11/05/2021 às 16h05min - Atualizada em 11/05/2021 às 16h05min

Preço da carne afeta mercado de restaurantes em Uberlândia

Valor médio do kg da carne ficou 32% maior com a pandemia; empresários buscam substituir cortes e investem em promoções e ofertas

BRUNA MERLIN
Valor chegou a R$ 50 em março de 2021 I Foto: Agência Brasil

Desde o início da pandemia da covid-19, mês a mês o aumento no preço do quilo da carne espanta os consumidores em Uberlândia. O susto também é sentido por proprietários de restaurantes e churrascarias da cidade que utilizam o produto como principal fonte de renda nos estabelecimentos.
 
Segundo dados do Centro de Pesquisas Econômico-Sociais (Cepes) da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), antes da pandemia, de janeiro de 2019 a março de 2020, a valor médio do quilo da carne em geral, tanto vermelha quanto branca, era de R$ 31,75. Com a chegada da pandemia, o preço médio aumentou em mais de 32%, chegando a R$ 42,16.
 
O levantamento aponta ainda que o principal aumento registrado entre abril de 2020 e março de 2021 aconteceu a partir do mês de novembro do ano passado. No período, o preço médio do quilo da carne chegou a R$ 45,01. Em dezembro, o valor subiu para R$ 48,41. Em janeiro deste ano, o preço chegou R$ 49,17. Por fim, em fevereiro e março de 2021, o valor passou de R$ 50 o kg.
 
O cenário espanta os donos de restaurantes e churrascarias que precisam encontrar alternativas para continuar oferecendo qualidade nos pratos e continuar garantindo a renda da empresa. Para o comerciante Rubens Mendonça Júnior, que administra um restaurante no bairro Santa Mônica, a situação é muito difícil e as consequências são grandes.
 
Rubens contou à reportagem que cerca de 80% da venda do estabelecimento vem da carne, mas ele precisou adaptar o cardápio para não sair no prejuízo. “Tivemos que substituir alguns cortes que são mais caros, como a picanha. Agora, estamos optando pela alcatra e maminha. Além disso, aumentamos a oferta de frango, linguiça e cortes suínos”, explicou.
 
A mudança foi necessária para que o proprietário não aumentasse o preço dos pratos e serviços e espantasse os clientes. Contudo, Rubens afirmou que não terá outra opção se os preços continuarem aumentando.
 
“Não estamos tendo retorno e, se a situação continuar desse jeito, infelizmente, terei que aumentar o preço para os consumidores. E o risco fica maior ainda.”, complementou.
 
A dificuldade também atingiu também o empresário Tiago Faria Lobato, que é proprietário de um restaurante localizado no bairro Cidade Jardim e, assim como Rubens, precisou substituir alguns cortes de carnes, principalmente as bovinas.
 
“Continuo oferecendo os cortes mais caros como a picanha, mas precisei aumentar o preço do prato. Em contrapartida, investi mais em outros tipos de carne que são mais em conta para dar opções aos clientes”, detalhou.
 
O empresário disse ainda que sempre fica de olho nas promoções e ofertas dos supermercados e atacadistas para conseguir economizar nas compras para o estabelecimento. “É uma saída que encontramos para conseguir manter a qualidade dos nossos serviços”, finalizou.
 
EXPECTATIVA

A previsão para os próximos meses é de que o preço da carne continue em alta, conforme explicou a economista, Graciele de Fátima Sousa. Para o Diário de Uberlândia, a profissional disse que o valor do produto está em constante aumento desde o segundo semestre de 2019, mas devido à pandemia, foi registrada uma elevação significante que deverá persistir por mais um tempo.
 
“Nos últimos meses houve um aumento da demanda externa, principalmente da China. Sendo assim, os produtores estão tendo mais demanda e menos oferta, e tiveram uma elevação no custo de produção, fazendo com que o preço do produto final aumentasse”, frisou.
 
A valorização do dólar também influenciou para que o preço da carne aumentasse no mercado interno já que os produtores estão preferindo exportar, diminuindo assim, a oferta do produto para o Brasil. “É um conjunto de fatores que faz com que a carne fique mais cara”, disse a economista.
 
Para os próximos meses, a expectativa é de que o cenário fique estável. De acordo com Graciele, se houver queda no valor será algo momentâneo e pouco significativo. “O primeiro semestre de 2021 ainda será conturbado para a economia brasileira e os preços de diversos produtos continuarão altos”, concluiu.


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