02/07/2021 às 15h30min - Atualizada em 02/07/2021 às 15h30min

Indicador para reajuste tem alta de 35% em 12 meses e encarece aluguéis

Inquilinos levam susto na hora de renovar contrato em Uberlândia; valorização do real e baixa do dólar influenciam nos índices, aponta economista

GABRIELE LEÃO
Alta do IGP-M reflete no mercado imobiliário de Uberlândia | Divulgação
Julho começou, para muitos, já com a necessidade de renegociar o aluguel. Isso porque o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), usado como principal indicador para o reajuste do aluguel, fechou o mês de junho com 0,60% de variação, depois de subir 4,10% em maio. Com os resultados em 2021, o índice acumula alta de 15,08% no ano e de 35,75% em 12 meses.

Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV/Ibre). Em comparação com o mesmo período do ano passado, em junho de 2020 o índice havia subido 1,56% e acumulava alta de 7,31% em 12 meses.

O economista Fábio Machado explicou que a combinação da valorização do real com o recuo dos preços em dólar fez a cesta de matérias-primas brutas do Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) cair 1,28% em junho, em comparação a 10,15% no mês anterior. “Com este movimento, a taxa registrou a desaceleração, fechando o mês com alta de 0,42%", disse.

Ainda de acordo com Fábio Machado, “o Brasil passa por um momento de alta inflação, principalmente pela falta de posicionamento no momento da pandemia do coronavírus, e seguindo essa análise, é provável que pode haver mais ajustes nos próximos meses em outros setores, como, por exemplo, no combustível, energia elétrica e construção civil, assim como foi registrado no preço dos aluguéis”. Além disso, segundo Machado, esse índice impacta diretamente no preço de compra e venda de imóveis.

AUMENTO FORA DO ORÇAMENTO
Nikoly Rocha, de 28 anos, é autônoma e divide uma casa do bairro Jardim Patrícia, em Uberlândia, com uma amiga. No mês de junho, quando o contrato de aluguel fez um ano, ela recebeu a notificação de que o aluguel de R$ 950,00 passaria para R$ 1.300,00 por causa do ajuste.

"Entrei em contato com a imobiliária para renovar o contrato e eles informaram que devido ao acúmulo de reajuste teria um aumento. Mas esse aumento é de R$ 350,00 do valor que já pagamos hoje, e sairia completamente do orçamento, já que minha renda é variável", comentou.

A empreendedora ainda informou que entrou em contato com a imobiliária para uma renegociação. "Gosto da minha localização e não pretendo mudar, mas caso não haja acordo entre as partes, terei que buscar um novo local, e espero que o aluguel continue o mesmo ou que o aumento seja mínimo", afirmou Nikoly, que saiu do emprego fixo quando a loja online começou a deslanchar durante a pandemia.

RENEGOCIAÇÃO
Ronaldo Arantes, presidente do Sindicato da Habitação do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba (Secovi-Tap), contou que muitos locatários deixam para rever o reajuste do aluguel em cima da hora e isso pode prejudicar as negociações com o proprietário, já que a correção do valor é prevista em contrato e de forma legal.

“A orientação é que haja essa renegociação o quanto antes do contrato vencer, para evitar prejuízo, pois, neste momento de crise, por causa da pandemia, é melhor garantir o imóvel alugado, já que, nas condições atuais, não há previsão de quando ele será locado novamente”, observou. “A alternativa para evitar encerramento de contratos é o ajuste pela taxa de Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que variou 0,57% em junho, próximo à variação de 0,61% em maio", encerrou Ronaldo Arantes.
 
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