15/08/2017 às 05h32min - Atualizada em 15/08/2017 às 05h32min

Jota Quest e a arte de entreter na era das selfies

ADREANA OLIVEIRA | EDITORA
Show de domingo do Jota Quest no Center Convention / Foto: Adreana Oliveira

 

O Jota Quest mostrou, no último domingo, porque é uma das maiores bandas pop do país, na edição de Dia dos Pais do Center Shopping Festival. Com duas décadas de estrada e em início da primeira turnê acústica, eles cantaram músicas que os consagraram e os tornaram sucesso radiofônico como “Hoje”, “Na moral”, “Fácil”, “Do seu lado”, entre outros.

Uberlândia costuma ser inserida nas turnês do Jota Quest desde o início de carreira nos anos 90 e quem é fã acompanhou a ascensão da banda que mescla sons dançantes e baladas com tempero mineiro. É muito funk, soul, pop, dance e rock junto graças às diferenças das influências de seus integrantes. Quando coloca tudo no caldeirão, faz-se a mágica. O Jota Quest começa nesta semana a turnê de shows do disco Acústico que lança no próximo mês e quem sabe, não voltam à cidade mais cedo do que de costume.

Mas muito mudou na forma como se assiste (ou não) aos shows desde que Flausino, Marco Túlio, PJ, Márcio e Paulinho caíram na estrada. Na turnê de “De volta ao planeta” (1998) as câmeras digitais ainda não eram muito comuns e smartphone começava a sair do papel para ganhar as massas.

Atualmente, é difícil não ver as telinhas brilhantes para cima ou para baixo a todo momento e o principal problema é que não basta ter uma selfie, tem que tentar várias vezes até sair uma “boa”. Daí já perdeu momento marcante no palco, corda que arrebenta, o sorriso de um integrante para o outro, a cumplicidade entre eles e aquela entrega que é a performance em si.

Os registros agora são feitos instantaneamente e o que incomoda é o espectador virar de costas para o palco, é como dar as costas a seu interlocutor. A tecnologia está ai para ser usada, mas um pouco de bom senso ajuda a compartilhar melhor a experiência que é um show ao vivo.

No formato do Center Shopping Festival, de plateia sentada (pelo menos durante grande parte do espetáculo), o uso do celular pode atrapalhar ainda mais o vizinho que está na filha de trás. E em tempos em que entreter é uma tarefa cada vez mais difícil, o Jota mandou bem. Os músicos, principalmente Flausino, o baixista PJ e o guitarrista Marco Túlio, na linha de frente, se permitiam um olho no olho com o público, entre uma nota e outra e isso é bem melhor que um olho na tela...


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