09/02/2022 às 16h44min - Atualizada em 09/02/2022 às 16h44min

Prefeitura anuncia investimento de R$ 30 milhões para evitar enchentes na Av. Rondon Pacheco

Objetivo é construir quatro represas de contenção na bacia do córrego Lagoinha e um sistema de monitoramento dentro das galerias da avenida

MARIELLE MOURA
Anúncio foi feito durante coletiva de imprensa nesta quarta-feira (9) | Foto: Marielle Moura

A Prefeitura de Uberlândia anunciou, nesta quarta-feira (9), novos investimentos para melhorar a infraestrutura de drenagem da água da chuva na cidade. Segundo o prefeito Odelmo Leão, serão aplicados cerca de R$ 30 milhões em um novo projeto para evitar enchentes na avenida Rondon Pacheco. 


De acordo com secretário de Gestão Estratégica de Uberlândia, Raphael Gonzaga Silveira, serão construídas quatro represas de contenção na bacia do córrego Lagoinha e também 20 km de redes auxiliares e galerias para novas represas. Além disso, também serão construídos dissipadores de volume de drenagem nas represas e um sistema de monitoramento automatizado dentro das galerias da avenida Rondon Pacheco.
 

Ainda conforme dito pelo prefeito, os estudos sobre as bacias de Uberlândia, especialmente do Córrego Lagoinha, começaram a ser feitos há dois anos por uma empresa de engenharia de Goiânia e foram entregues em dezembro de 2021. 

O estudo mostrou que o problema com enchentes na avenida Rondon Pacheco é devido à grande quantidade de água que chega da parte alta da cidade. Além disso, revelou que existem dois córregos que direcionam o fluxo da água para a avenida, que é o Córrego Jataí que tem a represa de contenção no Parque do Sabiá e o Córrego Lagoinha que tem a vazão natural e o deságue imediato na via.

“O projeto nos mostrou que temos que construir quatro represas ao longo do Córrego Lagoinha que inicia no bairro Santa Luzia e tem o deságue dele na avenida Rondon Pacheco, na altura da avenida Francisco Galassi, e na Avenida Nicomedes Alves dos Santos”, disse. 

Segundo a Prefeitura, serão construídas quatro represas de contenção e redes auxiliares, preservando a mata nativa, que vão reduzir o volume de água que vai para a avenida Rondon Pacheco em casos de chuvas severas. A intenção é que a obra reduza de 180 mil litros por segundo para 46 mil livros por segundo, cerca de ¼ do volume .

As represas serão construídas na avenida Jaime de Barros, rua Vasco Mascia, rua Saldanha Marinho e dentro do Parque de Exposições Camaru. Segundo o secretário Raphael Gonzaga, as represas vão funcionar em efeito cascata. “As represas funcionam da seguinte forma: encheu a primeira tem um vertedouro, passa para a segunda que tem um vertedouro, que passa para a terceira que encheu e passa para a quarta. A partir da quarta, volta para o leito do Córrego do Lagoinha, ou seja, até que isso aconteça, provavelmente, a chuva já passou e a gente não vai ter esse conflito de fluxo na avenida Rondon Pacheco”, informou.

A terceira represa, que ficará na rua Saldanha Marinho, será a maior delas com capacidade de mais de 180 mil metros cúbicos de água. Em razão disso, irá ocorrer mudança na via. “Juntamente a construção dessa terceira represa, vamos subir a rua Saldanha Marinho cerca de 1,70 metro para forçar a construção desse reservatório para segurar mais água ainda”, disse.

Ainda segundo o secretário, as obras irão mudar o curso do Córrego Lagoinha “Não muda o leito do córrego. É o leito natural, temos que aproveitar isso. Então nós não mudamos curso natural e, na época da seca, o córrego com sua vazão natural vai continuar passando lá”, disse

Raphael também comentou que por se tratar de uma Área de Preservação Permanente (APP) será necessário a autorização de órgãos ambientais. “São intervenções todas em áreas públicas já, não vamos precisar de desapropriação nessa primeira fase. Mas, como vamos estar tratando de uma APP, vamos ter que ter uma autorização dos órgãos ambientais competentes”, explicou.

TELEGESTÃO
Além da construção das represas de contenção, será criado um sistema preventivo com alerta automatizado na avenida Rondon Pacheco. Será instalado um sistema de monitoramento eletrônico 24 horas dentro das galerias da vida, que contará com alertas visuais ao longo da Rondon, em que amarelo significa atenção e vermelho saída imediata da pista. 

“Se a galeria encher até certo nível, um ponto de luz amarela será aceso imediatamente. Se passar daquele nível, as luzes vermelhas vão se acender e indica que a população tem que fazer uma saída imediata da pista porque tem risco de inundações”, disse Raphael.

GASTOS E LICITAÇÃO
Odelmo Leão informou ainda que uma parte da verba para a primeira etapa da obra vem do estado e a outra do próprio Município. “Com relação a recursos, em torno R$18 milhões virá daquele acordo do estado, Ministério Público e Tribunal de Justiça com a Vale, que definiu a distribuição da verba para municípios mineiros. O restante vamos buscar através de recursos próprios, de alguma sobra de financiamento que temos aqui. Posso garantir que nessa primeira etapa os recursos estão assegurados”, explicou.

Durante a coletiva de imprensa, também foram repassados cerca de R$ 8,5 milhões pelo presidente da Câmara Municipal, vereador Sérgio do Bom Preço, que faz parte da devolução do Poder Legislativo para o Poder Executivo. De acordo com o Odelmo Leão, o recurso poderá ser aplicado nesta obra ou em outras obras necessárias. 

Ainda de acordo com o chefe do executivo, o primeiro pacote de licitação deve ficar pronto  até o final do mês e, após iniciadas, a estimativa de duração das obras é de dois anos. A expectativa é que os trabalhos comecem em maio.

“A estimativa dessas primeiras obras são 24 meses, porque são obras que no período de chuva não vão para frente. São trabalhos que têm que ser acelerados no período de seca”, disse. 

AÇÃO DO MP

No dia 28 de janeiro, o juiz da 1ª Vara da Fazenda Pública, João Ecyr da Mota Ferreira acatou uma recomendação do Ministério Público Estadual (MPE) e notificou o Município e o Departamento Municipal de água e Esgoto (Dmae) para apresentar um estudo de drenagem da avenida Rondon Pacheco em 90 dias. 

De acordo com o documento, os estragos causados pelas chuvas, assim como os fatos apresentados pelo MPE, são de conhecimento público, dessa maneira, não há necessidade de provas para arcar com a decisão.

O juiz também apontou que como resultado da omissão da Prefeitura e do Dmae, as chuvas causam inúmeros danos ao setor privado e à administração pública, pois há necessidade da realização de reparos feitos a partir de recursos públicos.

Durante a coletiva de imprensa, o prefeito informou que a resposta da Prefeitura já estava pronta devido ao estudo que foi iniciado há dois anos. “Tivemos um projeto concluído em dezembro do ano passado. Não é porque houve um incidente agora que deixaríamos para correr atrás das soluções somente agora. Então nossa resposta, coincidentemente, já estava pronta

ESTRAGOS
No temporal que deixou a avenida Rondon Pacheco danificada, no último dia 16 de janeiro, foram realizados 23 chamados para atendimentos ao Corpo de Bombeiros. As principais ocorrências foram de quedas de árvores, veículos ilhados, além do resgate de uma pessoa. O Hospital Santa Marta e o Praia Clube também foram atingidos pelo temporal. 


*Matéria atualizada às 19h22 do dia 09/02/2022 para acréscimo de informações.

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