29/04/2019 às 17h14min - Atualizada em 29/04/2019 às 17h14min

Pistas de vários níveis e bons hotéis levam esquiadores à região

Veteranos elogiam infraestrutura de estações em países vizinhos, mas dizem que o acesso nem sempre é fácil

FOLHAPRESS
Foto: Folhapress/Divulgação

O ponto positivo das estações de esqui da América do Sul é a variedade de cenários: há pistas e aulas para iniciantes e veteranos. O negativo é que, mesmo estando perto, nem sempre é fácil chegar aos locais. A avaliação é de esquiadores brasileiros experientes.

A popular Bariloche, na Argentina, ganha pontos justamente pelo acesso –é a única com voos diretos durante a temporada. Ali, comunicar-se em "portunhol" também é fácil, segundo Leonardo Brígido, 29, técnico em segurança do trabalho. "No Chile o espanhol é mais enraizado."

Na cidade, o esqui pode ser coadjuvante. "Tem a parte de compras, a comida", diz Flavio Ascânio, 54, que esquia há mais de 20 anos. "E a estação é legal, tem uma área para quem só quer andar, comer na montanha e fazer fotos."

A facilidade de acesso e a infraestrutura, porém, cobram um preço: é o lugar mais lotado a que o empresário Anderson Dias, 44, já foi.

Também na Argentina, Ushuaia tem belas paisagens, bons hotéis e restaurantes. Mas não há voos diretos do Brasil. "Ushuaia é muito simpática, mas é chato de chegar", diz Guilherme Maia, 55, engenheiro químico. "Muitas vezes a opção de conexão com preço razoável tem pernoite em Buenos Aires e/ou troca de aeroporto", afirma.

Para viajantes pouco acostumados com altitudes elevadas, o fato de Ushuaia estar no nível do mar é ponto positivo.

Querida dos esquiadores, Valle Nevado, no Chile, está a mais de 3.000 metros de altitude, o que faz com que muita gente passe mal nos primeiros dias. Passada essa barreira, porém, a estação é acolhedora para pessoas inexperientes e profissionais.

"Eles têm um esquema forte de professores. Há aulas para iniciantes, para quem já anda, para crianças. E muitos são brasileiros, o que facilita a comunicação", conta Flavio.

Segundo Guilherme, é também o local que mais investe em inovação e o que mais tem sol. "Já aconteceu de eu ir para lá numa semana e um amigo ir para Bariloche. Eu peguei seis dias de sol, e ele, só dias ruins, que são chatos para esquiar", afirma.

Esquiadores apontam, porém, que a viagem para lá não é barata. "É mais caro ir para o Chile do que para a Europa quando você põe tudo na conta. O real se desvalorizou muito em relação ao peso chileno e ao dólar", diz Flavio.

Quem for ao Valle Nevado pode emendar a viagem e conhecer La Parva e El Colorado, estações menores.

"Para lá vão mais residentes de Santiago. Não tem hotel, é mais aluguel de casas", diz Stefano Arnhold, ex-presidente da Confederação Brasileira de Desportos na Neve.

El Colorado é uma estação pequena, mas bem estruturada, com teleféricos rápidos e possibilidade de fazer snowboard. Já La Parva é ideal para quem tem experiência.

"As pistas são bacanas para quem conhece um pouco mais, são largas, altas", diz Rafael Redondo, 28, engenheiro que esquia desde os 14 anos.

Quando foi ao local, optou por ficar hospedado em Santiago, por ser mais barato e para aproveitar a vida noturna.

Quem não fizer questão de lojas ou festas e quiser só esquiar pode optar por Portillo, na cordilheira dos Andes, no Chile. "É mais familiar, os próprios frequentadores talvez não sejam favoráveis a grandes mudanças", diz Stefano. "São as mesmas pessoas que vão todos os anos."

Por ali, tudo pertence a um hotel e come-se todos os dias no mesmo lugar –mas esquiadores afirmam que, mesmo assim, a comida é um dos pontos altos da viagem.

