05/08/2020 às 08h00min - Atualizada em 05/08/2020 às 08h00min

Depois de 13 anos, Ira! lança álbum de inéditas

Ira está disponível em todas as plataformas digitais

SÍLVIO AZEVEDO
O grupo é composto por Nasi, Edgard Scandurra, Johnny Boy e Evaristo Pádua | Foto: Karina Zaratin

A banda de rock paulista Ira! Apresentou no início de junho seu novo álbum, Ira, com 10 músicas inéditas depois de 13 anos. Além das canções, outra novidade é a formação do quarteto, que além do vocalista Nasi e o guitarrista Edgard Scandurra, conta com Johnny Boy no baixo e Evaristo Pádua na bateria.

Considerado por muitos críticos como um dos melhores álbuns da banda, que devolveu a essência do início da carreira, Ira traz um ritmo puro do rock ‘n roll, com a voz agressiva de Nasi e as letras compostas por Scandurra. O álbum contou também com a participação de Virginie Boutaud, da banda Metrô, e Bárbara Eugênia.

O guitarrista e compositor Scandurra, inclusive, assume os vocais em duas faixas do novo trabalho: “Chuto Pedras e Assobio” e “Mulheres à Frente da Tropa”. Ambas foram inspiradas em manifestações lideradas por mulheres e exaltam a força e o protagonismo feminino nas questões políticas e sociais do nosso tempo.

O Diário de Uberlândia conversou com Nasi e Scandurra sobre o lançamento do novo álbum e alguns aspectos que o fizeram ser tão bem recebido pela crítica especializada, além da divulgação do trabalho em plena pandemia.
 
Diário: Qual a sensação de lançar um álbum de inéditas depois de 13 anos de idas e vindas da banda?
Nasi: A sensação é boa, principalmente porque as críticas foram excelentes. Foi um dos discos mais elogiados do Ira!, com certeza. Tínhamos a sensação de que a gente realmente tinha feito um dos melhores discos da nossa carreira. Então é uma percepção de que valeu o tempo, lançamos no momento certo, até porque desses 13 anos, sete ficamos parados, e soubemos esperar o momento para ter boas músicas e gravarmos em um momento que a banda estava muito afiada.
 
O que esperar desse novo álbum, já que muitos fazem uma comparação com os primeiros álbuns da banda?
É um disco que, ao vivo, funciona muito bem. Tem muitas músicas dançantes que têm a ver com os primeiros discos do Ira!, e que são a base do nosso show. Grande parte dos sucessos estão nos três primeiros discos, então elas encaixam muito bem no show da turnê que virá.
 
O título do álbum, Ira, é uma referência às raízes da banda?
Sim. Tem a ver com os tempos que vivemos, de muito conflito, confronto, de indignação que acontece no Brasil e no mundo, e para marcar um disco que é no melhor estilo do Ira!, e um novo Ira! também, porque tem uma formação nova, com músicos novos ao meu lado e do Edgar [Scandurra].
 
Como estão lidando com a pandemia, lançando um álbum novo, mas sem poder fazer uma turnê de divulgação?
É difícil porque não só pelo fato de não podermos estar mostrando ao vivo as músicas e o disco novo, mas por não poder fazer show, condicionar nossa vida, nossa carreira. Por outro lado, quando tudo se normalizar e essa turnê for pra estrada, o público já terá tido a oportunidade, através das plataformas digitais, de conhecer muito bem o disco, ir aos shows, conhecendo e cantando as músicas.
 
É mais difícil ser rockeiro hoje no Brasil, com tão pouco espaço nos veículos de massa, dominados por outros estilos musicais, como o sertanejo?
Eu sou de um tempo que ser rockeiro já era difícil. Rock virou moda nos anos 80, mas antes não era e hoje, novamente, não é. Mas isso é bom pro rock, porque rockeiro e modinha não combinam. Por outro lado minha agenda de shows é tão cheia como sempre foi, porque existe um público muito grande no Brasil inteiro querendo um show de rock, querendo um show do Ira!. Então, se hoje se tem menos artistas de sucesso do rock nos meios de comunicação de massa, por outro lado, essa demanda por shows de rock está tão grande como sempre foi. Tem um público, fazemos parte de um segmento muito forte no mercado e na alma do povo.
 
