21/05/2021 às 12h12min - Atualizada em 21/05/2021 às 12h12min

Acidentes com motocicletas aumentam 33% em Uberlândia

Elevação no número deste tipo de ocorrência foi registrado pelo Corpo de Bombeiros em abril deste ano em comparação com o mesmo período do ano passado

FERNANDO NATÁLIO
Jovem, de 21 anos, morreu em Uberlândia, no último sábado (15), após batida com veículo na Av. Raulino Cotta Pacheco I Foto: Divulgação/Corpo de Bombeiros
O número de acidentes com motocicletas em Uberlândia no mês de abril deste ano aumentou 33,1% em relação ao mesmo período do ano passado. Foram 237 ocorrências desta natureza no quarto mês de 2021, enquanto em abril de 2020 foram 178 registros deste tipo, segundo dados do 5° Batalhão do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (5° BBM) de Uberlândia. Para o professor da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) William Rodrigues Ferreira, especialista em trânsito, a busca pelo maior número de entregas por parte dos motoboys durante a pandemia influencia nesta elevação, assim como a ampliação do limite de pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH) - de 20 para 40 -, que permite mais infrações de trânsito.

Segundo a Tenente do 5° BBM, Patrícia de Castro Resende, a maior parte dos atendimentos que os Bombeiros fazem relacionados aos acidentes de motocicletas é em cruzamentos de vias da cidade. “É preciso que os motociclistas respeitem as leis de trânsito e não façam conversões proibidas nos cruzamentos. Todos têm que seguir as placas, as faixas, para evitar as colisões”, alertou a Tenente, que também lembra a importância dos motociclistas não ultrapassarem a velocidade permitida. “Não podem exceder estes limites”, observou.

Ainda de acordo com os dados dos Bombeiros, neste ano de 2021, mais da metade dos acidentes envolvendo motociclistas foram em colisões com automóveis. Este tipo de ocorrência totalizou 392 registros de um total de 745 verificados neste ano. Um destes acidentes vitimou um jovem, de 21 anos, em Uberlândia, no último sábado (15). Wester Paulo Ferreira da Silva morreu após uma grave colisão com um carro de passeio no viaduto da avenida Raulino Cotta Pacheco, que liga os bairros Martins (setor central) e Roosevelt (zona norte da cidade).

Segundo o Corpo de Bombeiros, o motociclista não teria conseguido fazer a curva e bateu de frente com um veículo que seguia em sentido contrário. A vítima não resistiu aos ferimentos e morreu no local. De acordo com a mãe do jovem, a cozinheira Ivanilda Aparecida da Silva, seu filho foi mais uma vítima da insegurança das motos, da alta velocidade e da pressão que os motoboys enfrentam pelo aumento do número de entregas. “Antes de meu filho sair de casa, todos os dias, eu pedia para ele não correr com a motocicleta, pois sabemos que é um veículo sem muita segurança. Mas ele me dizia que se o entregador não correr, não ganha dinheiro. Agora, ele não ganhou o dinheiro que precisava, perdeu a vida e eu perdi ele!”, lamentou.

A mãe do jovem também lembrou a pressão que as solicitações de entregas representam. ”É importante que todas as pessoas que fazem pedidos, principalmente de comida, tenham um pouco mais de paciência com os entregadores. Quanto mais reclamam, mais eles correm nas ruas e mais risco de acidentes têm. Que os patrões nos estabelecimentos também não façam tanta pressão por agilidade nas entregas, pois os entregadores já estão correndo bastante para fazer este serviço”, alertou.

Ivanilda da Silva também estendeu a conscientização aos entregadores. “Quero pedir para que os motoboys tenham mais calma ao dirigir, pois, em casa, tem uma família esperando por eles. Parem e pensem se essa velocidade excessiva vale a pena. Hoje (quinta-feira, dia 20 de maio de 2021), faz cinco dias que meu menino não volta pra casa, não volta pra mim. Ver ele sair de casa e não voltar mais é muito triste. Era um filho maravilhoso, responsável, meu parceiro, meu amigo. Não tenho palavras para falar o que estou sentido agora. O que eu queria, que é ele, não tenho mais! O que me restou foram as lembranças dele”, desabafou.
 
FISCALIZAÇÃO E DIREITOS
Segundo o professor da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) William Rodrigues Ferreira, especialista em trânsito, a redução dos acidentes envolvendo motocicletas em Uberlândia e em todo o país depende de maior fiscalização e educação no trânsito. “Tem o caminho mais demorado, que é o de promover a formação para o trânsito, reforçar, desde cedo, as orientações sobre as leis de trânsito e a mobilidade. Tem também a fiscalização das autoridades nas ruas, que é importante também e é a mais rápida, além das campanhas de conscientização, como o Maio Amarelo, celebrado neste mês, quando é destacada a necessidade de prudência ao volante e respeito às regras”, apontou.

Ainda conforme o especialista em trânsito, a diminuição de acidentes com motos também seria possível se o Brasil seguisse determinações judiciais como a proferida no Reino Unido, em fevereiro de 2021, que decidiu que motoristas de Uber terão direitos trabalhistas. “Assim, os entregadores tornam-se parte da empresa e, se tiverem acidentes, terão todos os direitos trabalhistas. Isso, certamente, faria os empregadores e os aplicativos, aqui no Brasil, pensarem muito antes de pressionar os motoboys por entregas cada vez mais rápidas. Essa mudança na condição de trabalho destes profissionais, que ganham por produtividade, poderia reduzir os excessos cometidos por parte deles nas vias, o desrespeito das leis de trânsito e, consequentemente, os acidentes”, analisou William Ferreira.


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