21/07/2021 às 15h00min - Atualizada em 21/07/2021 às 15h00min

Geada em Uberlândia pode provocar escassez de frutas, legumes e verduras

Com plantações comprometidas, produtores podem não conseguir entregar hortifrutis

LORENA BARBOSA
Plantações amanheceram cobertas de gelo em Uberlândia | José Rubens Laureano
Os produtores rurais ainda tentavam se recuperar da geada que atingiu Uberlândia no fim de junho, quando foram surpreendidos novamente com gelo nas plantações durante a madrugada desta terça-feira (20). Com o comprometimento das lavouras, além do preço, que deve ser reajustado, pode faltar legumes, frutas e verduras na mesa do consumidor.

José Rubens Laureano é membro de uma cooperativa com 60 produtores rurais. Dentre os produtos dos cooperados estão alface, brócolis, chuchu, banana, repolho, cenoura e couve, entre outros. O agricultor explicou que a geada de junho praticamente dizimou as plantações mais altas, como as de banana e mamão.

Na primeira onda de frio, alguns cooperados conseguiram salvar parte das plantações. Entretanto, a geada desta terça-feira acabou parcialmente com essa produção que tinha sido preservada. “Nós ainda estávamos entregando a couve, brócolis, alface, porque são plantas que a gente conseguiu salvar. Mas, por exemplo, no meu caso específico, hoje eu não consegui nem aguar as plantas porque congelou a água nas mangueiras. É praticamente perda total”, lamentou o produtor.

Laureano disse que o prejuízo foi de em torno de R$ 5.000 só na primeira semana após a primeira geada e que deve ser ainda maior agora porque comprometeu a produção de até três meses, dependendo do ciclo de cada plantação. A outra dificuldade apontada pelo agricultor é que os produtores já estavam trabalhando no limite máximo de reajuste porque insumos, como adubo e esterco, estavam mais caros.

“Para você ter ideia, uma caixa de abobrinha no mercado um dia antes da geada de junho estava sendo comercializada por valores entre R$ 30 e R$ 80. Essa semana, já era vendida a R$ 220 uma caixa de 20 quilos”, disse Laureano.



AUMENTO DE PREÇOS
Comprador de FLV (frutas, legumes e verduras) de uma rede de supermercados, Rodrigo Martins comentou que no inverno já existe a tendência de alta no preço dos hortifrutis. Como faz compras diariamente, ele percebeu que o reajuste foi muito maior do fim de junho até hoje.

Com o conhecimento de mercado, Martins já espera uma nova alta nos preços, que deve ser causada pelo comprometimento da produção por causa do gelo. “Com essa geada nesta semana, deve aumentar mais ainda (os preços) e influenciar todos os itens. Tem produto que vai ficar 60 dias sem produção. E o que tiver (produção) vai estar caríssimo”, explicou.

O comprador de FLV contou que não passou todo o reajuste para o consumidor final para não impactar tanto no volume de vendas. Segundo ele, o supermercado precisou absorver parte do prejuízo. E a solução encontrada é deixar de adquirir alguns produtos. “Nós vamos ter a opção de não comprar, porque não vai ter como vender. O comércio em si está devagar. O consumidor não tem dinheiro”, avaliou Martins.

DIFICULDADES
A falta de mercado para absorver o preço dos reajustes é apenas um dos problemas dos produtores rurais. Sem ter o que entregar pelo estrago da plantação, o pequeno agricultor que não tiver reserva vai ter que parar a produção, conforme explicou José Rubens Laureano.

“Tem gente que vai passar muita dificuldade e não vai conseguir plantar de novo. A gente já trabalha no limite da nossa capacidade produtiva e financeira, também não tem linhas de crédito. Não tem financiamentos. Então fica muito mais complicado”, finalizou o produtor rural.
 
 


VEJA TAMBÉM:
Mesmo com queda em junho, cesta básica continua 15% mais cara que em 2020
Mãe denuncia filho por agressão no bairro Guarani

 

Tags »
Notícias Relacionadas »
Comentários »