Por ser pequena, amigável e com bom ambiente familiar, a estação agrada a diferentes tipos de públicos, diz o advogado Fábio Gaspar, praticante de snowboard. "Minha família foi lá pela primeira vez e teve aulas em grupo e individuais. Há várias opções."

Temporada de esqui terá mais voos e neve artificial

A dois meses do início da temporada de neve na América do Sul, as estações de esqui do Chile e da Argentina se preparam para receber visitantes.

Portillo, a duas horas de Santiago, terá 25 novas máquinas para fazer neve artificial, que é misturada à natural para ajudar a cobrir falhas nas pistas, como explica Bruno Monti, consultor da agência especializada Snowtime.

Em 2018, as máquinas atendiam 3 de suas 35 pistas. Neste ano, após investimento de US$ 3,5 milhões (R$ 13,8 milhões), servirão nove.

Outra estação com novidade é a Nevados de Chillán, montanha chilena 800 km ao norte de Santiago. Seu hotel principal, Termas Chillán, de cinco estrelas, está em reformas e vai reabrir em junho.

Neste ano, brasileiros terão mais dificuldade para chegar às pistas da Argentina.

Cerro Catedral, a estação de Bariloche, é a única que terá voos diretos do Brasil durante a temporada de neve, pela Latam e pela Azul.

Os voos da Latam partem diariamente de Guarulhos, entre 1º de julho e 15 de agosto. Já a Azul irá operar a rota entre Campinas e Bariloche de forma regular, não apenas durante a temporada, a partir de 15 de junho. Serão três voos semanais, às quartas, aos sábados e aos domingos.

Quem tiver as estações de Las Leñas, Cerro Castor (Ushuaia) e Chapelco (San Martin de Los Andes) como destino terá de trocar de aeroporto durante a conexão em Buenos Aires. Isso pode obrigar os passageiros a pernoitar na capital argentina, dependendo do horário dos voos.

Segundo Monti, na temporada de 2018 era possível fazer a conexão no mesmo aeroporto, o que facilitava a viagem. "É algo que atrapalha o mercado deles. Os chilenos acabam se beneficiando."

Isso porque não faltam voos diretos do Brasil para Santiago, que tem ao menos cinco estações a duas horas ou menos de distância, de carro: Valle Nevado, La Parva, El Colorado, Farellones e Portillo.

Para não perder o turista para os chilenos, ainda mais durante a crise econômica que o país atravessa, os hotéis nas montanhas argentinas estão barateando suas diárias.

Outra possível complicação para o brasileiro é o dólar alto, a quase R$ 4 –a venda de pacotes costuma ser feita nessa moeda. Guilherme Ishikawa, diretor de vendas e marketing da operadora Ski Brasil, diz que isso será compensado por descontos de hotéis.
Para conseguir preços melhores, a dica é comprar os pacotes o quanto antes, porque ainda há promoções. É esperado que haja neve nas montanhas até setembro.

Estações na América do Sul
Argentina

Bariloche - A 20 km do centro da cidade, o Cerro Catedral é o maior complexo de esqui do hemisfério Sul, com 120 km de pistas, que abrem a partir de quando houver neve suficiente. Em 6 de julho, todas já devem estar ativadas

Cerro Castor - Vizinha a Ushuaia, é a estação mais austral do continente, o que lhe garante uma das temporadas mais longas da América no Sul. Sua abertura está prevista para o dia 28 de junho

Chapelco - É a principal atração de San Martín de Los Andes, à beira do lago Lácar. A cidade fica a cerca de 20 km da estação e tem boa oferta de hospedagem. O início está previsto para 22 de junho

Las Leñas - O local oferece boas pistas para iniciantes e crianças. A 500 km de Mendoza e a 2.240 m de altitude, a base da montanha conta com um centrinho, onde há hotéis e restaurantes. A temporada começa em 22 junho

Chile

Chillán - Além das pistas de esqui, o local tem piscinas de águas termais que chegam a 65ºC. Está aos pés de três vulcões: Nuevo, Viejo e Nevados. A estação deve abrir em 26 de junho

