11/11/2018 às 07h50min - Atualizada em 11/11/2018 às 07h50min

Gênova: perca-se pelo labirinto de vielas medievais

Cidade italiana preserva arquitetura dos séculos 12 e 13 em mais de 60 palácios, igrejas e galerias

FERNANDA REIS | FOLHAPRESS

Torres de Sant'Andrea, na porta Soprana, em Gênova | Foto: Divulgação
Mapas são, ao mesmo tempo, seus melhores amigos e quase inúteis em Gênova. Mesmo com eles, você se perderá por seu labiríntico centro histórico, uma das maiores áreas de preservação da arquitetura medieval na Europa. Sem eles, porém, é bem difícil chegar do ponto A ao B e localizar os mais de 60 palácios da cidade.

Há ali igrejas e galerias abertas para visitação, mas boa parte das construções históricas é fechada. A graça é, justamente, passear a pé pelas vielas do centro, um museu a céu aberto, e aprender sobre o passado da cidade por meio de seus prédios. A cada esquina, placas contam a história genovesa, que inclui figuras como Cristóvão Colombo, Marco Polo e Giuseppe Garibaldi. Suas construções mais antigas datam do século 12, como a torre Embriaci, que leva o nome de um conquistador da época das cruzadas.

Não se deixe enganar pelo mapa: dois lugares podem parecer distantes no papel, mas só é preciso pegar ônibus, carro ou metrô para conhecer praias mais afastadas do centro. Em dois dias, é possível conhecer seus principais pontos com calma. Localizada na região da Ligúria, a menos de duas horas de trem de Milão, no norte da Itália, Gênova era uma das cidades mais importantes para o comércio europeu nos séculos 12 e 13. Antiga potência marítima, foi berço de Colombo (1451-1506).


Ponte dos Suspiros, parte do Palácio Ducale, em Veneza | Foto: Thiago Momm/Folhapress

Uma pequena construção de pedra que supostamente foi sua casa é, aliás, um bom ponto de partida para conhecer o local. Nos arredores, ainda é possível ver, nas casas, a arquitetura da Idade Média e os restos da Porta Soprana, pela qual se adentrava a cidade quando era murada.

Da casa de Colombo, uma caminhada leva à praça de Ferrari, coração econômico de Gênova no século 19 e um dos lugares mais movimentados da cidade. Rodeada por prédios do governo e com uma fonte no meio, tem opções de café com mesas na calçada. Ali figura uma grande estátua de Garibaldi, integrante de um movimento que lutava por uma Itália republicana e parte de uma revolta em Gênova em 1834. Condenado à morte na Itália, ele veio ao Brasil onde se aliou a Bento Gonçalves e participou da Revolução Farroupilha.

A praça abre três caminhos: para o centro, o porto e as galerias. Quem quiser ver lojas de grifes e andar por largas avenidas cobertas que lembram cidades grandes europeias, pode seguir para a galeria Giuseppe Mazzini ou para a via XX Settembre. O contraste é grande com o centro histórico, de ruas estreitas e lojinhas escondidas – algumas abertas há 200 anos –, que demanda mais tempo para ser explorado.

Tanto o passeio pelo porto quanto pelo centro podem ser iniciados pelo palácio Ducale, hoje um centro cultural. Com sorte, você encontrará na frente dele um mercado de rua, com barracas que vendem o famoso pesto genovês, pães, frutas e doces.

A praça desemboca na via San Lorenzo, onde há uma catedral de mesmo nome, listrada em branco e preto. Não é especialmente grande e, como boa parte dos outros prédios da cidade, impressiona mais por fora do que por dentro.

Nesse ponto é preciso escolher: seguir em frente e chegar ao mar, ou enveredar pelo labirinto medieval. Pelo centro o conselho é: embrenhe-se pelas ruas onde circulam lambretas e aprecie a vista das casinhas de cor clara, com roupas secando penduradas nas janelas. Há pontos em que, de braços esticados, é quase possível encostar os dedos nas paredes. Mesmo as menores das ruas escondem bons restaurantes, cafés, lojas e sorveterias.

Já quem seguir em frente pela via San Lorenzo desembocará no Porto Antico. O clima ali é calmo: há pessoas sentadas em bancos literalmente a ver navios, tomando sorvete, caminhando pelo calçadão.

