07/05/2021 às 20h14min - Atualizada em 07/05/2021 às 20h14min

Médicos apontam riscos de retomada de eventos e reabertura de bares em Uberlândia

Integrante do Comitê de Enfrentamento à Covid admite que votaria contra liberação de eventos neste momento

FERNANDO NATÁLIO
Pneumologista Thulio Marquez Cunha faz alerta sobre decisão I Foto: Arquivo pessoal
Dois médicos com atuação em Uberlândia e o infectologista Marcelo Simão, integrante do Comitê Municipal de Enfrentamento ao Covid-19, afirmaram que a liberação de eventos sociais e corporativos, limitados à participação de no máximo 50 pessoas, das 6h às 21h, durante toda a semana e a ampliação do horário de funcionamento de bares geram preocupação e trazem riscos de novo aumento de casos de coronavírus na cidade e até um novo fechamento das atividades econômicas.

Para os especialistas, a retomada dos eventos e a liberação de bares com consumo de bebidas alcoólicas à noite feitas pela Prefeitura de Uberlândia poderiam ocorrer mais adiante, esperando uma queda maior do percentual de ocupação de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), já que na rede municipal houve um aumento desta nesta semana, chegando a 98% na quarta-feira (5), e em hospitais particulares a taxa, hoje, varia entre 85% e 100%.

Em entrevista exclusiva ao Diário de Uberlândia, o infectologista Marcelo Simão afirmou que não opinou na liberação dos eventos para até 50 pessoas e que se fosse ouvido sobre essa decisão votaria contra esta autorização. “Foi decisão do Comitê. Realmente, eu não seria a favor não, mas eu tenho certeza que seria voto vencido”, disse. Questionado se vê risco destes eventos gerar aglomeração, o infectologista afirmou que “teoricamente, sim”.

Para o pneumologista e intensivista Thulio Marquez Cunha, coordenador da UTI do hospital Uberlândia Medical Center (UMC), o ideal seria esperar um pouco mais para retomar estas duas atividades da forma como foram liberadas com o decreto publicado pelo Comitê Municipal na última terça-feira (4) e válido desde quinta-feira (6).

“Um evento de uma empresa, com todas as pessoas de máscara, fazendo uso de álcool gel, mantendo distanciamento entre elas, é possível ser feito e não vai gerar problemas. Mas se for um evento social com até 50 pessoas sem manter a distância apropriada, os cuidados necessários, poderemos ter aumento de casos. O grande problema é o comportamento das pessoas”, explicou. “Dentro de um bar, manter o distanciamento, mascara, as regras de segurança também é difícil”, completou.

Para o infectologista Abel Dib Rayashi, a retomada dos eventos poderia ser feita em uma próxima etapa. “Como a decisão já foi tomada, agora, cabe aos organizadores deste tipo de atividade respeitar as medidas de segurança”, pontuou o médico, deixando claro que não está fazendo esta observação como poder público ou esfera privada, mas, sim, com a experiência de um infectologista que atende em consultório.
 
DIA DAS MÃES
O pneumologista Thulio Marquez Cunha fez também um alerta sobre o Dia das Mães, para evitar novo aumento da disseminação do coronavírus em Uberlândia na data comemorada neste domingo (9).

“Sei que a saudade é grande e que as pessoas querem muito estar juntas com suas mães, mas, neste momento, o ideal é que quem puder evitar o encontro presencial o faça e, se houver o contato, que seja com máscara e distanciamento. É preferível ter a mãe por muitos outros anos do que ela ter Covid e correr risco de morte”, orientou.

O especialista lembrou que a segunda onda da Covid-19 em Uberlândia e o consequente colapso do sistema de saúde da cidade ocorreram após as reuniões de Natal e Ano-Novo. “Tiveram as contaminações, demoraram um pouco para fechar as atividades e a consequência disso foi aquela situação terrível de março. Há um risco de perder o controle e aumentar os casos novamente após os encontros do Dia das Mães neste fim de semana. Existem muitos casos de famílias inteiras que se contaminaram pelo vírus. Temos que evitar que esse cenário seja visto novamente”, alertou o pneumologista.
 
MELHORA DE INDICADORES
Apesar dos riscos da reabertura gradual das atividades econômicas em Uberlândia, os três médicos pontuaram que os indicadores da saúde em Uberlândia melhoraram significativamente, se comparados ao período de colapso do sistema de saúde ocorrido no fim de fevereiro e no mês de março.

“Chegamos a ter 800 leitos ocupados em março e, hoje, estamos com cerca de 400 com pacientes. A média de novos contaminados também diminuiu bastante, estando atualmente em torno de 150. E as UAIs não têm mais pacientes esperando por respiradores”, revelou o infectologista Marcelo Simão, integrante do Comitê Municipal de Enfrentamento ao Covid-19. Em março, o número de novos contaminados chegou a cerca de 600 em um único dia e a fila de espera por uma UTI em Uberlândia chegou a 200 pacientes, segundo o secretário municipal de Saúde, Gladstone Rodrigues, informou no ápice da segunda onda do coronavírus.

“Para ter essa reabertura gradual, certamente, foram levados em consideração alguns fatores: já temos quase 20% da população vacinada e há um grande contingente de pessoas que tiveram a doença e se recuperaram e, pelo menos por hora”, observou o infectologista Abel Dib Rayashi. “A situação atual é bem melhor que a que era vista na cidade nos meses anteriores”, completou Thulio Marquez Cunha.

Mas, ainda de acordo com o infectologista Marcelo Simão, integrante do Comitê Municipal de Enfrentamento ao Covid-19, se a retomada gradual, principalmente de atividades que podem gerar aglomerações, como bares e eventos, provocar aumento de casos ou a chegada da taxa de ocupação de leitos de UTI em Uberlândia novamente a 100%, poderá haver novos fechamentos. “Podemos restringir novamente”, afirmou.
 
 
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