16/09/2019 às 17h53min - Atualizada em 16/09/2019 às 17h53min

Cortes na UFU são tema de audiência na Assembleia Legislativa

Evento ocorreu nesta segunda-feira (16) em Belo Horizonte

DA REDAÇÃO
Estudantes e servidores da universidade participaram da audiência pública nesta segunda-feira (16) | Foto: Divulgação
Se não houver desbloqueio de recursos pelo governo federal, a Universidade Federal de Uberlândia (UFU) chegará ao fim do ano com um deficit financeiro da ordem de R$ 30 milhões para sua manutenção e funcionamento. O alerta foi feito nesta segunda-feira (16) pelo pró-reitor de Planejamento e Administração da instituição, Darizon Alves de Andrade, durante audiência na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) que tratou sobre os cortes na instituição.

A audiência foi promovida pela Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia realizada a pedido da deputada Beatriz Cerqueira (PT). O evento contou ainda com a presença de estudantes e outros servidores da universidade.

A universidade é uma das atingidas pelo contingenciamento de recursos anunciado pelo Ministério da Educação (MEC) e, segundo o pró-reitor, foi informada, em abril passado, de que o bloqueio seria da ordem de R$ 40 milhões. Este montante representa a metade do que a UFU ainda teria para usar até o fim do ano, conforme o pró-reitor.

Tratam-se basicamente de recursos voltados à manutenção e funcionamento da universidade, que na lei orçamentária totalizavam R$ 120 milhões para este ano, ou R$ 10 milhões por mês. Até abril foram utilizados R$ 40 milhões, para um saldo que seria de R$ 80 milhões até dezembro, não fosse o bloqueio.

"Não temos absolutamente nenhuma condição de arcar com uma redução desse tamanho", advertiu Darizon, frisando que há gastos de manutenção que não se consegue reduzir, como de água e de luz.

Se o contingenciamento não for revisado, conforme chegou a ser acenado recentemente pelo MEC, o pró-reitor disse que o deficit financeiro no final do ano é uma certeza. "O mais difícil para um gestor é a falta de um horizonte", disse ele, ao corroborar os prejuízos mencionados por servidores e estudantes na audiência.
 
CORTES
Segundo o coordenador geral do Sindicato dos Trabalhadores Técnico Administrativos em Instituições Federais de Ensino Superior, Mário Costa de Paiva Guimarães Júnior, por conta do contingenciamento, o incentivo à capacitação de pessoal da UFU já perdeu R$ 180 mil, tendo sido iniciado o corte de 50% dos postos de trabalho de terceirizados e de 60% no quadro de estagiários.

O campus de Monte Carmelo, conforme Mário, seria um dos mais afetados por cortes drásticos em serviços de limpeza, segurança e portaria, o que estaria inclusive comprometendo a continuidade de seu funcionamento.

Ele destacou, ainda, que está prevista uma paralisação das universidades no começo de outubro, em defesa do ensino superior público, e conclamou todas as entidades a apoiarem a causa.

Coordenadora geral do DCE da universidade, Bianca Martins justificou a necessidade desse engajamento mais amplo ao frisar que a situação em Uberlândia não seria um caso isolado.

"Temos no País um projeto de privatização e sucateamento do ensino superior. Algumas universidades já sofreram até cortes de energia, com pesquisadores levando amostras para casa por falta de refrigeração no laboratório", denunciou Bianca, revelando que ela própria teve cortada sua bolsa da Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (Fapemig), que exige contrapartida da universidade.

A estudante ainda lamentou cortes no programa Intercampi, em que ônibus gratuitos transportam estudantes entre os diversos campi da UFU e que sofreu redução de horários de viagens. "Ou seja, vivemos um clima de insegurança no lugar onde fomos buscar nosso sonho e nossa vida profissional".

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