30/10/2017 às 05h07min - Atualizada em 30/10/2017 às 05h07min

Violência nas escolas

PAULO CÉSAR ALVES ROCHA* | LEITOR DO DIÁRIO

Como professor e ex-diretor de escola pública localizada na periferia da cidade, ouso aqui a fazer alguns comentários sobre a questão da violência escolar, recentemente, tão evidenciada através da ocorrência de figuras penais em ambiente escolar, como estupro, lesão corporal e homicídio.

Inicialmente, temos que nos atentar para o fato de que a escola não é um espaço isolado da sociedade, é sim apenas uma amostra do que temos além dos muros da escola. Ali vivem e convivem pessoas de diferentes histórias de vida, raças, religiões e culturas.

Infelizmente, não raramente, os meios de comunicação e a própria família têm dado a sua contribuição negativa para o aumento dos casos de violência. Assim, um ambiente em que permeia a falta de respeito, a intolerância e a falta de diálogo, os resultados são previsíveis.

Fato marcante é a omissão dos pais, que fazem a transferência da responsabilidade familiar de educar e formar o caráter dos filhos para os profissionais da escola.

A falta de conhecimento de muitos, ou mesmo a “cultura” que temos de não assumirmos a responsabilidade, faz com que muitas das vezes a solução do problema da violência escolar seja atribuída a terceiros, como: diminuição da maioridade penal, implantação de segurança armada nas escolas, mudança curricular, destinação de mais recursos para a educação, mudança dos governantes ou alteração das políticas públicas, enfim, alguém que não seja a própria pessoa terá que resolver o problema.

Nesse sentido, a educação, que inclui os limites e valores necessários para a criança e o adolescente conviverem em sociedade é transferida para a escola, que passa assim a ser cobrada por uma que não é e nunca foi dela.

Longe de uma análise político-partidária, até mesmo porque nunca valorizei a figura de guetos, que a meu ver só servem para a afirmação de um grupo sobre outros, o grande desafio é que os atores da sociedade, inclusive os membros da comunidade escolar (funcionários, pais e alunos), incentivem e trabalhem diariamente para termos uma cultura de paz, com respeito às diversidades (e diferenças), algo tão comum e enriquecedor para a boa convivência humana.

Nem todas as pessoas professam a mesma religião, têm a mesma cor da pele, cultura ou nível social, sendo certo que muitas crianças e jovens sequer têm a paternidade reconhecida.

Devemos sim cobrar políticas públicas que favoreçam a segurança e o convívio saudável de nossas crianças no ambiente escolar, mas também não podemos ficar inertes esperando que o poder público ou a escola façam a parte que nos compete.

Devemos nos empenhar diariamente para trabalhar limites e valores positivos com as nossas crianças e jovens. A construção de um ambiente que valoriza o trabalho (decente), a família, a escola (e seus profissionais) e a formação de hábitos saudáveis de vida ajudam bastante nesse processo de combate a violência.

Exerci por vários anos a função de professor e administrador escolar, e ainda, tive a oportunidade de exercer a função de advogado em unidade de internação de adolescentes que cometeram atos infracionais graves. Espero um dia ter a oportunidade de compartilhar um pouco dessas ricas experiências aqui.

(*) Professor, advogado e vereador

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