19/05/2021 às 12h02min - Atualizada em 19/05/2021 às 12h02min

Pandemia faz crescer demanda de cozinhas solidárias em Uberlândia

Coordenadoras dizem que doações nem sempre são suficientes para atender famílias necessitadas

NILSON BRAZ
Refeições são feitas por voluntárias e distribuídas para famílias que estão sem renda | Foto: Arquivo Pessoal

Desde a chegada do coronavírus, tem sido crescente a quantidade de pessoas que perderam os empregos. Sem alternativas para garantir uma fonte de renda, muitas famílias ficaram sem ter o que comer. Mas, a solidariedade de algumas pessoas e instituições tem tentado garantir o mínimo necessário para que essas pessoas sobrevivam.

 

Uberlândia conta com seis cozinhas comunitárias e uma nova está prestes a ser inaugurada no bairro Morada Nova. As unidades que já funcionam estão no bairro Dom Almir e nos assentamentos Maná, Santa Clara, Fidel Castro e Renovação. De acordo com o advogado Igino Marcos, que auxiliou na criação de algumas dessas cozinhas, a maioria delas tem recebido um número cada vez maior de pessoas buscando ajuda. A maior delas, a do bairro Dom Almir, começou na cozinha de um dos escritórios dele, para ajudar alguns funcionários e vizinhos e atualmente distribui mais de 1.200 marmitas por dia.

 

“Começou por causa da pandemia, chegou no pico de distribuir 600, 700 marmitas por mês, aqui no Dom Almir, depois diminuiu um pouco a procura. Aí quando chegou a segunda onda de casos do coronavírus, estourou. A fome aumentou, mais gente, principalmente mulheres que trabalhavam de diarista, na limpeza, não tinha mais nem o que comer”, afirmou o advogado.

 

Quem coordena a cozinha do Dom Almir é a voluntária Eliana dos Santos Lopes. Emocionada, ela conta que mesmo com todo o esforço dos voluntários e empresários que doam com frequência, nem sempre a comida feita por eles é suficiente.

 

“Todo dia fica gente sem comer. Hoje mesmo eu comprei 12 marmitas além das nossas. Porque 12 famílias que vieram de longe, de bicicleta, para buscar, chegaram quando não tinha mais nenhuma”, afirmou Eliana.

 

Eliana lidera um time de 12 voluntárias no preparo da comida e na distribuição das marmitas. Ela conta que a maioria delas são mulheres que perderam os empregos e que tem no voluntariado a única maneira de garantir a refeição das famílias. Ela diz ainda que o esforço para não deixar de produzir e distribuir as refeições é muito grande, mas nem sempre é suficiente.

 

“Na semana passada ficamos dois dias sem ter como cozinhar, porque não tinha embalagem para colocar a refeição. Outra semana quase ficamos sem poder fazer a comida porque não tinha óleo e tempero. Eu sonho em um dia tudo correr tranquilo para fazer as marmitas, porque nunca está”, disse a voluntária.

 

Todas estas cozinhas comunitárias funcionam com doações e voluntariado. De acordo com Igino, alguns empresários da cidade depositam dinheiro mensalmente em contas que são destinadas para a compra de mantimentos, além de doações vindas de institutos, organizações e movimentos que arrecadam e distribuem para os voluntários que preparam as refeições. O advogado conta ainda que a contrapartida de acordos firmados entre o Ministério Público e algumas empresas são destinados a essas cozinhas.

 

A voluntária Maria Aparecida da Cruz Silva, que distribui refeições para alguns moradores do assentamento Maná, conta que começou sozinha, mas como aumentou a quantidade de gente precisando e também de mais voluntários, passou a conseguir distribuir uma média de 300 marmitas por mês na região onde mora. E disse ainda que só não faz mais, porque as doações são poucas.

 

“A gente faz marmita de segunda a sexta. No sábado e no domingo eu não dou conta, porque é muita demanda, muita comida, gás. Nem é a canseira, é a falta de alimento, a gente passa muito aperto, porque a gente depende de quem faz a bondade de doar para a gente cozinhar”, afirmou Maria Aparecida.  

 

Realidade vivida, também, pela coordenadora da cozinha comunitária Maria de Lourdes de Lima Soares. Ela atua no antigo assentamento Glória, que recebeu o nome de bairro Élisson Pietro. A voluntária diz que a comida é sempre insuficiente, mas que por vezes falta ajuda também.

 

“Esse ano só aumentou a quantidade de pessoas precisando de ajuda. Hoje mesmo foi tanta gente, que a comida não deu para todo mundo. Nós somos uma equipe de nove mulheres voluntárias para fazer a comida, mas quando alguma não pode ir, eu pego algumas da fila, mando higienizar as mão, tomar todos os cuidados e coloco para ajudar”, contou Maria de Lourdes.


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