02/06/2020 às 14h55min - Atualizada em 02/06/2020 às 16h02min

​Paciente de Uberlândia se recupera após 23 dias com quadro grave de Covid-19

Homem de 37 anos recebeu alta nesta terça-feira (2); ele relatou ao Diário os momentos na UTI e chegou a pensar que não resistiria

SÍLVIO AZEVEDO
Boáz foi recepcionado pela família ao receber alta na manhã desta terça-feira (2) | Foto: Érica Magalhães
Ultimamente a sociedade vem sendo bombardeada de informações alarmantes sobre os estragos causados pelo novo coronavírus em todo mundo, que no Brasil já soma mais de 30 mil mortes e, em Uberlândia, 27 até ontem. Porém, vamos dar uma pausa para mostrar a história de quem sobreviveu aos sintomas graves da Covid-19 e ganhou mais uma chance de seguir a vida. 

Boáz Rocha, de 37 anos, recebeu alta na manhã desta terça-feira (2) após 23 dias de internação, sendo 10 deles intubado. Para comemorar sua recuperação, a família preparou uma surpresa na sua saída do hospital. Assista ao vídeo abaixo. 

De acordo com a irmã de Boáz, Edinilda Alves Rocha Cabral, o irmão teria contraído a doença durante o trabalho, já que é carreteiro e viaja muito. “Por ser um rapaz de 37 anos, saudável, contraiu a doença no trabalho, é carreteiro. Chegou na cidade já bem debilitado, deixamos em quarentena e a hora que não teve mais jeito, com ele sentindo falta de ar, procuramos a ajuda médica”.

E a recepção a Boáz após a alta foi muito comemorada por toda a família, que se apegou à fé para rezar pela sua recuperação. “Foi emocionante devido ao quadro grave, mas nossa fé foi inabalável. A cada dia, a gente com fé e crendo em Deus. Foi uma vitória muita grande. Para a honra e glória de Jesus, através dos médicos que trataram ele”, comentou a irmã.

Já em casa e recebendo o carinho da família, Boáz conversou com o Diário e contou um pouco da batalha diária pela vida, já que chegou ao Hospital Madrecor e foi encaminhado direto para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

 
“Estava em Santos (SP) no sábado (2) a trabalho e passei o domingo de folga em Guarujá (SP), onde acredito que tenha contraído a doença. Cheguei na quarta em Uberlândia muito ruim e quinta fui a um hospital, onde fizeram o exame de sangue e notificaram como uma gripe comum. Me deram medicamentos e pediram pra eu ficar em quarentena em casa. Já no domingo, muito mal, fui ao Madrecor. Quando o médico analisou, viu a gravidade e já me internou”.

GRATIDÃO
Sobre os dias internados, Boáz lembra de algumas situações vividas e que em alguns momentos tinha medo de morrer devido à gravidade do seu caso.

 
“Só quem passou sabe, lá o que passei e senti lá dentro na UTI, achei que não ia resistir. Meu grau era grave. Mesmo ligado pelo cilindro, não estava dando para respirar. Duas pessoas que estavam próximas a mim morreram. Além da doença, o psicológico estava abalado”.

O que dava forças para se recuperar eram as visitas e mensagens de apoio de amigos e familiares. Na hora da alta, vivenciou ainda a emoção de reencontrar toda a família, principalmente o filho de 11 anos, que não via há cerca de 40 dias, porque saiu para trabalhar e voltou doente, sendo submetido ao período de quarentena e internação em seguida. 

O momento agora é recuperar o corpo e a mente e levar adiante a lição de vida que aprendeu durante o período internado. “Agradeço a todos os familiares que me receberam, aos médicos que não pouparam esforços para me salvar e, claro, a Deus. Quem consegue respirar com os dois pulmões agredidos da forma como estavam, caçando ar mesmo com vários cilindros? Agora é dar mais valor à vida e à família, além de ser mais firme e cauteloso”.

Paciente não via o filho há 40 dias desde que ficou em quarentena e foi internado em seguida | Foto: Érica Magalhães 

QUADRO CLÍNICO

Segundo o médico William Hiro Ota Hernandez, que fez parte da equipe que acompanhou Boáz na UTI e pós, o quadro era bastante grave, sendo necessária a utilização de um equipamento de ventilação pulmonar.

“Ele chegou com quadro febril, tosse, pouco de falta de ar. Ao longo dos dias as coisas vão evoluindo, aumentando a necessidade de oxigênio, até o ponto que ele precisa ser ventilado, colocado em uma máquina para oxigená-lo bem. Passada essa fase mais crítica, utilizando alguns parâmetros que falamos, para ‘desmamar’ o oxigênio e da máquina, tiramos ele desse suporte de ventilação”.

Além dos sintomas da Covid-19, Boáz também teve intercorrências, como pneumonia, devido ao ambiente de UTI, mas respondeu bem aos tratamentos. 
“Foi um paciente bem tolerante a todo tipo de internação que a gente propôs. Aderiu a todos procedimentos, inclusive um deles, que é uma postura que a gente coloca o paciente, que é de barriga pra baixo, uma situação mais extrema, que é a posição de pronação”, explicou William.
Assista ao vídeo do momento em que o paciente recebe alta e é recepcionado com homenagens pela família e funcionários do hospital. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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