29/03/2018 às 19h50min - Atualizada em 29/03/2018 às 19h50min

Café e azeite não funcionam contra a ressaca

Especialistas dizem, porém, que água e alimentação ainda são mais úteis

PHILLIPPE WATANABE | FOLHAPRESS
Sábado de Aleluia põe fim a um longo período de abstinência | Foto: VisualHunt

Depois de 40 dias de sacrifício muita gente realizou o desejo de voltar a tomar uma bebida, ou várias delas. No dia seguinte à bebedeira sempre aparecem as fórmulas que prometem a cura da ressaca e o fim do mal-estar - o arsenal acaba de ganhar novos elementos no Brasil, com chás prontos e pílulas. A ressaca é o efeito tóxico da bebida e seus subprodutos no corpo. Não há como definir uma fórmula geral que indique o ponto sem volta da ressaca. Isso varia de acordo com a quantidade de bebida consumida, o espaço de tempo em que isso ocorreu e o organismo de cada pessoa. Cientificamente falando, o limiar de tolerância ao álcool é definido pela enzima álcool desidrogenase (presente no fígado), que metaboliza a substância -mulheres, em geral, têm menos dela.

A única maneira à prova de falhas para não ter ressaca é não beber, claro. Mas calma: a ressaca ainda pode ser controlada. Basta consumir, de modo intercalado, álcool e água. E não adianta começar a beber água depois de já estar embriagado. A água também pode receber uma mãozinha da comida. Raymundo Paraná, vice-presidente da Associação Latino-Americana para o Estudo do Fígado (Aleh), afirma que, coma alimentação, o esvaziamento gástrico é mais lento, aumentando o tempo para a metabolização do álcool no estômago. Alimentos fonte de carboidratos, como pães e massas, são uma boa dica de alimentação adequada pré-bebidas, de acordo com Ana Hordonho, membro da Associação Brasileira de Nutrição (Asbran). Sucos e frutas também.

FÓRMULAS PRONTAS

Mas, se você bebeu bastante água, comeu bem e, mesmo assim, sofre de ressaca, algumas ações podem ajudar. Não tomar café para acordar e ficar mais disposto é uma delas. O café pode irritar ainda mais o estômago. Para quem está com náuseas, um pouco de gengibre vem bem a calhar, diz Francisco Tostes, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem). Os especialistas ouvidos pela folha, porém, são céticos quanto a pílulas ou bebidas antirressaca. "Tudo besteira", diz Arnaldo Lichtenstein, médico do HC da USP. Um dos produtos recém-lançados que prometem combater a ressaca é o Detox Etil, classificado por Lichtenstein como um complexo vitamínico, sem efeito sobre o mal-estar pós-bebedeira. O consumo do composto, contudo, não representa riscos. A assessoria do Detox Etil afirma que o produto age repondo nutrientes degradados pelo álcool. Produtos que hidratam ou que contenham antieméticos e analgésicos, como o Engov, podem aliviar o desconforto. Mas, segundo Paraná, o ácido acetilsalicílico presente no remédio pode piorar a gastrite. As assessorias de Engov (maleato de mepiramina, hidróxido de alumínio. Ácido acetilsalicílico e cafeína) e Epocler (citrato de colina,betaína e racemetionina) afirmam que os produtos não são destinados contra ressaca. O primeiro seria indicado para "alívio dos sintomas de dores de cabeça e alergias", enquanto o último é para "tratamento de distúrbios metabólicos hepáticos". Por fim, o melhor é beber com moderação importa mais a quantidade do que a mistura- e consumir água. E prepare-se: com o envelhecimento perdemos a enzima que metaboliza o álcool.
Tags »
Notícias Relacionadas »
Comentários »