26/01/2020 às 08h00min - Atualizada em 26/01/2020 às 08h00min

Teatro Municipal de Uberlândia atrai espetáculos nacionais

Ocupação do espaço é definida a partir de três editais publicados ao longo do ano pela secretaria municipal de Cultura

MARGARETH CASTRO
Deborah Colker volta a Uberlândia com o espetáculo Rota; apresentações serão nos dias 20 e 21 de março | Foto: Divulgação

Uberlândia está na rota dos melhores eventos culturais do País, graças a estrutura que oferece, como o Teatro Municipal, e o trabalho dos produtores. A ocupação do espaço é definida a partir de três editais publicados ao longo do ano no Diário Oficial do Município. Os projetos apresentados são aprovados por uma comissão composta por membros da secretaria municipal de Cultura e do conselho.

O edital publicado em novembro e com resultados divulgados em dezembro definiu a programação de eventos para os meses de março e abril deste ano. Foram analisadas 18 propostas. Entre os aprovados está “Rota”, um dos espetáculos mais emblemáticos da Companhia de Dança Deborah Colker, que volta à cidade nos dias 20 e 21 de março. O grupo foi o primeiro a apresenta-se no Teatro, após sua inauguração em 2009.

O espetáculo Rota impressiona as plateias por onde passa, desde que foi criado, há 23 anos. É uma das coreografias que compõem a premiada investigação de Deborah Colker sobre movimento e espaço, que resultou em Velox (1995), Rota (1997), Casa (1999) e 4 por 4 (2002).

O “Rota” foi organizado em dois atos. O primeiro com quatro movimentos, nomeados como uma partitura musical: 1-Allegro, 2 – Ostinato, 3- Vigoroso e 4 – Presto. Nestes quatro movimentos foi utilizados o vocabulário do balé clássico, brincando com gestos do cotidiano e movimento de chão. O segundo ato é dividido em dois movimentos: 1- Gravidade e 2 – Roda. A gravidade surgiu da atmosfera que envolve os astronautas, do deslocamento dentro de uma nave, da ausência de gravidade. Já a roda é inspirada nos parques de diversões, na rotação da Terra.

Os ingressos para o espetáculo já estão à venda. A produção local é de Carlos Guimarães Coelho, idealizador do programa Uberlândia na Rota do Teatro. Segundo ele, cada produção é uma batalha. “Os custos são altos, em algumas ocasiões, com patrocínios e receitas de bilheterias insuficientes para cobri-los. Um trabalho árduo que a gente leva mais pela paixão à arte do que pela lucratividade”, diz.

Só em 2019, Carlos Guimarães trouxe para Uberlândia sete espetáculos entre fevereiro e novembro, que juntos levaram 13.577 pessoas ao Teatro Municipal. Isso sem contar os espetáculos que realizou fora do espaço. Desde 2016 já são 41 espetáculos trazidos para a cidade. “Nos últimos dois anos, o setor cultural foi bastante prejudicado com a polarização política. Houve boicotes em dois eventos, mas apesar das adversidades foram bastante produtivos”, afirma.

Carlos Guimarães adianta que já tem outra produção para abril, aprovada no edital. Sobre essa prática adotada pela secretaria municipal de Cultura, o produtor cultural faz algumas ressalvas. De acordo com ele, o edital tem conotação de concurso, e da forma como é feito acaba limitando o trabalho do produtor, pois ele poderia trabalhar uma programação para o ano inteiro. “Os espetáculos, especialmente os nacionais, programam turnês e com isso a gente acaba perdendo datas disponíveis. Recebo propostas diárias de turnês, mas não tenho como dar certeza se será viável”, explica.

Outros pontos destacados por Carlos Guimarães são os custos com imposto, percentual de bilheteria, 30 convites da sessão, diárias de montagem de R$ 2 mil e ainda a falta de apoio por parte do poder público. “Há algumas dificuldades, como ter que levar copos descartáveis e papel toalha para o Teatro. O fato do espaço também ficar fechado de meados de dezembro até fim de fevereiro também é ruim, pois é o único da cidade”, conta.