Do Il Bigo, um elevador panorâmico 360º pode-se ver a cidade incrustada no morro. Trata-se de uma interpretação de um antigo guindaste do porto, usado para levantar cargas. Hoje, simboliza a renovação urbana na área portuária, realizada nos anos 1990.

Contornando o prédio Magazzini del Cotone, que abriga lojas e bares, têm-se uma bela vista do porto e do farol de Gênova, o mais alto do Mediterrâneo, construído em 1128.

É um passeio mais contemplativo, para aproveitar o clima de porto e observar as ruínas e os prédios históricos. O porto abriga aquele que é o maior aquário da Europa, com mais de 12 mil animais de 600 espécies. O passeio Il Bigo, que tem a vista do mar para a cidade, fica completo com uma visita ao Belvedere Luigi Montaldo, que dá a vista da cidade para o mar. Para chegar a ele, pega-se a via Garibaldi, patrimônio mundial da Unesco.

A rua, uma das mais famosas de Gênova, é minúscula (são apenas 250 metros de comprimento e 8 de largura), mas abriga um palácio ao lado do
outro. O lugar é tão estreito que é difícil contemplar os prédios – fotografar, então, é impossível. Mas, no palazzo Rosso, há uma sala multimídia, com entrada gratuita, que conta a história da rua e tem uma maquete dos edifícios.
 
IGUARIA GENOVESA
Pesto aparece em pão e até em sorvete

 
Procurar um espaguete à carbonara ou uma lasanha à bolonhesa em Gênova é tarefa árdua. Cada destino na Itália tem seu prato típico: em Milão, por exemplo, é o risoto milanês, à base de açafrão. Em Gênova, é o pesto.

Feito de manjericão, azeite, queijos parmesão e pecorino, pinoli e sal, o molho é onipresente. Até na sorveteria Gelatina há um sabor pesto. "É melhor experimentar antes, não é todo o mundo que gosta", sugere a atendente, oferecendo uma colherzinha de sorvete verde. O conselho é sábio: meio salgado, meio doce, é 100% esquisito.

Já nos restaurantes, uma massa ao pesto é infalível. Mais comum que o espaguete é o trofie, macarrão típico da região da Ligúria, pequeno, cilíndrico e levemente torcido. Nas pequenas casas do centro histórico, onde garçons não falam inglês, encontra-se ainda uma versão de trofie ao pesto com batatas e vagens.

Para comer na rua, boas opções são a focaccia genovesa e a farinata. A primeira é uma espécie de pão com cerca de dois centímetros de altura, cortado em retângulos cobertos com sal grosso. A segunda lembra uma panqueca feita de farinha de grão-de-bico – uma massa fina, salgada, que pode ser coberta com ervas.

Pequenas portas no centro vendem os dois salgados – em versões com cebola, queijo e pesto –, para comer de pé, no balcão, ou andando. Como boa cidade italiana, Gênova tem sorveterias aos montes. A Gelatina é uma opção com sabores que mudam a cada dia, atendimento simpático e cadeirinhas na calçada.

Mais escondida, numa rua perto da praça de Ferrari, é a U Gelato du Caruggiu, com sorvetes bem cremosos, em sabores tradicionais ou exóticos, como açafrão com gengibre. Também escondida fica a Romeo Viganotti, loja de chocolates de 1866. Lá, encontram-se chocolates com pimenta, rosa, lavanda, sal, canela, frutas vermelhas em versões ao leite, amargas e brancas.

A Romeo Viganotti tem também uma sorveteria e um café que serve docinhos e biscoitos como o canestrello –um amanteigado que se encontra em todo lugar– a poucos passos dali. Mas, atenção: cada loja tem um horário diferente.

Mais afastado do centro, mas a uma caminhada de dez minutos da praça de Ferrari, está o Mercato Orientale, que dá um panorama da culinária da Ligúria. Há queijos, vegetais como o aspargo roxo, frutas e massas secas – trofie, croxetti (redonda e achatada) e foglie d'ulivo (em formato de folha). E, é claro, pesto.


Praça de Ferrari, coração econômico da cidade no século 19 | Foto: Silvio Cioffi/Folhapress

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