16/12/2017 às 05h13min - Atualizada em 16/12/2017 às 05h13min

Esteatose hepática é distúrbio silencioso

DA REDAÇÃO

A esteatose hepática, que é o acúmulo excessivo de gordura no fígado, acomete de 20 a 40% da população geral. Mas, quando se trata do público obeso, esse número pode chegar a 70%. Em situações normais, temos até 5% de deposição de gordura no fígado e, quando essa quantidade ultrapassa 30%, ela começa a gerar alterações no funcionamento do órgão, podendo causar inflamação e outras consequências mais sérias.

Em geral, a esteatose hepática é uma situação benigna, mas uma porcentagem expressiva dos pacientes requer uma avaliação mais rigorosa e tratamento em longo prazo. “Geralmente, o que dá início a esta doença é uma alimentação errada e o sedentarismo crônico que geram uma resistência insulínica no organismo. Essa insulina provocaria um aumento do depósito de glicogênio e, consequentemente, de gordura no fígado”, explica Daniela Falqueto, gastroenterologista do Hospital Santa Clara.

A esteatose hepática é, geralmente, assintomática. Alguns pacientes em estágio avançado da doença percebem um desconforto na parte superior direita do abdome. Eles podem queixar-se também de uma distensão abdominal, acúmulo de gases maior do que o normal, dificuldades digestivas e náuseas.

O exame mais simples para a detecção da esteatose hepática é a ultrassonografia abdominal. O tratamento fundamental para o problema é a mudança no estilo de vida. A pessoa tem que mudar a sua alimentação e praticar exercícios físicos regularmente. “O ideal é que ela perca de 5 a 10% do peso e os exercícios devem ser de, no mínimo, três horas semanais, com atividades que aumentem a frequência cardíaca”, explica a gastroenterologista.

Além disso, existem os tratamentos medicamentosos, que podem auxiliar na redução da gordura no fígado e da inflamação. “Se a esteatose hepática estiver em um estágio inicial da doença, ela é reversível e o indivíduo pode voltar a ter níveis normais de gordura no fígado. Porém, se o grau já estiver muito avançado, com fibrose ou até cirrose trata-se de uma situação irreversível clinicamente”, afirma a especialista.

Estatisticamente, naqueles pacientes que já tem a forma mais grave da esteatose hepática, chamada esteatohepatite, 20% desses pacientes evoluem com cirrose hepática em 20 anos. Destes, 13% desenvolverão o câncer do fígado em 5 anos.

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