Apesar das dificuldades em produzir eventos locais, Carlos Guimarães afirma que é arrebatador presenciar a alegria das pessoas ao fim dos espetáculos. “Acho que estamos cumprindo nossa função de formar plateias e fazer a cidade ser reconhecida como rota de passagem para grandes espetáculos em turnês. Quem lutar contra isso, está lutando contra o desenvolvimento cultural da cidade”, afirma.
 
OUTRO LADO

Secretária de Cultura defende a publicação de editais
A secretária municipal de Cultura, Mônica Debs, reforça que Uberlândia está inserida na rota de grandes turnês devido ao Teatro Municipal, reconhecido como um espaço de qualidade, tanto em termos de estrutura como condições de funcionamento e equipe de trabalho. Ela explica que o edital é público e isso ajuda para que haja diversificação cultural.

Segundo Mônica Debs, os editais são publicados três vezes no ano, sendo que o primeiro define os eventos para março e abril; o segundo, publicado em fevereiro, contempla os meses de junho, julho e agosto; e o último, publicado em julho, divulga ocupações para o período de setembro a dezembro. “A procura é sempre grande e a média de projetos por edital varia muito, mas o segundo semestre é mais concorrido”, conta.

Sobre as taxas para a ocupação do Teatro Municipal, a secretária diz que elas são mínimas e uma das mais baratas do País. “O valor cobrado não dá para 20% da manutenção feita para os espetáculos. Com os editais, o produtor e artista local aprendem para terem condições de disputarem com grandes produtores nacionais”, justifica Mônica Debs.

O produtor de eventos José Humberto Paes Leme acha justa a cobrança das taxas para ocupação do Teatro Municipal e diz, pois o valor é necessário para investimentos e manutenção da estrutura. Ele conta ainda que inscreveu seu projeto no edital e que foi muito bem recebido pela secretaria de Cultura.
 
AGENDA 

Elicer deve levar 70 mil pessoas ao Teatro Municipal


Elicer é uma feira com várias atividades culturais, comercialização e lançamentos de livros | Foto: Divulgação
 
Para abril, nove eventos foram aprovados em edital. Na agenda tem espetáculos infantis, recitais e show de orquestra de viola. No período de 13 a 18 será realizado o Elicer – Encontro Literário do Cerrado, promovido por José Humberto Paes Leme, da Pool Comunicação. Com o tema “Literatura, inovação, meio ambiente e diversidade”, a terceira edição do evento terá como lema ““Elicer – A leitura transforma”, sendo o país homenageado o Japão.

Durante os seis dias, o evento ocupará a parte externa do Teatro Municipal, com uma feira, que além de comercialização de livros, terá atividades culturais, artísticas, espaço para contação de histórias, momentos de autógrafos, espaço Cine Elicer, com exibição de curtas-metragens e uma área de alimentação. Segundo Humberto Paes Lemes, 60% dos estandes de editores, distribuidoras e livreiros estão comercializados. “Devemos contratar para esse período 130 a 140 pessoas e o Estado de Minas já confirmou o apoio ao evento para que os alunos da rede estadual de Educação adquiram livros para formação de sua própria biblioteca. Isso acontece desde a primeira edição, em 2015”, diz.

Já no dia 15 será realizado um evento, na parte interna do Teatro, voltado para educadores e secretários municipais de Minas Gerais. O projeto é em parceria com a secretaria estadual de Educação e a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime) e a secretaria municipal de Educação por meio do Cemepe. O evento contará com a presença do consul geral do Japão, que vai proferir uma palestra sobre a Educação no Japão – A transformação do país no pós-guerra e as Olímpiadas 2020. O tema será “Literatura e Educação” e o público estimado é de 800 pessoas. “Também haverá uma atividade cultural, ainda em definição”, revela Humberto.

Na primeira edição, o Elicer reuniu 38,3 mil participantes. Já em 2017 foram 58,3 mil pessoas. A novidade deste ano é que todos os visitantes cadastrados no evento estarão segurados.












 
 
 


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