Scandurra também conversou com o Diário e falou sobre as composições do novo álbum. “ Eu posso considerar que todas as músicas foram feitas para o disco Ira. São seis músicas feitas para esse trabalho, uma sétima música, que é “A nossa amizade”, é uma letra antiga, mas a música é novíssima e, assim que juntou essa letra que eu tinha há muito tempo guardada num papel. Eu me recordei dela, fui passando a limpo e acabou virando uma música inédita. Ainda tem mais três músicas, uma que fiz com a Bárbara Eugênia, que seria para o trabalho dela, e as duas músicas com a Silvia Tape, que poderiam ser usadas para nosso projeto o “EST”, ou para meu trabalho solo, porque de 2007 a 2014 cuidei muito da minha carreira solo. Então compus algumas músicas. Mas considero todas com perfil desse novo álbum. Das 10, seis foram feitas diretamente para esse projeto. Quando eu comecei a compor a partir do reencontro da banda, de 2014 pra cá”.
 
A faixa Mulheres à Frente da Tropa "vem bem a calhar" em momentos de grandes manifestações por direitos civis e contra o racismo e fascismo?
É uma música que foi feita com essa visibilidade toda que a mulher vem adquirindo nos últimos anos. Acho que desde a eleição de uma mulher na presidência, apesar de todas as crises e todos os golpes que aconteceram nessa época, desde então as reinvindicações, a coragem da mulher, não de agora. Essa luta pelos direitos humanos, da mulher, venho acompanhando muito de perto e acompanhando o ativismo todo. As manifestações, me envolvi muito com alguns ativismos, através do meu filho Daniel, que estava muito presente nesses movimentos, e conheci mulheres fantásticas, como a Preta Ferreira, a Carmen Silva, do MSTC e a Marielle. Quando aconteceu o assassinato da Marielle vim a conhecer o trabalho incrível dela como vereadora e líder da comunidade onde ela morava. Então isso vem de muito tempo. Acho que todos os projetos com que eu trabalhei, desde as Mercenárias, lá em 1982, com as parcerias que têm desse disco, que dá pra notar que tem quatro parcerias femininas. As participações todas do disco, da Virginie, cantando lindamente a música que a gente fez, da Nina que é uma amiga nossa que mora na Espanha que faz uma vocalização espetacular, das outras convidadas até a capa do disco, todos os conceitos têm a mão feminina cuidando.
 
E você fez questão de cantá-la por quê?
Por causa do meu envolvimento mesmo com esses movimentos ativistas, onde acompanhei desde o começo algumas manifestações de mulheres, onde eu as vi enfrentando a polícia de forma muito corajosa, através do meu filho Daniel, da minha filha Estela, que é adolescente, mas que também é uma ativista. E meu respeito todo que tenho pelas mulheres no trabalho, na intelectualidade, na musicalidade e no ativismo, na coragem, na luta pelas conquistas que ainda não são tão relevantes quanto elas merecem, mas achei importante cantar essa música. Eu gosto muito de cantar e a possibilidade de cantar essa música me deixou muito feliz. Eu canto bastante nesse disco, divido uma com o Nasi, que é a música Resposta, faço as vocalizações desde o primeiro disco do Ira!, gosto de fazer backing vocal, repetições, grudar minha voz com a do Nasi, acho isso super legal. A gente combina super bem. A gente tem essa parceria há tantos anos e, vez ou outra, eu canto uma. Escapa, eu canto, rs.
 
IRA! – IRA (2020)
 
Músicas

  1. O Amor Também Faz Errar

  2. A Nossa Amizade

  3. Respostas

  4. Mulheres à Frente da Tropa

  5. Você Me Toca

  6. Efeito Dominó

  7. Chuto Pedras e Assobio

  8. Eu Desconfio de Mim

  9. O Homem Cordial Morreu

  10. A Torre

 
Produção:  Apollo Nove
Gravação e Masterização: Jeff Berg
Mixagens: Jeff Berg  e  Edgard Scandurra
Estúdio: A9 Áudio - SP
Arte da capa e projeto gráfico: Mayla Goerisch & Guilherme Pacola
Disponível nas plataformas digitais



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