02/11/2019 às 09h35min - Atualizada em 02/11/2019 às 09h35min

Depois de 23 anos como auxiliar, Sheyla realizou o sonho de ser dentista

ADREANA OLIVEIRA
Sheyla Narciso Pereira | Foto: Adreana Oliveira
Um ano e meio atrás, Sheyla Narciso Pereira realizava um sonho. Concluiu o curso de Odontologia, pegou o seu diploma, mas, até agora, “a ficha não caiu”. A cada dia que sai de casa para atender seus pacientes, ela se sente ainda vivendo um sonho, depois de 23 anos trabalhando como auxiliar de consultório odontológico.

Quando convidada para participar desta reportagem, ela respondeu: “meu nome é Pronto”, depois de nossa conversa, a repórter conclui que o sobrenome dela é Paixão.

“Odontologia sempre foi meu foco, desde que comecei a trabalhar em consultórios. Trabalhei em consultórios particulares, trabalhei com radiologia e depois fiz todas as especializações necessárias da odontologia – pediatria, cirurgia, endodontia, sempre grata por tudo que estou vivendo.”

Ao entrar na faculdade, seu principal desafio foi passar para o papel, transformar em conhecimento científico tudo o que ela já sabia da técnica, mas isso ela tirou de letra, porque dificuldades ela sempre enfrentou. E venceu. Na hora da prática, ela ajudava os colegas.

Nascida em Uberlândia, ela morou na fazenda Escalada, no município de Monte Alegre, até os 19 anos. “Eu andava muito para estudar, cerca de seis quilômetros só para pegar o ônibus e chegar à escola e lá ficava o dia todo, na Ferub [Fundação de Excelência Rural de Uberlândia]”, recordou.

Quando chegou a hora de cursar o segundo grau, veio para Uberlândia. O transporte era o fornecido pela Prefeitura. Estudava à noite. “Saía de Monte Carmelo às 18h e chegava em casa à meia-noite. Descia sozinha uma estrada de terra sem eira nem beira, até chegar em casa, eu e Deus. Se não tivesse esse transporte, eu não teria como estudar.”

Naquele momento, ela começou a trabalhar em um consultório, aos 19 anos, e nunca mais parou. Hoje, seus ex-chefes são colegas que sempre a apoiam. “Recebo até indicação deles, e isso não tem preço”, afirmou ela, que está fazendo pós-graduação em Ortodontia.

No exercício da odontologia hoje, ela afirma que, graças aos convênios, todos têm condições para uma saúde oral satisfatória. É importante encontrar um bom profissional e não deixar para ir ao consultório só quando surge um problema. “A população precisa entender que a prevenção evita sérios problemas. As crianças, por exemplo, quando visitam os dentistas de forma preventiva, já desenvolvem uma relação de confiança com os dentistas, muito melhor do que deixar para levar só quando aparece um problema, que vai relacionar a visita à dor.”

A estética é outra preocupação da profissional. “Há casos, por exemplo, que não há indicação para colocação de facetas, por exemplo, e o paciente insiste. Eu não faço, é preciso ter bom senso.”

Simplicidade e humildade estão no DNA de Sheyla, e a família tem orgulho de tudo o que ela conquistou por meio de seu trabalho, de seu sonho. “Eu olho meu paciente como um todo, cobro quando precisa ser cobrado, recomendo aquilo de que ele precisa e temos uma relação honesta. Isso é o que realmente importa.”













 
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