02/12/2019 às 18h17min - Atualizada em 02/12/2019 às 18h29min

​Empresário confessa que emitiu notas falsas a vereadores de Uberlândia

Marcos Esteves é proprietário da Ideal Assessoria e estava foragido; ele é um dos investigados na operação O Poderoso Chefão

DA REDAÇÃO
Foto tirada em 2015 comprova que imóvel abrigava Ideal e demais empresas investigadas no mesmo endereço | Foto: Diário de Uberlândia
O empresário Marcos Lúcio Esteves, proprietário da empresa apontada como de fachada nas investigações da operação O Poderoso Chefão, se entregou na última semana e confessou que emitiu notas falsas a vereadores de Uberlândia que desviaram recursos de verbas de gabinete. A informação é do promotor de Justiça Daniel Marotta Martinez durante entrevista à imprensa, na sede da Câmara Municipal, na manhã desta segunda-feira (2).

O investigado estava foragido desde a deflagração da operação, em outubro, e se entregou na sede do Ministério Público Estadual (MPE) na última sexta-feira (29). De acordo com o coordenador do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), o dono da Ideal Assessoria e Serviços se apresentou espontaneamente e confirmou que cometia as fraudes junto aos quatro vereadores investigados: Alexandre Nogueira, Juliano Modesto, William Alvorada e Ismar Prado

“Ele confessou que todas as notas emitidas pela empresa eram falsas e que aquele material [gráfico] nunca foi entregue. Segundo ele, começou a emissão dessas notas para o vereador Alexandre em razão da proximidade que tinha dentro do grupo econômico da Coopass e ATP. Nos dois primeiros meses de 2013 disse que entregou, efetivamente, todo o material para o vereador Alexandre. A partir de março de 2013, começaram as fraudes. As notas eram referentes a 30 mil informativos e ele entregava cerca de mil”, comentou o promotor.

 

Ainda durante o depoimento prestado aos promotores, Marcos informou que o vereador pagava pelas mil unidades e pagava também os impostos da nota fiscal, desviando o restante. O empresário negou obter qualquer vantagem não recebendo nenhum valor da verba desviada, negando ainda envolvimento nos desvios do transporte de alunos.

Após ser ouvido, ele foi encaminhado ao presídio Professor Jacy de Assis onde permanece preso. O Diário entrou em contato com o advogado Júlio Moreira que informou que já entrou com pedido de liberdade do cliente nesta segunda-feira (2). Na petição protocolada na 3ª Vara Criminal da comarca de Uberlândia, para revogar a prisão preventiva em domiciliar, mediante uso de tornozeleira eletrônica, a defesa justifica que Marcos se apresentou espontaneamente e seu depoimento contribuiu com as investigações. O pedido aguarda a análise do juiz. 

As denúncias em relação aos crimes de peculato (desvio de dinheiro público), organização criminosa, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, entre outros crimes,  serão oferecidas à Justiça de Uberlândia ainda nesta segunda-feira (2). As investigações ainda serão aprofundadas para identificar outros atos ilícitos praticados pelo grupo investigado.




 


 
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