02/07/2021 às 13h30min - Atualizada em 02/07/2021 às 13h30min

Ampliação da vacinação gera dúvidas em Uberlândia

Principal questionamento envolve quem perdeu a data agendada para a imunização; Secretaria Municipal de Saúde faz esclarecimentos

LORENA BARBOSA
Secretaria usa três formas para comunicar agendamento da vacinação | Foto: Cleiton Borges/Secom/PMU
Com a ampliação da vacinação contra a covid-19 em Uberlândia, dúvidas entre as pessoas do público alvo têm se tornado frequente. A principal delas envolve quem perdeu a data agendada para a imunização. De acordo com a Prefeitura, nesta semana, a vacinação contemplou profissionais da educação, gestantes e puérperas, pessoas com comorbidades e com deficiência e pessoas com 52 anos e 51 anos sem comorbidades. 

A Secretaria Municipal de Saúde explicou que a fim de evitar faltas no comparecimento disponibilizou três vias para a confirmação do agendamento das pessoas cadastradas: mensagem de texto no celular (SMS), e-mail e também a conferência da data do agendamento no Portal da Prefeitura. Além disso, foi disponibilizado também no Portal da Prefeitura um local destinado ao reagendamento para que as pessoas não fiquem sem receber a dose.

Uma moradora de Uberlândia, que não quis se identificar, tem pressão alta, colesterol alto e placa de gordura na aorta e passou por dificuldades para reagendamento da imunização. Pelas comorbidades, ela se cadastrou para receber a vacinação. Mas, ela também foi orientada pelo médico a tomar as vacinas contra a pneumonia e contra a gripe. Quando foi chamada para a imunização da covid-19, foi orientada que teria que esperar 15 dias após a aplicação das outras vacinas. Faltavam apenas dois dias para que o prazo orientado fosse completado.

Depois de mais de 15 dias sem um novo agendamento, ela procurou a Ouvidoria da Prefeitura Municipal de Uberlândia e foi informada que seria chamada para a vacinação 30 dias depois, junto com os faltosos. “Eu não sou faltosa, eu não tomei a vacina porque não podia. Trinta dias pode fazer muita diferença para o contágio da doença, principalmente com as comorbidades que tenho”, explicou.

Sobre esse questionamento, a Secretaria Municipal de Saúde esclareceu que todo o fluxo do agendamento é pensando na capacidade de atendimento dos pontos de vacinação e também nos grupos prioritários convocados. Por este motivo, as pessoas que não compareceram à convocação, seja primeira ou segunda dose, devem realizar a revalidação do cadastro para serem chamadas novamente. No caso dessa pessoa, mesmo não sendo faltosa, a imunização segue o mesmo critério, ainda segundo a secretaria.

DEMORA
Janaina Leila de Morais ainda não conseguiu se vacinar. Ela é secretária em uma clínica de fisioterapia e fez o cadastro como profissional da área da saúde no fim de março. Com a demora para ser chamada, decidiu trocar o cadastramento para a imunização da sua faixa etária, que é de 46 anos. Ela conseguiu mudar o agendamento para a faixa etária, mas segue aguardando a imunização.

Esse questionamento foi enviado para a Prefeitura de Uberlândia, que informou que durante um tempo não havia doses disponíveis para os profissionais de saúde, o que causou a demora para que esses profissionais fossem chamados. Depois que Janaína fez a troca pela idade, chegaram as doses para o pessoal da saúde, também de acordo com a Prefeitura. Mas, ainda de acordo com o Município, como Janaina já havia mudado o critério de vacina, agora, é preciso esperar que a faixa etária dela, de 46 anos, seja chamada.

SEGUNDA DOSE
O que tem gerado grande dúvida na população é também a aplicação da segunda dose. São questionamentos sobre qual prazo certo para que não se perca a eficácia. A Prefeitura de Uberlândia destacou que, assim como a marca da vacina aplicada, o prazo para a segunda dose é informado pelo profissional do ponto de vacinação no momento da aplicação. Esse prazo é informado pelo fabricante.

No caso da Coronavac, o intervalo é de até quatro semanas. Para a AstraZeneca/Oxford e a Pfizer, o intervalo é de até 12 semanas. As doses são aplicadas ainda de acordo com o envio do imunizante pelo Governo Estadual.

Segundo informações da Secretaria Municipal de Saúde, o atraso na aplicação da segunda dose deve ser evitado. Mas, caso haja, não há comprometimento na imunização.

Qualquer dúvida em relação a imunização da covid-19 pode ser esclarecida pela Ouvidoria da Saúde. Os telefones de contato são: 0800-940-1480, para ligações de telefone fixo, ou (34) 3256-3800, para ligações de celular.

FISIOTERAPEUTAS
Um levantamento feito pelo Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (CREFITO) apontou que 147 fisioterapeutas ainda não foram imunizados.

De acordo com Cristiane Machado Pereira, delegada do Conselho na região do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, entre esses profissionais existem aqueles que trabalham na linha de frente de combate à covid-19.  “A fisioterapia respiratória dentro das UTIs [Unidades de Atendimento Intensivo] e nos ambulatórios é uma coisa extremamente importante e difundida. Respiração mecânica é feita pelo fisioterapeuta”, disse a representante.

Ainda de acordo com a delegada, o Conselho Regional de Belo Horizonte foi recebendo todo esse questionamento, e, desde fevereiro, tem enviado ofícios à Secretaria de Saúde de Uberlândia, mas não tem recebido retorno. Segundo Cristiane Machado, existe uma ação judicial também sem resposta.

A exigência do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNEs) para a vacinação dos fisioterapeutas também foi questionada pelo conselho. Segundo a delegada regional, existem muitos profissionais que trabalham de forma autônoma e não têm esse cadastro.

“Eu acho que o sentimento é exclusão, se sentir excluído de uma sociedade onde você presta um serviço tão importante, onde você coloca as pessoas na ativa, no seu dia a dia, nas suas profissões, nos seus lares e não pode ser protegido e imunizado nesse momento”, explicou Cristiane Machado, sobre o sentimento experimentado pela maioria dos fisioterapeutas que procuram o conselho em Uberlândia.

Sobre o caso específico dos fisioterapeutas, a Prefeitura de Uberlândia não se posicionou. Mas, a Prefeitura informou, em resposta a um questionamento feito pelo Diário para essa reportagem, que durante um tempo não havia doses disponíveis para os profissionais de saúde, o que causou demora para que profissionais de saúde fossem chamados.

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