18/02/2018 às 05h39min - Atualizada em 18/02/2018 às 05h39min

Tratamento da esclerose múltipla é eficaz quando começa cedo

Doença da atriz Ana Beatriz Nogueira afeta 35 mil pessoas no país; muitas não sabem que têm o mal

EMERSON VICENTE | FOLHAPRESS

A esclerose múltipla é uma doença crônica que atinge os impulsos nervosos no cérebro. Quando aparecem os surtos, trazem sintomas bastante desagradáveis, como tonturas, visão embaçada ou até mesmo um desmaio.

Na semana passada, a atriz Ana Beatriz Nogueira, que fazia o papel de Neia, a mãe de Léo Régis (Rafael Vitti) na novela "Rock Story", da TV Globo, em 2017, disse em entrevista que sofre de esclerose múltipla desde 2009, e admite que não foi fácil aceitar a doença.

"Quando o paciente recebe a notícia, é um choque. Por isso tem que ter um diagnóstico muito bem estruturado, não dá para ser como suspeita. Tem que ter segurança no diagnóstico e que ele seja precoce para dar um tratamento eficaz ao paciente", afirma o neurologista Roger Taussig Soares.

Segundo estudos, 35 mil pessoas sofrem de esclerose múltipla no Brasil, e 15 mil delas são atendidas pelo SUS (Sistema Único de Saúde). Mas muita gente tem a doença e não sabe disso.

"A pessoa tem um surto, uma alteração na visão, por exemplo. Aquilo recupera e o paciente pode passar anos sem outro sintoma. Mas, no primeiro sintoma, ele deve procurar um médico. Se for diagnosticada a esclerose múltipla, quanto mais cedo começar o tratamento, maior a chance de controlar a doença", afirma o neurologista Jefferson Becker, presidente do Comitê Brasileiro de Tratamento e Pesquisa em Esclerose Múltipla.

O tipo da doença chamado recorrente remitente é o mais comum. Corresponde a aproximadamente 80% da esclerose múltipla. São surtos em longos espaços de tempo, sem cura. "A esclerose múltipla não tem cura, mas hoje os recursos terapêuticos estão cada vez maiores. É muito diferente de como era há 15 anos", afirma Taussig.

ÁREAS FRIAS

Não existe uma explicação concreta, mas estudos apontam que pessoas que vivem em regiões mais frias são mais propensas a sofrerem de esclerose múltipla. "No Brasil, isso é bem nítido. A incidência da doença é muito baixa na região norte, cerca de 5 para cada 100 mil habitantes. Conforme vai descendo, aumenta. No Sul chega a 30 para cada 100 mil", diz o neurologista Jefferson Becker.
 
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