18/05/2020 às 10h07min - Atualizada em 18/05/2020 às 18h20min

Empresa de ônibus impede funcionários de trabalhar e paralisa a frota em Uberlândia, diz sindicato

Sindicato dos trabalhadores alega pressão do setor em razão de CPI e falta de aporte municipal; Diário procurou Prefeitura e empresa para comentar o assunto

CAROLINE ALEIXO
Em razão da falta de ônibus, Terminal Santa Luzia foi fechado nesta manhã (18) | Foto: Assessoria vereador Adriano Zago/Divulgação
Os trabalhadores da Autotrans, uma das concessionárias do transporte coletivo de Uberlândia, foram surpreendidos na noite deste domingo (17) com a orientação da empresa para que não fossem trabalhar. A informação foi confirmada pelo Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Urbano (Sinttrurb) e a partir de conversas no WhatsApp recebidas pelo Diário.

Os funcionários comentam nos prints sobre terem sido informados que a Autotrans não operaria hoje alegando problemas financeiros. De acordo com o presidente licenciado do Sinttrurb, Marcio Dúlio de Oliveira, 100% da frota da empresa que atende principalmente os bairros da região sul e leste de Uberlândia ficou parada.

“Os trabalhadores começaram a me procurar ontem à noite relatando a situação e de fato a coleta [transporte dos trabalhadores até a empresa] não passou. Os que foram de condução própria trabalhar encontraram os portões da empresa fechados”.


O representante da categoria comentou que, em um primeiro momento, se falou sobre greve dos trabalhadores. No entanto, garantiu que o Sinttrurb está sendo muito cauteloso neste momento para não usar os funcionários como massa de manobra.

Defendeu também que as empresas de ônibus estão pressionando em razão da abertura da CPI do Transporte Público e da falta do aporte financeiro de R$ 20 milhões, cuja tramitação do projeto na Câmara de Uberlândia está suspensa. 


“Nos espantou porque a Autotrans está com as obrigações, como salários e ticket, em dia com os trabalhadores. Eu tenho motivos para parar contra a São Miguel e a Sorriso de Minas, mas o sindicato está bem cauteloso nesse momento, porque a empresa que está provocando e pressionando a situação”, comentou.

Conversas de WhatsApp entre trabalhadores informaram pedido da empresa | Foto: Reprodução/WhatsApp
 
Um fiscal de transportes da Prefeitura de Uberlândia, que preferiu não se identificar, reforçou os apontamentos dos servidores e dos sindicatos. "Não foram os funcionários que pararam, foi a chefia da empresa que mandou parar. Os servidores estavam indo trabalhar, eles ligaram e determinaram que não fossem, está todo mundo de folga hoje, e alegaram problema financeiro. Isso aí deve ser uma pressão para tentar receber os R$ 20 milhões que o prefeito prometeu para as empresas", disse. 

A suspensão da frota, segundo o sindicato, comprometeu o tráfego dos ônibus nos corredores das avenidas João Naves de Ávila e Segismundo Pereira, uma vez que os itinerários são feitos na maior parte pela Autotrans. Em vídeos compartilhados pelas redes sociais, veículos da empresa São Miguel são vistos atendendo de forma provisória aos passageiros da frota da Autotrans no Terminal Novo Mundo com sentido ao Terminal Central. Veja abaixo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Uma publicação compartilhada por Jornal Diário de Uberlândia (@diariodeuberlandia) em



O vereador Adriano Zago (PDT), um dos parlamentares que assinaram o pedido para abertura da CPI na Câmara Municipal a fim de investigar irregularidades nos contratos de concessão do transporte, também postou um vídeo em suas redes sociais monstrando os transtornos gerados no Terminal Santa Luzia, com a falta de ônibus. Zago mostra o local fechado, funcionários parados dentro do estabelecimento e alguns passageiros aguardando ônibus do lado de fora.

A reportagem procurou o Ministério Público Estadual (MPE) que informou estar ciente da situação e mobilizando para tomar as devidas providências para minimizar os prejuízos aos usuários do serviço.

POSICIONAMENTOS
A Secretaria Municipal de Trânsito de Transportes (Settran) foi procurada para se manifestar sobre a situação, mas não houve resposta ao Diário até o início da noite. Em nota, a Autotrans justificou a necessidade de paralisação por falta de dinheiro para compra de combustível para os veículos, além de insuficiência da verba para pagar adiantamento salarial e benefícios dos trabalhadores. Leia a íntegra: 


A Autotrans informa que foi inevitável a paralisação das atividades nesta segunda (18) e esta ocorreu devido à falta de verba para compra de óleo diesel, que só pode ser adquirido à vista com os fornecedores; à impossibilidade financeira para pagamento do adiantamento salarial para o dia 22/05 e dos benefícios; entre outras questões que tornaram insustentável a operação.

A empresa explica que reduziu as jornadas pela MP, o que fez com que houvesse um aumento no banco de horas, contando hoje com 40 mil horas extras. Reitera ainda que a receita caiu para 40% e não condiz com os gastos para operação dos 80% da frota que se mantiveram rodando. 

Esta situação veio se agravando nos últimos dias, até se tornar insustentável, pois estamos em um cenário de crise, tanto de saúde como econômica e operar com déficit diário só faz crescer este prejuízo vivido pelo sistema de transporte.  

A conjuntura foi comunicada aos órgãos Gestores, através de ofícios protocolados sobre a real situação financeira das empresas, incluindo a reunião presencial no Ministério Público sobre o agravamento da crise financeira. 

Desta forma, reforça que a hipossuficiência do sistema gerou o colapso financeiro.

A Companhia de Administração de Terminais Urbanos e Centros Comerciais (Comtec) confirmou que, devido à paralisação da empresa Autotrans, o Terminal Santa Luzia não abriu para funcionamento hoje e não tem informações de quando a situação irá normalizar.


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