Beirute | Foto: Júlia Ibrahim

Momentos de pânico tomaram conta de Beirute, capital do Líbano, na última terça-feira (4), quando uma explosão no porto local causou uma grande destruição, deixando até agora cinco mil feridos e pelo menos 155 mortos. Nesta quinta (6), o Diário conversou com uma libanesa que reside em Beirute e com dois moradores de Uberlândia que têm parentes na cidade atingida pela catástrofe.

Em relato enviado à reportagem, a libanesa Júlia Ibrahim, que cresceu no Brasil, mas mora em Beirute há 13 anos, disse que estava em casa por volta das 18h20, (12h20, horário de Brasília), preparando uma cerimônia de noivado para filha com alguns convidados, momento em que sentiu a explosão.

Júlia conta que o apartamento onde mora, no 10º andar, fica a 10 minutos de onde aconteceu a explosão. Felizmente, ninguém que estava na casa ficou ferido. “Foi muito triste e a primeira coisa que passou pela minha cabeça foi pegar meus filhos e entrar para o corredor para proteger eles dos vidros quebrados na minha sala. Foi muito perto, eu não sabia se era uma bomba porque o prédio balançava. Foi muito triste e assustador para mim e para minha família. Dou graças a Deus que eu estava em casa e não muito perto do lugar”.

A libanesa, que é empresária e guia turístico em Beirute, enviou ao Diário imagens registradas após a tragédia e conta que o clima na cidade é de muita tristeza. “Estive lá [local], está muito triste a situação, Beirute está banhada de vidros no chão, muita gente perdeu suas casas, estão procurando abrigo”, revela.

Em Uberlândia, os parentes de Júlia ficaram apavorados ao saberem da tragédia por meio de mensagens que chegavam por um aplicativo de mensagens. A nutricionista e empresária Leila Nasser, prima de Julia, contou à reportagem os momentos de desespero em busca de notícias dos familiares. Além de Julia, também residem em Beirute uma tia e outros 14 primos de Leila.

“Fiquei sabendo pelo WhatsApp por meio de pessoas que tiveram notícias do Líbano e já falei com a minha mãe. Ela entrou em desespero e tentou conversar com a minha tia, mas não conseguia. Também tentamos contato com as minhas primas, mas sem sucesso. Uma hora depois, conseguimos falar com a minha tia. Ela estava chorando e contou que estava no supermercado e tinha caído tudo lá”, disse.

Leila conta que naquele dia, um pouco mais tarde, conseguiu falar com Julia pelo telefone para ter mais notícias da família. “Ela disse que achou que era um terremoto ou uma bomba, e que o prédio iria dividir ao meio. Os vidros da casa ficaram despedaçados e os móveis ficaram todos virados. A Júlia contou que chorava muito e que aqueles cinco minutos pareceram cinco horas”.

A nutricionista também compartilhou com a reportagem a situação vivida pela tia, que estava em um supermercado em Beirute no momento do acidente. Segundo Leila, a tia não ficou ferida, mas disse que viu prateleiras caindo em cima de crianças e muita gente ferida. “Ela ajudou muita gente que estava caída, crianças machucadas e começaram a tirar as pessoas dali. Fisicamente ela está bem, mas emocionalmente é uma ferida muito grande”.

“Um susto muito grande, um filme de terror”. Foi assim que o chef de cozinha Sergio Ali Srour definiu o sentimento ao receber a notícia da explosão em Beirute. O libanês, que reside em Uberlândia há 10 anos, contou ao Diário os momentos de angústia vividos antes de conseguir contato com a mãe e outras três irmãs, que moram na região atingida pela tragédia.

Segundo o libanês, a mãe estava na casa de uma das irmãs, que reside a aproximadamente oito quilômetros do local da explosão. “Imediatamente no momento em que fiquei sabendo, comecei a ligar para elas. Um tempo depois, consegui falar com a minha irmã e então me tranquilizaram, dizendo que estavam bem. Elas contaram que o chão começou a tremer, ouviram um barulho, dava pra ver a fumaça e o fogo, mas graças a Deus elas escaparam”, conta.

Sergio também contou ao Diário que a irmã que reside em Beirute estava em um supermercado, cerca de quatro quilômetros do porto, quando escutou um estrondo que atingiu o local, quebrando os vidros do estabelecimento. A parente, segundo ele, não ficou ferida, mas o susto foi muito grande.

O chef de cozinha também revelou que tem falado todos os dias com os familiares, que preferiram sair da cidade e buscar abrigo no sul de Beirute, na zona rural, onde a mãe tem uma casa. “Estão buscando um pouco de paz”, disse.

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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MORTOS
Nesta quinta (6), segundo informações da FolhaPress, o saldo de mortes causadas pela grande explosão ocorrida em Beirute chegou a 155 pessoas e mais de 5 mil feridos, segundo a mais recente contagem divulgada pelo Ministério da Saúde do Líbano. Ainda há buscas por desaparecidos e a estimativa é de mais de 300 mil desabrigados.

A explosão destruiu mais da metade da capital libanesa, de acordo com o governador de Beirute, Marwan Abboud, que classificou a situação como "apocalíptica" e a comparou às explosões nucleares em Hiroshima, 75 anos atrás.

O governo atribuiu a tragédia ao armazenamento incorreto de 2.750 toneladas de nitrato de amônio, substância geralmente usada em fertilizantes e que tem alto poder explosivo. A principal hipótese investigada é que essa carga estaria armazenada em um galpão junto ao porto havia mais de seis anos. O material teria chegado ao Líbano em setembro de 2013, segundo dados oficiais obtidos pela Al Jazeera.


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