Corralco - Localizada na encosta do vulcão Lonquimay, dentro da Reserva Nacional Malacahuello-Nalcas, tem 29 pistas de esqui, além de trilhas para caminhadas na neve. A temporada começa em 22 de junho

Portillo - A cerca de 150 km da capital, Santiago, a estação é a mais antiga do país, inaugurada em 1949. Fica à beira da Laguna del Inca, uma lagoa no meio da cordilheira dos Andes. As pistas abrem aos visitantes em 22 de junho

Pucón - Com pistas para esqui e snowboard, a estação fica na encosta do vulcão Villarrica, a 20 minutos de carro do centro. A abertura, em junho, depende da neve

Valle Nevado - A 3.000 m de altitude, a maior estação do país fica perto de Santiago, o que permite um bate-volta. Também tem três hotéis. O início da operação está previsto para 21 de junho

PACOTES

US$ 543 (R$ 2.139)
4 noites em Ushuaia, na Abreu (abreutur.com.br)
Pacote com saída entre 1º de julho e 30 de setembro. Hospedagem em quarto duplo, com café da manhã. Inclui três dias de ski pass e traslados. Sem passagem aérea

US$ 704 (R$ 2.773)
4 noites em Bariloche, na Schultz (schultz.com.br)
Hospedagem em quarto duplo, com café da manhã. Inclui tour pelo circuito Chico e traslados. Sem aéreo

R$ 3.216
4 noites em Bariloche, na CVC (cvc.com.br)
Pacote com saída marcada para 21 de agosto. Hospedagem em quarto duplo, com café da manhã. Inclui passeio pelo circuito Chico, traslados e passagem aérea

R$ 4.700
8 noites em Bariloche, na Flytour (flytourmmt.com.br)
Pacote com saída marcada para 3 de julho. Hospedagem em quarto duplo, com café da manhã. Inclui passeios ao circuito Chico e a Cerro Catedral. Com traslados e passagem aérea, saindo do aeroporto de Guarulhos

US$ 1.224 (R$ 4.822)
5 noites no Valle Nevado, na RCA Turismo (rcaturismo.com)
Hospedagem em quarto duplo, com café da manhã. Inclui três dias de aula de esqui, traslados e seguro-viagem. Sem passagem aérea

US$ 1.295 (R$ 5.102)
7 noites na Patagônia argentina, na Ambiental (ambiental.tur.br)
Quatro noites em Ushuaia e três em El Calafate. Hospedagem em quarto duplo, com café da manhã. Inclui um dia na estação Valle Tierra Mayor, em Ushuaia, e excursão à geleira Perito Moreno, em El Calafate, e outros passeios.
Com traslados, mas sem passagem aérea

US$ 1.649 (R$ 6.497)
8 noites em Buenos Aires, Ushuaia e El Calafate, na BWT (bwtoperadora.com.br)
Duas noites em Buenos Aires, três em Ushuaia e três em El Calafate. Hospedagem em quarto duplo, com café da manhã. Inclui passeios ao Parque Nacional Terra do Fogo, em Ushuaia, e ao glacial Perito Moreno, em El Calafate. Com passagem aérea, a partir de São Paulo

R$ 6.933
7 noites em Bariloche, na Maringá Turismo
(maringalazer.com.br)
Pacote com saída marcada para o dia 9 de julho. Hospedagem em quarto duplo, com café da manhã. Sem passeios. Inclui passagem aérea, a partir de São Paulo

US$ 2.400 (R$ 9.456)
7 noites na estação de Portillo, na Ski Portillo (skiportillo.com)
Pacotes com saídas em junho, agosto e setembro. Inclui hospedagem em quarto duplo, com pensão completa e acesso às instalações da estação. Sem passagem aérea

US$ 3.760 (R$ 14,8 mil)
4 noites em Portillo, na Snowtime (snowtime.com.br)
Pacote para dois adultos e duas crianças. Inclui hospedagem em apartamento familiar, com pensão completa. Com ski pass para todos os dias. Sem passagem aérea

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