21/04/2019 às 09h00min - Atualizada em 21/04/2019 às 09h00min

Contingenciamento federal faz UFU rever contratos e suspender obras e serviços

Orçamento da universidade de Uberlândia tem restrição de 20%

MARIELY DALMÔNICA
Restrição chegou num momento que a instituição está em processo de expansão | Foto: Diário de Uberlândia
A Universidade Federal de Uberlândia (UFU) terminou o primeiro trimestre de 2019 com restrições no orçamento repassado pela União e, com isso, tem feito alguns ajustes no quadro de funcionários. O órgão está trabalhando com uma perspectiva de 8% de déficit, segundo o pró-reitor de Planejamento e Administração, Darizon Alves de Andrade.

Até o momento, o orçamento previsto para 2019 é de R$ 1,39 bilhão. Mas de acordo com Andrade, o Governo Federal publicou um decreto fazendo um contingenciamento em toda a administração pública - na Educação foram R$ 5,9 bilhões. “O Ministério da Educação ainda não nos informou como esse corte vai nos afetar, mas recomendou que nós façamos um ajuste com redução da ordem de 20% das despesas”, disse o pró-reitor.

Segundo Andrade, essas mudanças não permitem que a universidade caminhe sem passar por ajustes, principalmente porque a instituição iniciou o ano com base nos valores aprovados na Lei Orçamentária. “Um quarto do ano já passou, e o corte orçamentário é para o ano todo. É praticamente impossível.”

As novas contratações realizadas pela UFU estão sendo restringidas ao máximo, de acordo com o pró-reitor. “Temos autorizado contratações da ordem de 50% do valor inicialmente previsto. Os grandes contratos são os que olhamos primeiro, de recepcionista, limpeza, segurança e frota, que consomem cerca de 70% de todos os contratos.”

A universidade também tem demanda para ampliar o transporte intercampi, mas no momento, nada irá ser modificado segundo Andrade. “A restrição está vindo em um momento que a instituição está em um processo de expansão. Nós ainda não acumulamos dívidas, mas a contratação nova parou. Não podemos chegar ao fim do ano com um déficit impagável”, disse.
 
OBRAS
UFU obras

UFU obras


Construção de um bloco multiuso edificado no Campus de Patos de Minas | Foto: Divulgação


No ano passado, a instituição entregou um bloco de laboratórios no campus Umuarama, em Uberlândia, e a obra de Monte Carmelo, que havia sido paralisada em julho de 2017 por falta de dinheiro. Todos os blocos já estão mobiliados, em funcionamento e recebendo alunos.

Os estudantes de Patos de Minas continuam em prédios alugados ou cedidos pela prefeitura do município. A obra de um campus próprio começou em 2014, mas continua em andamento. Segundo o pró-reitor de Planejamento e Administração, R$ 6 milhões já foram empenhados para Patos no ano passado, mas isso é apenas metade da verba necessária para a finalização do projeto.

Em Ituiutaba, parte das aulas é ministrada em prédios que também não pertencem à universidade. De acordo com Andrade, R$ 5 milhões foram alocados para a construção dos prédios, mas a quantia também não é suficiente.

A instituição está trabalhando para conseguir mais verba para finalizar a expansão. Segundo o pró-reitor, a universidade ainda precisa de mais melhorias, mas o quadro econômico não permite novas obras neste ano.
 
PRONTO SOCORRO
Obras UFU

Obras UFU


Reinício da obra do pronto-socorro depende de homologação de acordo no Rio de Janeiro | Foto: Divulgação


Há duas semanas, a UFU informou que a obra para a ampliação do pronto-socorro do Hospital de Clínicas (HC) deve ser retomada em breve.

O caso tramita na Justiça e o reinício depende que o acordo seja homologado por parte do juiz responsável pelo caso no Rio de Janeiro, estado no qual fica a sede da empresa responsável pela obra.

Até agora, foram investidos R$ 40,4 milhões e ainda restam aproximadamente R$ 130 milhões para a conclusão da unidade. Segundo Andrade, a universidade tem R$ 22 milhões empenhados para prosseguir com o serviço.
 
CORTE
As principais instituições que fomentam as pesquisas científicas na UFU também foram afetadas pela falta de recursos. A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), responsável por uma grande porcentagem de bolsas da universidade, cortou 190 bolsas de alunos da instituição e 25 de alunos de segundo grau que participavam de projetos ligados à universidade, segundo o professor Kleber Del Claro, diretor de pesquisa da UFU.

“Ela não cortou as bolsas em andamento de mestrado e doutorado, mas suspendeu as bolsas novas. Seriam cerca de 150 de mestrado e 50 de doutorado. São as mais importantes”, disse o professor. Segundo ele, as bolsas que foram mantidas se encontram com os pagamentos em atraso.

O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) financia, atualmente, mais de 900 bolsas que devem durar até setembro. “Eles teriam que receber de repasse do governo aproximadamente R$ 9 bilhões para manter todo o orçamento dele, mas está sendo repassado apenas R$ 2.000.000.900, e isso é pouco para manter as coisas funcionando”, disse Del Claro.

Um dos programas da Coordenação de Aperfeiçoamento Pessoal de Nível Superior (Capes) também teve as bolsas cortadas. Segundo o professor, quem ganha com isso são as universidades localizadas fora do Brasil. “A gente teme uma estagnação total da pesquisa. Se não tem pesquisa aqui, os alunos vão para fora”, afirmou o diretor de pesquisa.

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