27/06/2019 às 08h48min - Atualizada em 27/06/2019 às 08h48min

Timbre valoriza música instrumental

Produção uberlandense lança outra vertente para fortalecer a cena local e facilitar acesso ao estilo

ADREANA OLIVEIRA
A banda Sick | Foto: Larissa Dardania/Moviola Mídia Livre/Divulgação
Vozes ocultas, alguns rostos conhecidos, outros nem tanto, sons universais. De amanhã até domingo Uberlândia recebe uma série de shows voltados para a música instrumental que reúne diferentes estilos e perfis de instrumentistas. A ideia é dar espaço para esses artistas que falam com as mãos a cada acorde, a cada batida, a cada toque e facilitar o acesso a esse tipo de música para o maior número de pessoas possível. Essa é a proposta do 1º Festival Timbre Instrumental.

Os shows acontecerão amanhã na Praça Clarimundo Carneiro, sábado na Cervejaria Benedith, com entrada franca, e domingo no Alfaiataria, somente com cobrança de couvert artístico. Segundo o produtor Gabriel Caixeta, essa é uma ideia que está no papel há muito tempo. “Ao participar de feiras de música no Brasil e no exterior conheci muitas bandas instrumentais que não conseguia inserir em outros festivais. Com o tempo, Uberlândia também passou a se destacar com cada vez mais gente inserida nesse estilo. Percebemos que era hora de realizar esse sonho, mesmo que sem patrocínio ou leis de incentivo”, explicou o produtor.

A ideia é que o festival entre para o calendário cultural de Uberlândia assim como o Timbre, que acontecerá no segundo semestre. O público esperado é de pessoas com a cabeça aberta para novos sons que ouvirão bandas que poderiam estar tocando em qualquer palco do mundo. Caixeta se surpreendeu com os apoios recebidos para a concretização do projeto. “A Secretaria de Cultura entrou com a Big Band, o Sesc com a Orquestra de Violeiros e o Viola de Nóis com o show ‘Um Brasil nas dez cordas’. Ainda conseguimos, além de espaço para as bandas de Uberlândia, Sick e Light Strucks, trazer duas bandas de destaque do cenário nacional, The Raulis (PE) e Muntchako (DF)”.
 
ROCK

A banda uberlandense Sick, que se apresenta no sábado, está às vésperas do lançamento do segundo CD, “O Sonho e a Escada”, em fase de mixagem. Elé sucessor de “Para uso recreativo” (2017) e do EP de 2015. Formada por Guilherme Levi (bateria), Lucas Vidal e Douglas (guitarras), Raphael Tx (baixo) e Flávio Jordok (teclado), desde 2014 o quinteto vem se destacando nos shows na cidade e região.

“Neste show vamos tocar as músicas do álbum que até agosto deve estar concluído. Fizemos oito músicas compostas entre junho e dezembro do ano passado e gravamos tudo em um dia no estúdio Casa Verde”, conta o baixista Raphael TX.

Os cuidados com a pós produção, principalmente com masterização e mixagem, se justificam. “Faz muita diferença o que chamamos de over, gravação de camadas de baixo, guitarra, teclado, depois da gravação coletiva que fizemos”, explicou o músico.

Para transpor todo esse trabalho para o palco é necessária uma rotina de ensaios constante. A Sick tem ensaios semanais independentemente de ter agenda ou não. “Isso faz com que a gente mantenha o ritmo. E estar inserido em um festival como essa versão instrumental do timbre, que tem do erudito ao contemporâneo, é muito enriquecedor pra gente”, comentou.

Inspirados por bandas como o trio cuiabano Macaco Bong, eles se apresentam em agosto em festivais de Brasília (Picnik) e Goiânia (Bananada).

TRADIÇÃO

Os violeiros Arnaldo Freitas (SP) e Fernando Sodré (MG) farão o encerramento do 1º Festival Timbre Instrumental no domingo com o show “O Brasil nas dez cordas” que já começou a rodar o país. A concepção traz canções não só do repertório clássico da viola caipira mas também de outras vertentes da música brasileira, com foco no jazz brasileiro.

“Estreamos em um teatro grande em Belo Horizonte e agora tocaremos no Alfaiataria, que é um espaço mais intimista, onde estamos mais perto do público, é música na pele mesmo e tanto eu quanto o Sodré estamos acostumados com isso, é uma experiência bem bacana de troca”, disse Freitas.

Para ele, circular pelo Brasil é o que mais enriquece um projeto desse tipo. A proposta do duo traz versões de Hermeto Pascoal, Djavan, Milton Nascimento, com a viola como protagonista. “É um modo de mostrarmos a versatilidade desse instrumento dentro da música brasileira e levá-la para um público cada vez maior”, disse o violeiro.

Tanto Arnaldo quanto Sodré são considerados como grandes expoentes da viola de sua geração. Aos 34 anos, Sodré é conhecido pelo estilo que chama de viola urbana e inovou, em parceria com a Hootz Lutheria, na criação da viola de 14 cordas, um instrumento único, com maior extensão harmônica e um timbre surpreendente.
 
SERVIÇO
O QUE: 1º Festival Timbre Instrumental
QUANDO: de 28 a 30 de junho

PROGRAMAÇÃO
SEXTA-FEIRA (28)
ATRAÇÕES: Orquestra Sesc de Viola (MG) e Udi Jazz Big Band (MG)
LOCAL/HORÁRIO: Praça Clarimundo Carneiro, às 18h30
ENTRADA FRANCA

SÁBADO (29)
ATRAÇÕES: Light Strucks (MG), Sick (MG), The Raulis (PE) e Muntchako (DF)
LOCAL/HORÁRIO: Cerveja Benedith (Av. Getúlio Vargas, 2.100), às 16h
ENTRADA FRANCA

DOMINGO (30)
ATRAÇÕES: Duo "Um Brasil nas Dez Cordas" com Arnaldo Freitas (SP) e Fernando Sodré (MG)
LOCAL/HORÁRIO: Alfaiataria (Rua Barão de Camargo, 614, Centro), às 19h
Cobrança de couvert artístico

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